Assessment e Coaching, Opinião online

A crescente importância do Coaching nos cargos de liderança e de gestão de pessoas

Ao escrever este artigo sinto que tenho de dar contornos com sentido. Contornos que são o resultado de leituras, aprendizagens e muita prática profissional com mestres, os meus coachees e as pessoas que se cruzam na minha vida. Assim, alguns excertos deste artigo serão apresentados sob a forma de testemunhos de coachees, todos eles líderes, testemunhos que me ajudaram a confirmar que o Coaching contribui para humanizar a gestão de pessoas. Num processo de Coaching, que se quer saudável, o líder é o arquiteto que reflete, que olha para o seu projeto a partir de diferentes perspetivas e que escolhe, com consciência, aquela que será a sua obra. Convido-o a si, leitor, a fazer esta viagem em que o Coaching e a liderança se permitiram dar as mãos e redesenhar paisagens e obras que enobrecem o líder.

Inicio a viagem na primeira paragem, a do contexto:
Vivem-se tempos de mudança nos diversos domínios da realidade humana. É imperativo que as organizações apresentem uma elevada capacidade de reação e adaptação às transformações que surgem no seu meio envolvente. O seu sucesso, ou insucesso, passa, em grande parte, pelo modo como lideram, formam, valorizam e comprometem os seus Recursos Humanos. Por muito que se invista em novas tecnologias, a chave do êxito está nas atitudes e competências dos profissionais, porque são estes que ajudam as organizações a dar resposta às pressões de um mundo em permanente transformação, assim como a atingir os resultados pretendidos.
Nesta matéria, o Coaching surge como uma ferramenta de gestão, que tem vindo a afirmar-se, e que pode oferecer um bom contributo no incremento das competências dos líderes e das equipas que coordenam. Diz-me a experiência que, à medida que as organizações constatam que existem evidências, positivas e surpreendentes, quando os seus líderes passam por um processo de Coaching, a sua procura aumenta, e também aumentam as expectativas relativamente ao tempo que a mudança comportamental do individuo pode durar.
Pois esta é uma das grandes sabedorias do Coaching: se o gestor escolheu um caminho de mudança, com implicações positivas na gestão das pessoas, essa mudança passou a fazer parte das atitudes do seu dia-a-dia – e essa mudança de atitude consolida-se, como quem diz “veio para ficar”. E só é assim porque o líder se sente confortável com a mudança, porque a escolheu, porque a tomou como sua.
Sim, os executivos maduros, e comprometidos com a sua missão, sentem-se “enormes” quando vivenciam, agem e pensam esta metodologia de desenvolvimento.
“As empresas precisam de pessoas com uma maior disponibilidade para o exterior, com capacidade de detetar a mudança. Dos líderes, espera-se que incentivem essa procura de sinais e valorizem o papel dos elementos das suas equipas, como agentes capazes de trazer os sinais para dentro da empresa” (Aida Chamiça, 2016).
Para que esta metodologia continue a ganhar visibilidade, e a oferecer bons resultados, tenho a noção de que tem de ser praticada por profissionais que procuram a excelência e estão preparados para escutar o pulsar das empresas e das pessoas que as habitam.
Sabemos que o planeamento e as regras negociadas em equipa são a chave do bem-fazer. Para os coaches, que trabalham com líderes, existem algumas regras de ouro: contribuir para facilitar o processo de mudança, em confiança, em consciência, em verdade, em presença e com planos de ação adaptados a uma realidade saudável.
Para o líder, tudo isto deve ser pautado pela consciência de que está a contribuir para uma gestão facilitadora do bem-estar dos colaboradores e a cooperar para um alinhamento com a estratégia da empresa, sabendo que a está a nutrir com práticas ganhadoras.

Segunda paragem, construir as pontes de confiança:
“(…) Sinto que as nossas conversas me têm modificado e importa dizer-lhe o quanto.
Uma das coisas que sinto que tenho retirado das nossas sessões tem sido o incremento da minha capacidade para perceber os outros e ir ao encontro deles, explorar as suas necessidades para lá da perspetiva profissional (já perdi a conta às vezes em que dei por mim a pensar – ‘O que diria a Helena? Como devo perguntar isto?’, ‘tenho de olhar mais nos olhos das pessoas! Será que esta atitude é um pedido de ajuda?’.
Outra coisa que me tem acontecido com as nossas sessões, talvez a mais importante e relevante, é uma autorreflexão que tinha evitado até aqui, digo evitado porque creio que essa é a palavra certa. Dou por mim a pensar sobre o que quero para mim, para o meu futuro, qual o passo a seguir, e a reconhecer que tem de partir de mim este trabalho de desenvolver e/ou aproveitar as minhas capacidades para dar o salto.
Tem sido uma viagem surpreendente e que tenciono aproveitar exaustivamente.
Quero continuar neste caminho de autoconhecimento e de autocontrolo, aliado ao desenvolvimento das capacidades necessárias para ir ao encontro do outro, e desenvolver nele o melhor que ele tem para dar. Continuar a aprender a colocar as tais perguntas poderosas e a construir as pontes de confiança necessárias à persecução dos objetivos traçados”.

