O ano 2009 foi o ano de muitos desafios para o gestor RH, enquanto presidente da APG quais foram as maiores dificuldades e desafios que vos chegaram transmitidos pelos vossos associados?
Jorge Marques- Os maiores desafios foram o facto de a crise, supostamente, poder trazer oportunidades e vontade de fazer coisas novas. Infelizmente, aquilo que constatamos foi que se regrediu e se voltaram às velhas soluções e, portanto, foram oportunidades perdidas em 2009. Creio que 2010 será completamente diferente. 2009, em termos de uma mudança radical de paradigmas, não foi conseguido, os gestores, de uma maneira geral, tiveram medo e voltaram às velhas soluções.
O gestor de topo ou o gestor RH?
JM- Ambos. Voltou-se às contas, ao cifrão, à gestão de custos. E pouca inovação em torno da organização. Foi um ano em que se perderam oportunidades.
E do lado das empresas que trabalham na área da gestão de Recursos Humanos, como é que foi ultrapassado o ano?
Rodrigo Ferreira- As empresas de RH também sofreram com a crise. Na área da consultadoria houve, de facto, uma redução significativa de actividade e isso resulta também, naturalmente, das dificuldades das empresas no sentido de investimento nesta área. Houve inclusive, não só na área da consultoria, mas noutras áreas, empresas que fecharam as portas. A grande expectativa seria na área da formação mas, infelizmente também não se concretizou até pelo mau desempenho do QREN. Nas outras áreas do trabalho temporário e outsourcing perderam-se muitos postos de trabalho. No sector dos automóveis perdemos cerca de 30% a 40%, na área da construção civil, que aliás está paralisada, também se reduziu significativamente, cerca de 20% a 30%. Curiosamente, na área dos serviços não foram sentidas grandes diferenças. O ano 2009 não foi um ano positivo.
Foi um ano em que, atendendo às especiais necessidades de Recursos Humanos, as empresas podiam ter aproveitado para encontrar algumas soluções inovadoras na gestão do capital humano?
RF-O que move a área dos recursos humanos é também a economia. Se uma empresa tem condições económicas, ela investe nos seus recursos, através da formação, de programas de desenvolvimento, etc. Quando uma empresa começa a ter dificuldades económicas, a primeira área onde começa a cortar, infelizmente sempre foi assim, é nos Recursos Humanos. O capital humano passa a ser negativo e há que aligeirar a carga.
O encontro da APG de 2009 teve como tema: “Pessoas Atrevidas, Organizações Ousadas”. Parece-lhe, Jorge Marques, que 2010 será o ano das pessoas atrevidas?
JM- Fala-se muito das reformas do sistema: do sistema económico, do sistema político, etc. Todos esperam que os sistemas se reformem por si próprios. Eu não acredito em nada disso. Não vai haver reforma nenhuma do sistema. O sistema político está bem, quanto ao económico os principais agentes também estão confortáveis. Sinto que ao nível da acção vão aparecer nas empresas pessoas atrevidas que vão experimentar coisas novas. Eu penso que essas pessoas estão votadas ao sucesso. Aquilo que não aconteceu em 2009 vai ter de acontecer, necessariamente, daqui para a frente. Estive recentemente ouvir os economistas famosos da nossa praça e eles já estão completamente incrédulos em relação a soluções no campo económico. Eles próprios diziam que a economia vai ter de se virar para as pessoas. Quando nos viramos para as pessoas vamos ter de nos focar em duas ou três coisas que são fundamentais: primeiro, escolher entre as pessoas aquelas que são mais capazes; segundo, trazer à tona as elites de talentos; e, terceiro, vamos ter de lhes dar contexto para elas aplicarem o seu génio e o seu talento. 2010 é o ano em que vão aparecer pessoas novas. Não podemos esperar que as pessoas que geraram esta crise sejam as mesmas que nos vão ajudar a sair dela. Não se muda de cabeça com facilidade, não se muda de cultura interior com facilidade. No encontro ficou também claro que a paixão é a última competência. As pessoas que têm essa competência são as que têm de ser aproveitadas.
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Leia o conteúdo integral da entrevista na edição de Janeiro da Revista Pessoal.
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