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Assessment e Coaching, Opinião online

As conversas dos apaixonados e das equipas

Recorde uma altura da sua vida em que tenha sentido uma profunda e intensa paixão. Se é este o estado em que se encontra procure distanciar-se, dentro do que é possível para uma pessoa apaixonada. Vejamos se as conversas entre apaixonados podem ser úteis para as equipas.
Tipicamente, no vaivém da conversação, os apaixonados deleitam-se a conhecer o outro enquanto se dão a conhecer, esperando o mesmo tipo de deleite como moeda de troca. Este primeiro tipo de conversas serve, na essência, para criar e consolidar a relação.
Com o tempo surge outro tipo de conversas que se destina a explorar possibilidades: “Que bom seria fazermos a viagem X…” ou “que maravilhoso seria vivermos juntos…”. Só será possível conversar sobre hipóteses de futuro quando se conversou em medida suficiente para fortalecer a relação; quando se instala algum tipo de confiança/convicção/fé sobre o seu devir.
Quando o desejo empurra as possibilidades para a realidade, a vida encarrega-se de trazer outro tipo de conversas: as que servem para coordenar ações. É sobretudo nesta altura que o potencial de surgimento de ralações é inevitavelmente ativado numa relação. Por exemplo, a um casal que passa a viver junto aparecem uma série de exigências de ordem prática. Se não foi criado um registo de conversação suficientemente amplo e eficaz criam-se desencontros e desentendimentos.
Parecem haver claras interligação e interdependência entre os diferentes tipos de conversação; o palco onde tudo acontece: a relação cria-se e consolida-se, o seu futuro é projetado (possibilidades) e passível de ser concretizado (ação) durante conversas. A necessidade de ação produz alterações na disponibilidade para as conversações dos outros dois tipos e a eficácia na concretização dependerá do nível de conhecimento existente e das possibilidades exploradas.
As equipas com quem trabalho dizem-me que 90% ou mais das suas conversas são dedicadas ao que “há para fazer”. Porém, para tal acontecer de forma eficaz, 10% do tempo de conversação dedicado à relação e à exploração de possibilidades parece-me manifestamente insuficiente. Não me refiro às conversas em pequenos subgrupos ou de um-para-um no corredor. Refiro-me, sim, ao tempo passado a conversar em equipa, para lá da coordenação de ações.
Consideremos a seguinte hipótese: os casais e as equipas mais bem-sucedidos serão os que conseguem, de forma contínua e constante, apesar da necessidade de coordenação, manter a importância e relevância de equilibrar os tipos de conversação. As medidas e proporções não estão escritas e deverão ser ajustadas à realidade específica, sempre transitória. A via que conhecemos para que tudo isto possa acontecer é, espante-se, a conversação. Será importante que se consiga criar um outro subtipo de conversação que estará ligado a todos os outros: conversações sobre a forma como se conversa. Conheço poucas equipas que o fazem, mas as que conheço são boas.

Por: João Sevilhano, sócio-gerente e diretor pedagógico da EEC (Escola Europeia de Coaching)

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