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Bons funcionários, maus gestores!

Não lhe acontece por vezes olhar para o seu superior hierárquico, falando de forma abstrata obviamente (cada caso é um caso), e questionar-se: “Mas quem teve a ideia de promover este indivíduo?”. Se já lhe ocorreu, saiba que não se encontra só – muitos funcionários são chefiados por gestores incompetentes.
Conhece o princípio de Peter, também conhecido por “Principio da Incompetência de Peter”? Se não conhece, passo a explicar. O princípio de Peter é um clássico no campo da gestão – apesar do seu estilo satírico, a lógica do princípio é sólida – formulado na década de 60 do século passado. Este princípio advoga que em organizações hierarquicamente bem estruturadas, os seus funcionários tendem a ser promovidos até atingirem o seu nível de incompetência. Laurence Johnston Peter, criador do princípio, observou em situações diversas que muitos funcionários que começam a sua carreira em posições hierarquicamente inferiores, normalmente, são promovidos para posições hierarquicamente superiores até atingirem uma posição para a qual já não são competentes.
Exemplificando através de uma situação relatada no livro de Laurence Peter e Raymond Hull: “O senhor Gastón foi um estudante competente. Professor de língua inglesa, chefe de departamento, subdiretor e diretor. Desempenhou durante seis anos, de forma competente, o cargo de subinspetor: mostrou-se diplomático, afável e era bem visto por todos na organização. Ascendeu a inspetor. Nesta nova função viu-se obrigado a penetrar no campo das finanças escolares, algo que o desorientou. Desde o inicio da sua carreira docente, Gastón jamais se havia ocupado com questões financeiras. O seu próprio dinheiro era administrado pela sua mulher. Ela pagava todas as faturas da casa e dava-lhe semanalmente dinheiro para ele administrar nos seus gastos pessoais. Dava-se de forma excelente com os outros docentes, alunos e pais, mas revelava-se incompetente no terreno das finanças. Comprou um grande número de máquinas de ensino a uma companhia duvidosa, que acabou por fechar, não produzindo nenhum programa. Dotou todas as escolas da cidade com aparelhos de televisão, pese, embora, que os únicos programas recebidos na região correspondessem ao nível de ensino médio. Gastón encontrou o seu nível de incompetência”.
A promoção é vista como um mecanismo habitual em muitas organizações de caráter público e privado, como um prémio. A sociedade sente que se determinado profissional executa determinada função com eficácia, deve, por mérito, ser recompensado e ascender a uma nova função (hierarquicamente superior). O irónico da situação é que, nesta nova função, o profissional em questão, apesar de ter atingido o seu grau de incompetência, permanece na mesma, sendo a sociedade tolerante a este tipo de procedimento.
Será que na premiação não se perde muitas vezes bons funcionários e se adquire maus gestores (o grau a partir do qual as pessoas já não possuem competências para as posições que ocupam)? Devemos premiar os funcionários com uma ascensão hierárquica ou proceder a novos processos de recrutamento e seleção? Muitas questões se levantam, sendo que a principal, para sua reflexão, é esta: o princípio de Peter, nos dias de hoje, na sua organização, encontra-se ou não atual?

Por: Ana Pinto, professora universitária e consultora em Recursos Humanos
facebook.com/anapintopage

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