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Assessment e Coaching, Consultoria, Entrevistas

Dave Morgan: 15 anos a aperfeiçoar competências e talentos

Especializada na avaliação e desenvolvimento de executivos, quadros de empresas e equipas, a Dave Morgan completa, em 2017, 15 anos de atividade.
Com o foco, sempre, na satisfação dos clientes, a empresa conta com uma prática profissional bastante consolidada, ao longo de vários anos, na área de Consultoria, e numa compreensão profunda das variáveis que fazem realmente a diferença na liderança e gestão das empresas. É este capital de conhecimento e experiência que partilham com os seus clientes e parceiros.
A propósito do 15.º aniversário, estivemos à conversa com Jaime Ferreira da Silva e Samuel Antunes, managing partners da Dave Morgan, que afirmam distinguir-se pelo rigor científico das metodologias, a precisão dos instrumentos de avaliação e a eficácia dos resultados produzidos.

Entrevista publicada na revista Pessoal n.º 167 – maio/junho 2017

Pessoal (P): Depois de 15 anos de prática profissional consolidada na área de Consultoria, a missão e os valores da Dave Morgan mantêm-se inalterados?

Dave Morgan (DM): Na generalidade, sim, com alguns ajustamentos da missão da Dave Morgan, fruto das transformações ocorridas no mercado nos últimos anos e da evolução dos nossos interesses profissionais. Deixámos, assim, de promover o executive search, refocalizando a nossa missão na avaliação e desenvolvimento de talentos pelo coaching de executivos e de equipas de management.
Introduzimos o neurofeedback no domínio do desenvolvimento/otimização de performance. Trata-se de uma técnica muito inovadora, assente em mais de cem anos de investigação em neurociência e que assegura excelentes resultados em áreas críticas da atividade dos executivos e líderes empresariais: focalização da atenção, memória, controlo de impulsos e normalização dos processos neurofisiológicos em situações de stress.

P: Na liderança e gestão das empresas atuais, o capital humano é cada vez mais valorizado?

DM: Jack Welch, antigo CEO da General Electric, costumava dizer que as empresas sem pessoas, eram apenas paredes, janelas e mobiliário. Esta perspetiva mantém a sua atualidade plena. Pessoas competentes, motivadas e globalmente alinhadas com as empresas onde se encontram, continuam a ser o seu ativo mais precioso. A 4.ª revolução industrial, da inteligência artificial e da internet das coisas, irá, novamente, “baralhar” líderes empresariais com a possibilidade de substituir pessoas por máquinas capazes de pensar e de aprender. Perder-se-ão empregos, numa reedição ludita dessa passagem da humanidade para o “nível seguinte”. Acreditamos que, no final, a nossa espécie conseguirá ajustar-se à(s) nova(s) realidade(s). Mais do que nunca, a educação ao longo da vida, a aquisição de conhecimentos e competências não assimiláveis por máquinas estará na ordem do dia, como estratégia de diferenciação no jogo económico com máquinas inteligentes.

P: De que forma a relação com as pessoas faz a diferença no desenvolvimento organizacional?

DM: As organizações funcionam, na sua generalidade, em contextos de competição por recursos escassos (clientes, patrocinadores, espaço de afirmação, etc.), de que depende a sua sobrevivência. Sem relações laborais de qualidade, tornar-se-ia muito difícil manter a estabilidade e o engagement das pessoas e equipas, ingrediente fundamental à consecução desse objetivo (sobrevivência).
As novas gerações que estão a chegar ao mercado de trabalho já não se reveem nos modelos clássicos de liderança. A liderança eficaz destes newcomers passa por uma maior proximidade relacional (e informalidade), bem como por uma atitude de maior abertura, aceitação da diferença, pragmatismo e foco nos processos de comunicação e gestão.

P: Que ferramentas disponibilizam aos clientes no domínio do Assessment / Management Appraisal?

DM: O Myers-Briggs Type Indicator (MBTI), um instrumento de avaliação psicológica, desenvolvido nos EUA por Katharine Briggs e Isabel Briggs Myers, fundamentado na teoria dos tipos psicológicos de Carl Jung. O MBTI não avalia aptidões nem competências; avalia preferências i.e. o modo como os indivíduos naturalmente tendem a agir em quatro dimensões fundamentais do funcionamento:

a) o modo preferencial de (re)carregarem “baterias”.
b) o modo preferencial de recolha de informação.
c) o modo preferencial de tomada de decisão.
d) o estilo de vida preferencial.