Terceira paragem, os impactos do Team Coaching:
“Impactos na Vida Profissional – Sinto que as nossas sessões de Team Coaching estão a contribuir para um maior conhecimento do nosso ‘eu’ e do ‘eu’ do outro. Tal facto permite uma maior abertura na equipa em termos pessoais e cumplicidade entre os elementos. O conhecimento mútuo permite melhorar as relações interpessoais, o trabalho em equipa e identificar o que temos para dar e o que podemos receber. Permite também identificar qual o melhor caminho a seguir para alcançar os objetivos comuns da equipa”.

“Impactos no Desenvolvimento Pessoal – A nível pessoal sinto que é uma oportunidade para ‘abrir a mente’, libertar-me de algumas barreiras e absorver tudo o que o grupo (coach e coachees) tem para partilhar. Já realizei algumas conquistas e já comecei a crescer nesta área, mas são apenas os primeiros passos”.

“O que recebi do Coaching? Cumpriu as expectativas? Relativamente às sessões de Coaching já realizadas devo dizer que me surpreenderam pela positiva: já tinha ouvido falar, já tinha lido sobre o tema, mas desconhecia realmente como se processava uma sessão de Coaching, nomeadamente de Team Coaching. Existe no grupo uma grande dinâmica, atitude positiva e honestidade, que está a contribuir para que, sessão após sessão, a motivação e o entusiasmo vão crescendo. Tal como no Bolero de Ravel, a intensidade das sessões vai crescendo à medida que o tempo vai passando e cada um contribui com uma parte de si. Estou a adorar! O que ainda pretendo trabalhar? (…) Também aqui existe um caminho a percorrer. Pretendo continuar a potenciar algumas das minhas competências e melhorar os pontos menos fortes, designadamente a forma de comunicação, com o objetivo de melhorar o meu rendimento profissional”.

Quarta paragem, da zanga à cooperação:
“Quando mudei de equipa (…) a relação revelou-se muito difícil. As pessoas no início mostravam-se fechadas comigo, pouco à vontade, com receio de expor dúvidas e com alguma agressividade nas respostas (…).
Percebi que precisava da ajuda da equipa de Coaching para trabalhar as emoções e o pensamento estratégico e crítico das pessoas da minha equipa.
A proposta para intervenção do Coaching foi aceite e, de imediato, os gestores das onze lojas mais importantes da minha área começaram a fazer Team Coaching e, posteriormente, sessões individuais.
Ao fim de pouco tempo, os resultados eram visíveis. Éramos finalmente uma equipa integrada que trabalhava para os mesmos objetivos, em que todos participavam de forma construtiva, com as suas ideias e soluções, nas reuniões de equipa. Os resultados começaram a aparecer e senti que não só eles tinham mudado, como eu também mudei! (…) A produtividade da equipa, a motivação e a abertura a novos desafios são, sem dúvida, alguns dos trunfos que ganhámos com este processo de coaching”.

Quinta paragem, a chegada ao destino:
Depois desta viagem, depois do redesenho de paisagens e construção de pontes, sei que o que era já não é. Os ritmos são mais acelerados, a exigência é maior! E o Coaching é um bom aliado nestes processos de mudança.
O Coaching oferece ao líder a possibilidade de se focar na solução e não no problema, e desta forma a mudança cultural vai ganhando um espaço saudável para todos – líderes e liderados! E o Coaching vai continuar a oferecer espaço para se conversar sobre a vontade de fazer acontecer futuro.
Escolhi contar, pela voz dos coachees, como é possível mudar de perspetiva e encontrar outra atitude para viver a vida! Uma atitude que nos conduz à excelência. Que nos enche a alma porque é feita de descobertas e do orgulho dos compromissos satisfeitos. E a voz dos coachees também reafirma que percecionam que a sua mudança contribuiu, em muito, para o incremento dos resultados da sua área de intervenção.
O Coaching veio para ficar, veio para facilitar a mudança necessária ao bem-estar coletivo. Veio para humanizar. Porque era premente ter um instrumento de gestão que oferece o melhor de nós.

Por: Helena Anjos, presidente da International Coach Federation (ICF) Portugal e professional certified coach (PCC)

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