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Assessment e Coaching, Formação & Desenvolvimento

Ser Líder no Século XXI: Perspetivas e Desafios

Os líderes de hoje enfrentam um mundo altamente volátil, incerto, complexo e ambíguo, em que a mudança se dá a um ritmo cada vez mais acelerado.
No entanto, a única coisa que é de facto nova perante este cenário é a incerteza estrutural, uma vez que, atualmente, o risco das forças presentes no mercado romperem os paradigmas estruturais existentes numa indústria é real, ou seja, este tipo de incerteza pode ter um impacto dramático em algumas empresas e setores de atividade que correm o risco de ver a sua atividade reduzir drasticamente ou até mesmo extinguir-se.
Ao não abraçar o clima VUCA, as grandes mudanças surgem como súbitas curvas na estrada, que aparecem sem aviso e afastam a organização da rota desejada. Por outro lado, se estivermos atentos às alterações do ambiente externo podemos nos aperceber não só de novas necessidades e indústrias, mas também de novos segmentos de mercado e modelos de negócios.
O grande desafio que os líderes do nosso tempo enfrentam passa por agarrar as rédeas da incerteza e conduzir com sucesso a sua organização por um caminho verdadeiramente sinuoso. Ram Charan diz nos que não basta aprender a viver com a mudança, é necessário criá-la, designando de Catalysts as pessoas que a geram.
Em vez de se limitarem a esperar e reagir, os Catalysts mergulham nas ambiguidades do ambiente externo de forma a se aperceberem de necessidades insatisfeitas e alinharem a sua estratégia com uma força ou combinação de forças cuja existência não é óbvia para os outros.
Hoje, a acuidade percetual é uma competência essencial para prosperar enquanto líder, uma vez que esta consiste na preparação psicológica e mental para “ver os cantos” e detetar, antes dos outros, anomalias e contradições potencialmente significativas no ambiente externo.
Por outras palavras, a acuidade percetual funciona como um radar que nos permite ver através do nevoeiro da incerteza e agir rapidamente. É possível cultivá-la através da prática disciplinada de olhar para o horizonte e procurar novas ideias, eventos, tecnologias ou tendências, que combinadas com um pouco de imaginação nos permitem dar resposta a necessidades por satisfazer ou criar um produto totalmente novo.
A mudança não espera por ninguém, simplesmente acontece, por isso é crucial exercitar o foco para observar e ouvir o que acontece de diferente no nosso dia-a-dia de forma a identificar as sementes da mudança e os respetivos Catalysts.
Segundo Ram Charan, existem ainda sete comportamentos que são essenciais num líder. Um líder autêntico vive a empresa, conhece-a como ninguém e mantém uma relação próxima com a sua equipa, pois entende que os relatórios podem gerar equívocos e nunca substituirão a convivência com os processos e com as pessoas; é realista, encara a realidade da empresa e motiva a sua equipa para superar as adversidades, olhando para as dificuldades como oportunidades para fazer a diferença; estabelece metas e prioridades claras, pois sabe que a equipa deve ter uma visão transparente da direção a seguir e que somente assim haverá união de grupo de forma a possibilitar a implementação da estratégia escolhida; leva as iniciativas até ao fim, pois entende que abandonar projetos a meio desmotiva a equipa e descredibiliza iniciativas futuras, e se realmente for necessário abandonar um projeto fá-lo formalmente, registando as lições aprendidas e ações corretivas no planeamento; recompensa quem faz, certificando-se que a organização reconhece as diferenças de desempenho dos colaboradores e alimenta uma cultura baseada no crescimento pelo mérito; promove o coaching, apesar de reconhecer que a formação formal é muito importante também está consciente que a orientação do líder (coaching) é essencial para o amadurecimento da equipa; e, por fim, conhece-se a si próprio, pois um líder autêntico percebe a importância de conhecer as suas forças e fraquezas a fim de desenvolver o seu coeficiente de Inteligência Emocional para lidar corretamente com as dificuldades e fracassos.
Ram Charan diz-nos ainda que saber estabelecer prioridades e praticar a acuidade percetual promove uma execução eficiente, mas para transformar palavras em conquistas palpáveis, como lucros e geração de valor para os acionistas, é também necessário que os líderes olhem para o horizonte e estejam atentos às novas tendências, coloquem as pessoas certas nos lugares certos, procurem incessantemente ligar pessoas, operações, estratégias e orçamentos, avaliem periodicamente tanto o seu desempenho como os resultados da empresa e executem.
Concluo, lembrando que no papel todas as estratégias são vencedoras, o que realmente diferencia as empresas e os executivos bem-sucedidos dos restantes é a capacidade de transformar estratégias em resultados efetivos.

“A execução faz toda a diferença e tem de ser 80% do negócio.”
Ram Charan

2Por: Ana Gandrita, assessora da direção-geral da Vantagem+

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