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Compensações e Benefícios

Trajeto casa-trabalho: como facilitar a jornada dos colaboradores?

Quer demore alguns minutos ou várias horas, o trajeto para o trabalho é, na maior parte das vezes, um desagradável gasto de tempo. Ora, o stress destas deslocações diárias repercute-se sobre o humor e a motivação dos colaboradores e, no final do dia, sobre os resultados da empresa. Jon M. Jachimowicz, professor na Columbia Business School, e Géraldine Delplanque, diretora de Marketing International Sodexo Mobilidade, propõem pistas para reduzir as consequências negativas das viagens casa-emprego. Este é um tema que está definitivamente ligado ao conceito de qualidade de vida e mesmo à retenção dos colaboradores.

A duração dos trajetos entre a casa e o trabalho não tem parado de aumentar nos últimos anos. Fatores como o crescimento urbano tornam cada vez mais caro e difícil residir perto do local de trabalho. Os longos trajetos são a “cruz” diária de cada vez mais pessoas e para muitos o pior momento do dia. À escala mundial, o tempo de trajeto médio é atualmente de 38 minutos para chegar ao trabalho e outros tantos para o regresso a casa. Isto corresponde a cerca de 300 horas por ano, ou seja mais de 10% do tempo de trabalho total. E as projeções apontam para que esta duração aumente nos próximos anos.
A atenuação dos efeitos negativos do trajeto diário pode trazer efeitos positivos sobre o dia de trabalho. O professor e investigador da Columbia Business School, Jon M. Jachimowicz, recorda que “o trajeto não é só físico, é também psíquico. De facto, em termos psicológicos, este trajeto faz alternar dois papéis: pais em casa e colegas no trabalho. Aproveitar estas deslocações para fazer uma transição física e mental entre o seu papel em casa e o seu papel no trabalho é uma forma de começar bem o dia. Fica-se em melhores condições de assumir as responsabilidades profissionais logo que se chega ao trabalho”.
Investigação realizada na Columbia Business School mostra que, se esta transição não se efetuar corretamente, leva a contrariedades que acabam por nos consumir e gerar insatisfação profissional.
“Constatámos junto dos nossos clientes que más condições de trajeto casa-trabalho provocam tensões no local de trabalho, o que pode ter consequências muito nefastas, como a diminuição da concentração e da eficácia, deterioração das relações com os colegas e problemas de saúde tais como enxaquecas, insónias ou perturbações cardiovasculares”, diz Géraldine Delplanque, diretora de Marketing International Sodexo Mobilidade.
Contudo, esta responsável tem uma visão otimista, recordando que já existem soluções inovadoras para os transportes diários: “Até há não muito tempo, só havia escolha entre a viatura pessoal e os transportes públicos para ir trabalhar. Hoje existem soluções multimodais. Pode, por exemplo, começar o seu trajeto de carro e acabar com uma bicicleta de aluguer. Os sistemas de parking dinâmico também estão a crescer”.

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Como evitar os impactos negativos do stress ligado aos trajetos casa-trabalho ?

“O local onde moramos não nos deixa sempre muita escolha quanto à forma de nos deslocarmos”, explica Jon Jachimowicz. “Contudo, podemos escolher o que fazer e em que pensar durante a viagem. Por exemplo, ouvir música é uma forma agradável de passar o tempo. Mas também podemos dedicar este período do dia a reflexões mais prospetivas, como planificar a jornada de trabalho ou estabelecer objetivos”, acrescenta.
Estudos demonstram que os indivíduos que obtêm as melhores avaliações num dos traços de personalidade – o autocontrolo – são mais propensos a uma reflexão orientada para o longo prazo. Isto é, são pessoas que refletem com mais frequência sobre a jornada de trabalho que as espera. São portanto menos stressadas pelos longos trajetos e aproveitam para planear o dia, o que lhes permite uma transição eficaz para o papel profissional.

Como podem as empresas melhorar as condições de trajeto dos seus colaboradores?

As empresas têm de compreender o impacto das deslocações diárias sobre os colaboradores e o seu trabalho. É por isso que os responsáveis devem ter uma abordagem global do bem-estar das suas equipas e que não se resume ao que e passa dentro da empresa. As condições e a duração do transporte influenciam a forma como as pessoas se comportam durante o dia de trabalho. E este fator também pode pesar sobre a sua vontade de ficar ou sair da empresa.
“As empresas podem também contribuir para o desenvolvimento de práticas inovadoras, implementando novas formas de trabalhar. Em matéria de deslocações, tal pressupõe estarem abertas à personalização e à flexibilidade”, diz Géraldine Delplanque. E exemplifica: “Os meios de transporte partilhados são cada vez mais multimodais e moduláveis. Por conseguinte, as empresas devem não só facilitar as deslocações matinais dos seus colaboradores, mas também dar-lhes a possibilidade de escolher o meio de transporte mais adaptado ao momento do dia”.
Existe também a evolução do conceito de local de trabalho. Hoje, a presença física de certos colaboradores já não é absolutamente necessária e o teletrabalho no domicílio ou o coworking em locais próximos do domícilio permitem substituir as migrações diárias. Outra solução é o estabelecimento de horários flexíveis, que melhora o equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal.

Por: Sodexo Portugal
Fotos: Sodexo

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