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A mágica da motivação

A motivação tornou-se o elixir da vida, uma verdadeira poção de encantos que pode animar se tomada em adequadas doses diárias, ou ainda, o santo remédio contra o venenoso tédio ou a falta de estímulo nas organizações. Ela é, em suma, uma espécie de magia que hipnotiza o seu espectador, podendo transportá-lo aos cantos mais otimistas do jardim das esperanças, ainda que os tempos sejam de espinhos e poucas flores – a interpretação ao gosto de cada um –, uma inebriante aliada na jornada que se chama trabalho (e em outras viagens também). Mas quando não está presente…
Robustas pesquisas sinalizam há algum tempo a reduzida presença de motivação dentro das corporações, e a luta que se trava diante de tal cenário não é de poucos esforços, como se comprova nos planeamentos que incluem na sua lista de objetivos soluções voltadas à questão que corrói o trabalhador e sua produtividade, em graus que variam. Diferentes propostas são oferecidas, e mesmo diante de recursos como atraentes salários e benefícios, elasticidade na jornada laboral, programas de treinamento, ambientes relaxantes, entre outros aspetos, a motivação pode tirar férias e fazer uma falta tremenda no quotidiano.
Não obstante, é comum observar tão somente o papel das empresas em estimular a motivação nos colaboradores, e até as queixas registadas nos estudos apontam as possíveis causas, tais como ambiente de excessiva pressão, pouco diálogo e bastante autoritarismo, etc. Claro, tais excessos podem minar a vontade. Todavia, é raro perceber a compreensão mais aprofundada por parte do próprio trabalhador, que, naturalmente, carrega consigo as suas questões íntimas, as quais, em parte, se encontram pouco resolvidas, e que se misturam inevitavelmente com o campo profissional, além de não perceber o fundo do mecanismo que rege a tão afamada motivação.
Para tanto, talvez seja necessário questionar e refletir acerca de alguns pontos essenciais:

  1. Não seria a motivação uma predisposição biológica e psíquica de responsabilidade única e intransferível (qual uma defesa dos recursos pessoais assim determinada pela inteligente natureza no seu processo evolutivo), e o máximo que ocorre é a influência externa (a ser melhor trabalhada quanto à fragilidade de tal alcance), ainda que não se tenha consciência a respeito?
  2. Por acaso a motivação não deveria ser desenvolvida (como outros processos psicológicos) a partir de motivos que venham de dentro para fora, e não apenas como uma situação que se espera magicamente, qual lançar de um pedido mental e ficar à sua espera?
  3. Porventura a motivação não floresce muito mais quando há problemas a serem resolvidos, um imperativo da natureza diante do gigantesco quadro de adaptação e de sobrevivência? Ou, nas palavras do filósofo francês Michel de Montaigne (1533-1592): “Nada é, por natureza, tão contrário aos nossos desejos como a saciedade resultante da facilidade; e nada os excita tanto quanto a raridade e o obstáculo”.
  4. Quem sabe possamos alcançar maior autonomia, e menor dependência de fatores externos, ao assumirmos (querendo e exercitando, e não magicamente) um pouco mais as rédeas dos recursos tão próprios e tão disponíveis a serem desenvolvidos? Não seria mágico alcançar tamanha estatura motivacional a que se tem direito?

1Por: Armando Correa de Siqueira Neto, psicólogo corporativo e mestre em liderança

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