Compensações e Benefícios

Incentive o talento sénior da sua organização para uma reforma ativa

Segundo a Pordata, nos próximos 10 anos, quase 700 mil pessoas farão a transição para a reforma em Portugal. 

O trabalho e a carreira são elementos estruturantes da nossa vida – algumas das principais decisões que tomamos (que formação seguir, onde morar, quando comprar – ou não, uma casa ou constituir família) estão ligadas a questões profissionais. Com a chegada da reforma, o elemento central a partir do qual a vida está organizada altera-se.

Neste sentido, apesar de ser muitas vezes associada à ideia de férias, a reforma é na verdade um período de grandes mudanças, razão pela qual é importante que as pessoas sejam preparadas para lidar com desafios como as alterações no quotidiano familiar e social, a gestão dos seus recursos financeiros e a utilização do tempo livre de forma construtiva.

O relatório do Institute of Economic Affairs e Age Endeavour Fellowship refere que os reformados são 40% mais propensos a sofrer de depressão do que pessoas da mesma idade que ainda estão a trabalhar.

Independentemente da maior ou menor dificuldade na adaptação a este novo período da vida, o perfil das pessoas que hoje entram na reforma é diferente em relação à geração anterior: os “novos reformados” têm maior nível de escolaridade, são mais próximos das novas tecnologias, e, essencialmente, tem consciência de que vão viver mais – precisamente 20 anos a mais, em média, do que há 50 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde. 

E o que fazer com os 20 anos “extra”?

O papel das organizações

Em países como Holanda, França, Estados Unidos e Brasil é comum as entidades empregadoras auxiliarem os seus colaboradores a buscar respostas para esta questão e a preparar-se para a reforma.

A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho e o Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional afirmam que as organizações devem considerar a Gestão da Idade (Age Management) na sua estratégia, sendo “uma transição segura e digna para a reforma” apresentada como um dos principais objetivos neste âmbito.

Contraditoriamente são, de forma geral, os colaboradores das “melhores empresas e entidades empregadoras” os que mais costumam sentir a passagem para a reforma. Estas organizações oferecem uma série de benefícios aos seus colaboradores e é através dos canais de comunicação corporativos que lhes é transmitida grande parte da informação que recebem no seu dia-a-dia. O “mundo”, construído a partir da sua entidade empregadora, fica assim muito pequeno quando pensado fora dela.

Ao sensibilizar os seus colaboradores para a importância de se planearem para a reforma, quer na vertente financeira, que é fundamental, mas não só – mostrando-lhes também as oportunidades que existem para além do trabalho (ex. voluntariado, começar um novo negócio, trabalhar em part-time, mais tempo com a família, aprender novas habilidades), as organizações contribuem para que a reforma seja encarada de uma forma mais positiva (não como férias, mas sim como uma nova fase) e melhor vivida.

Para além de trabalharem em prol da sua própria sustentabilidade, as organizações que apoiam os seus colaboradores na transição para a reforma:

  • Colocam em prática o seu papel socialmente responsável,
  • Demonstram preocupação com a saúde e bem-estar dos colaboradores para além da vida na empresa,
  • Reconhecem o trabalho desenvolvido pelos seus colaboradores ao longo da sua carreira,
  • Gerem a seu favor o clima das suas equipas,
  • Divulgam programas próprios, potenciando a adesão dos reformados a estas iniciativas.

Enquanto stakeholders da organização, os reformados que mantém uma boa relação com a empresa continuam a transmitir isto nos seus círculos sociais.

Finalmente, ao conhecerem mais de perto os seus colaboradores na idade da reforma, as organizações estarão a preparar-se para desafios com que brevemente se irão deparar ligados ao prolongamento da vida ativa, o que será mais um ponto a favor da inclusão da gestão do talento sénior nas suas agendas.

Susana Schmitz, CEO Projeto R
Paula Guimarães, Diretora de Responsabilidade Social Montepio

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