Este tipo de informação é muito relevante para o autoconhecimento e desenvolvimento pessoal/profissional, sendo, por isso, uma ferramenta muito utilizada como avaliação prévia dos programas de coaching executivo.
A Avaliação DM 360º que fornece um instrumento de medida do desempenho de executivos e líderes, reduzindo substancialmente a subjetividade destes processos ao incluir uma ampla gama de avaliadores posicionados em diferentes níveis da estrutura hierárquica.
No Management Appraisal desenvolvemos uma metodologia de avaliação – DM triple frame analysis® que assegura uma elevada validade preditiva do potencial identificado nos executivos avaliados. Ao centrar o foco da avaliação nas condições de compatibilidade entre as necessidades/exigências da organização e a motivação, competências técnicas (hard skills) e de comunicação e relacionamento (soft skills), conseguimos identificar com precisão, pontos fortes bem como aspetos a desenvolver, criando com esse feedback, condições efetivas de desenvolvimento das pessoas e de reforço do seu alinhamento face às necessidades e expetativas da organização.
Avaliamos também os Riscos Psicossociais, utilizando o COPSOQ II, que é um questionário de referência internacional, aferido para a população portuguesa e que nos permite identificar os níveis de saúde e bem-estar nos contextos laborais, fornecendo sustentabilidade científica para a redução dos níveis de ansiedade e stress no trabalho e promoção do compromisso e satisfação dos colaboradores.

P: No domínio do Developing Talent, quais são as principais dificuldades apontadas pelos líderes e gestores? E quais as soluções apresentadas?

DM: Como principais dificuldades reportadas salientamos a gestão de processos de mudança (individuais e grupais), o realinhamento de pessoas e equipas em torno de uma nova visão/estratégia e as clivagens entre diferentes áreas funcionais na organização[1].
No campo das soluções consultivas, os nossos programas de coaching executivo seguem uma filosofia de customização absoluta, respeitando a especificidade de cada organização e de cada coachee.
No domínio do coaching de equipas de management, iniciamos a intervenção com um workshop de ativação sistémica que possibilita a clarificação das necessidades de cada coletivo, possibilitando a condução eficaz dos processos de mudança nas sessões de coaching subsequentes.

P: Em que consiste o neurofeedback e de que forma pode beneficiar o funcionamento mental e, consequentemente, o desempenho profissional?

DM: O neurofeedback (NF) é uma técnica não-invasiva e sem contraindicações, de autoregulação da atividade cerebral, direcionada para a melhoria das funções cognitivas superiores (por exemplo, planeamento, controlo de impulsos, análise de dados, memorização, foco de atenção, etc.). Tem como destinatários naturais, os executivos e dirigentes de organizações que funcionam em contextos exigentes e complexos.
Funciona como complemento de programas de coaching na otimização de performance. O programa standard é constituído por 20 sessões dirigidas por um neuropsicólogo que vai treinando o executivo na autoregulação da sua atividade cerebral. Devido ao efeito da neuroplasticidade, o indivíduo vai aprendendo o que precisa fazer para manter as quatro ondas cerebrais principais (alfa, beta, delta e teta) dentro dos padrões normativos.

P: A utilização desta metodologia tem vindo a aumentar em Portugal, comparativamente à realidade internacional?

DM: Em Portugal, fomos pioneiros na utilização do neurofeedback como otimizador do desempenho profissional, tendo começado a aplicá-lo como parte integrante dos nossos programas de desenvolvimento de talento.
A aplicação profissional do neurofeedback iniciou-se com a NASA nos anos 70 do século passado, no treino dos astronautas. Os EUA são o mercado atual mais maduro na sua utilização, tanto na componente corporate (executivos e líderes empresariais), como clínica, com uma gama de aplicação muito variada (depressão, ansiedade, défice de atenção, fobias, etc.).
O desporto de alta competição é também um domínio que está a utilizar o NF como parte integrante da preparação dos atletas, nomeadamente a seleção da Alemanha que ganhou o último mundial de futebol.

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[1] vulgarmente designadas de “quintas e quintais”.

Por: Ricardo Vieira, coordenador editorial

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