Assessment e Coaching

Coaching e Psicoterapia

O que tem o coaching a ver com a psicoterapia?
O mesmo que terá a ver com a filosofia, a gestão, a linguística ou com muitas outras áreas de conhecimento, no domínio do desenvolvimento humano, que as diferentes “escolas” (abordagens de coaching) utilizam para formarem coaches e sustentarem o desenvolvimento das competências, metodologias e princípios em que assentam as suas práticas.
Neste sentido, o coaching não poderá ser considerado uma disciplina, uma vez que não possuí, ainda, um corpo de conhecimento homogéneo. Será antes uma “prática” ou “práxis” que utiliza o método científico que se denomina “evidence based practice”.
Obviamente, se compararmos o coaching à psicologia, filosofia ou linguística encontraremos inúmeras semelhanças e uma grande variedade de pontos convergentes, pelo que, para conseguirmos distinguir as suas práticas e campos de intervenção, mais vale concentrarmos a nossa atenção naquilo que o coaching e a psicoterapia têm de mais diferente.
Começando pelo essencial, não partilham o mesmo propósito de intervenção. A psicoterapia, tal como o nome indica, é terapia, podendo assim ser considerada, na sua essência, como uma metodologia de tratamento ou de “cura”, através do qual o profissional, numa relação terapêutica, trabalha com o seu paciente de modo a resolver problemas relacionados com o sofrimento emocional ou com padrões de comportamentos socialmente disfuncionais.
O coaching, na sua essência, visa o desenvolvimento do potencial pessoal e profissional do cliente. A relação de coaching não é uma relação terapêutica e nem sequer está ligada ao campo da saúde. O psicoterapeuta lida com a saúde mental, o coach, com o desenvolvimento pessoal e profissional.
Em termos do foco de concentração, o coaching usa uma abordagem totalmente orientada para o futuro, a psicoterapia concentra-se sobretudo no passado. Ao invés da concentração nos padrões disfuncionais do passado, tão característica da psicoterapia, o coaching procura antes estimular a capacidade criativa do cliente, no sentido de o inspirar a mobilizar os seus recursos para criar a vida que pretende ter, nas suas múltiplas dimensões.
Finalmente, em coaching não existe passagem de conhecimento ou de experiência. Essa é uma das razões pela qual, ao contrário da psicoterapia, em coaching, não se fazem diagnósticos. Só faz sentido proceder a um diagnóstico quando existe a possibilidade de implementar uma solução, previamente preparada, em função da problemática identificada. A intervenção de coaching não tem soluções preparadas para os problemas do cliente, tem sim uma metodologia baseada em perguntas reflexivas que ajudam o cliente a refletir sobre aquilo que quer para si e como poderá mobilizar os seus recursos para o tornar possível.
A existirem, em coaching, métodos de avaliação da situação do cliente, serão sempre realizados em modo de autoavaliação e sempre por sua iniciativa, e nos domínios de avaliação por ele escolhidos.
Para um coach, o seu cliente é um ser completo e tem em si o potencial necessário para se desenvolver; o que pressupõe que não necessita de aceder a nenhum tipo de conhecimento ou experiência diferentes daquelas que já possui.
Finalmente, uma referência ao fator tempo e ao número de sessões (para o coaching) ou consultas (para a psicoterapia). O tempo de um processo terapêutico e o número de sessões necessárias para que o seu termo seja declarado é normalmente maior do que aquele que é necessário para realizar um processo de coaching.
Valerá a pena, ainda, ressalvar que as distinções que aqui foram referenciadas procuram identificar diferenças genéricas e essenciais entre estes dois domínios de intervenção na área do desenvolvimento humano. Seria relativamente fácil rebater algumas (senão todas) destas distinções apelando a uma fundamentação de exceção; em termos de práticas de intervenção, algumas abordagens psicoterapêuticas parecem estar mais distantes entre si do que do coaching, tal é a diferença entre elas.

1Por: Paulo Martins, PCC, coordenador da Escola de Coaching Executivo da CEGOC

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