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Será que temos todos de ser excelentes, ou basta-nos, à nossa maneira, ser o melhor que conseguirmos?

O Artigo 7.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que “Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei”, mas será que isso se verifica no terreno, no nosso dia-a-dia? A lei até pode preconizar este facto, mas parece, por vezes, que uns são mais iguais que outros…
Hoje, se me permitem, vou-vos falar de um caso real – toda a informação aqui expressa foi consentida. Soube deste caso porque o pai da pessoa implicada me descreveu a situação pela qual passa, esse pai é L.S.
L.S. tem um filho, licenciado e mestre. Até aqui tudo parece normal, e não deixa de o ser, se acrescentarmos que Fernando, filho de L.S., sofre de uma patologia crónica – epilepsia. O facto é que essa condição, ser epilético, está a funcionar mais como uma sentença do que condição. Fernando tem todas as ferramentas para poder ser um bom profissional mas na realidade o desemprego (per)segue-o como se da sua própria sombra estivéssemos a falar. Se é difícil arranjar emprego mesmo sendo excelente (entenda-se excelente aqui, como o protótipo de ser humano “perfeito”: na sua condição física, mental e social), imaginem como será para todos os Fernandos deste país e do mundo!!! A preocupação que consome L.S. é a mesma de todos os pais: “Na verdade, a nossa vida – pais – corre contra o tempo, e temos que ter tempo de os tornar independentes, temos que ter tempo de os deixar bem “entregues”, temos que ter tempo de os colocar em pé de igualdade com os outros, aos olhos da sociedade. Temos que conseguir vê-los ou imaginá-los felizes, porque o tempo não espera por nós e um dia não vamos estar cá”.
Qual o papel da sociedade neste enquadramento? A sociedade tem de começar a admitir que hoje é o Fernando e o L.S. que passam por esta provação, mas poderíamos/podemos ser nós. Ninguém está imune a nenhuma contingência da vida. Não é porque temos alguma vulnerabilidade que somos menos capazes do que outros que não têm essa mesma vulnerabilidade. Atrevo-me mesmo a dizer: quem não tem vulnerabilidades? A riqueza da sociedade, na minha opinião, encontra-se nesta premissa: não necessitamos de ser “iguais” para fazer a diferença.
Termino com algo que me tocou profundamente, dito por L.S.: “Porque os filhos são os nossos ventos, pelo que têm de afetividade, pelo que têm de tormenta, ficamos em permanência suspensos das suas realizações, da sua felicidade”… Aprendamos a ser empáticos (a saber colocarmo-nos no lugar do outro), não só por nobreza, mas porque cada pessoa é um mundo, e, quem somos nós, para não permitir ao outro de manifestar o seu mundo?

Por: Ana Pinto, professora universitária e consultora em Recursos Humanos
facebook.com/anapintopage

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