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Consultoria, Crónicas

O vento gosta de empurrar baloiços?

Há cerca de um ano, aprendi uma das mais importantes lições de gestão. No parque infantil. Com um dos meus filhos. O pensamento, digno de um conceituado guru internacional, sentenciava: “pai, sabes que o vento gosta de empurrar os baloiços; e fica feliz com isso”.
Esta bonita e incontestável verdade é, em si mesma, impossível de verificar efetivamente. Teremos dificuldade em perguntar ao vento se gosta, de facto, de empurrar baloiços e se é suficiente ou não para o deixar feliz.
Por outro lado, até que ponto é o vento que o faz ou se é o baloiço que o permite? Estrategicamente, os baloiços, reconhecendo a sua natural inércia, carecem de uma relação próxima connosco ou com o vento que os façam mover. Sem tal relação, ficariam inertes.
Muitos de nós, perante novos desafios ou responsabilidades podemos atuar como baloiços ou como o vento. E, como este, numa suave e firme brisa. Ou, num agora tragicamente famoso, efeito “downburst”.

Da sua felicidade

No atual enquadramento em que, pelas redes sociais ou não sociais, procuramos evidenciar as nossas competências e especialidades, o nosso maior ou menor sex appeal profissional, refletirmos sobre a felicidade do vento em “empurrar” o baloiço não deixa de ser disruptivo.
O impacto da reserva e da descrição no mundo empresarial, dos negócios e das profissionais (novas e renovadas) é muito significativo quando, o que nos é pedido é a máxima visibilidade das nossas competências e qualidades.
E, se na verdade, formos apenas o vento, como muitos de vós o são, como o traduzirmos nos resultados finais do trabalho realizado – como apurar a efetiva qualidade do balanceamento proporcionado – e, “at the end of the day”, como se manterá a relação produtiva com o baloiço? Assente em que bases de sustentabilidade futura?

E, como traduzi-lo no LinkedIn?

Na azáfama que partilhamos enquanto experts, specialists, transformational leaders and agentes, como traduzimos essa mui nobre profissão e qualidade transformacional do vento? – “Swing Wind”? E teríamos “Senior Swing Wind or Swing Wind Specialists”?

Que somos afinal?

Escolhi, a par da vossa opção, porventura, concentrar-me na beleza da expressão digna dos altos pensamentos de Harvard. Muitos profissionais na indústria, no comércio, nos serviços, são o vento que empurram os baloiços, dando-lhe vida, cor, energia e entusiasmo.
Os baloiços correspondem com a sua mútua e recíproca felicidade. Muitos de nós são também baloiços e temos os “nossos próprios ventos”. Aprendi, com o tempo, que todos somos, em vários momentos da vida (e do dia), baloiços e vento. E, a cada um desses momentos, podemos protagonizar felicidade recíproca ou “downburst”.
Essa reciprocidade é crítica e acompanhada por uma compreensão plena do papel de todos, de cada um e, naturalmente, também do seu processo de aprendizagem. Por vezes, há quem lhe chame de gratidão. Ou respeito profissional.
A existência dessa reciprocidade permite criar valor. Relações. Caminhos.
A ausência destrói valor. Destrói relações. Destrói caminhos.
E, naturalmente, como em tudo na vida e nos negócios, por vezes, há que deixar ventos seguirem o seu caminho e baloiços repousarem nos seus parques.
Ou como diria esse mestre da gestão contemporânea, “…pai, sabes que o vento gosta de empurrar os baloiços; e fica feliz com isso”.

AAEAAQAAAAAAAA24AAAAJDZlZTkyYzdmLTI1OTEtNDA0Yy1hNTdjLTY3NWI1N2JkMjIwMgPor: Nuno Nogueira, VP HR, MKT & COM na REBIS

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