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Consultoria, Opinião online

Ídolos de Pés de Barro

Tinha passado dos 30 quando a internet surgiu e entrado nos 40 quando a leitura das notícias online proliferou. Portanto, cresci, fiz-me homem, entrei no mercado de trabalho e empreendi ainda no tempo em que os feitos de determinados profissionais, gestores, investidores e empresários chegavam-nos, entre outros, através do Diário Económico, do Jornal de Negócios, às quintas-feiras e, principalmente, do Caderno de Economia do Expresso, ao sábado. Isto para não recuar uns anos e fazer alusão aos semanários O Jornal, do qual resultou a revista Visão, e O Independente.
Regozijei com a criação e desenvolvimento de projetos empresariais na banca (sim, sou da época das reprivatizações), seguros, telecomunicações, hotelaria, construção civil, grande distribuição, área editorial, energia, etc. Fazia-o por ter noção, primeiro pelos exemplos do meu avô e do meu pai, bem como depois por mim próprio, do quão difícil é criar algo de raiz e fazer prosperar; ou mudar o rumo dos acontecimentos em organizações “moribundas”.
Admirei, pois, a trajetória de determinados empresários e profissionais, não pelo glamour da exposição mediática e social, muito menos pelas riquezas materiais, mas pelas respetivas capacidades, fundamentalmente, de criarem postos de trabalho e contribuírem para o desenvolvimento do país.
Procurei fazer benchmarking a variadíssimos empreendedores, visionários e estrategas. Desde os de “sangue azul” até aos de origem mais humilde, passando pelos de “famílias bem” dos eixos Lisboa–Cascais e Boavista–Foz.
O regozijo, a admiração e o tentar aplicar na minha atividade profissional certos conceitos, modelos e práticas resultavam da “ponta do iceberg”, ou seja, daquilo que era dado a conhecer ao grande público, visível ao comum dos cidadãos.
Saídos praticamente todos dos liceus e escolas industriais por alturas da revolução de 1974, os “ditos cujos” pertencem a uma geração com cerca de uma a duas décadas mais do que a minha. Caracterizo aquela a que pertenço de “nem-nem”: regra geral, nem brilham(ram) ao nível da anterior, nem, como constatamos nos últimos anos, reservam(ram) surpresas muitíssimo desagradáveis aos respetivos stakeholders e, também, aos contribuintes.
Quando, para não ir mais longe, desde há cerca de meia dúzia de anos, repetida e regularmente, fico a saber a(s) forma(s) como muitos daqueles que admirei e “imitei”, com os quais regozijei, fizeram crescer os seus negócios, lembro-me da profecia bíblica do “sonho de Nabucodonosor”. Este imperador da Babilónia teve um sonho e chamou o profeta Daniel para ajudá-lo na correspondente interpretação. Daniel explicou-lhe então que Nabucodonosor tinha sonhado com uma estátua gigantesca (o ídolo). Essa estátua tinha cabeça de ouro, peito metade de prata, metade de bronze, pernas de ferro e pés de barro. Até que, a determinada altura, uma pequena pedra rolou montanha abaixo, atingiu os pés de barro do ídolo e derrubou-o.
Determinados empresários, gestores e responsáveis organizacionais tinham, afinal, “pés de barro” porque assentaram o seu desenvolvimento profissional na ligação ao poder político, assim como na capacidade/dimensão/know-how das respetivas empresas, cujo “músculo” financeiro foi entregue de “mão beijada”, de forma conluiada e irresponsável pelas entidades bancárias do sistema.
O tempo o dirá, mas, pela génese e evolução das organizações, perfil e modus faciendi dos empreendedores, a geração dezena/dezena e meia de anos abaixo da minha promete mudar o status quo e, curiosamente, regressar à matriz dos grandes empresários portugueses das décadas de 30, 40 e 50 do século passado. Mas para melhor, porque à lisura de processos e visão estratégica juntam a capacidade de atuar na aldeia global e envolver os respetivos colaboradores. Deixo-vos alguns exemplos: Filipa Júlio, Filipa Neto, José Avillez, José Neves, Lara Vidreiro, Miguel Pina Martins, Miguel Santo Amaro e Rui Miguel Nabeiro.

Por: Manuel Sousa Antunes, co-founder & partner da UNEEQ Consulting Group

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