Notícias Tema Central
Consultoria, Formação & Desenvolvimento

História das Competências em RH: Evolução da Profissão

O presente artigo é um excerto do livro “Victory Through Organization” de Dave Ulrich, David Kryscynski, Michael Ulrich, Wayne Brockbank.

Terão os profissionais de RH melhorado as suas competências ao longo dos últimos 30 anos? Esta é uma questão importante, uma vez que ouvimos com frequência lamentações sobre a incompetência dos profissionais de RH. Mais ainda, os profissionais de RH tendem a ser extremamente autocríticos e obsessivos consigo próprios.
Depois de ouvirmos críticas constantes sobre a falta de progresso dos profissionais de RH, conseguimos finalmente fornecer provas empíricas sobre a evolução das competências em RH. Ao longo de 30 anos e sete fases de estudo, recolhemos dados sobre as competências dos profissionais de RH. Cada uma das sete fases representa um corte transversal entre a profissão de RH e o estado das competências em RH. Os resultados são apresentados na Tabela 1.

Captura de ecrã 2017-10-31, às 14.51.37

A presente tabela fornece informações sobre a evolução de como ser um profissional de RH eficiente.

1. Cada uma das setes fases é independente, na medida em que representam um corte transversal entre os profissionais de RH (participantes nos RH) que avaliam as suas próprias competências e os colaboradores que os avaliam. As sete fases de recolha de dados incluem um total de mais de 90.000 inquiridos.

2. Durante a investigação, utilizámos entre 120 a 140 competências específicas (conhecimentos, técnicas e capacidades) dos profissionais de RH. Em cada fase, alterámos cerca de 30 a 40% destas competências individuais. As novas competências específicas foram identificadas com a ajuda de parceiros de investigação (associações líderes em RH) de vários pontos do mundo. Para podermos ver os padrões, procedemos a uma análise fatorial a fim de organizar estes itens em domínios de competência.

3. Ao longo das sete fases, a análise fatorial mostrou um aumento da complexidade das competências em RH. Em 1987, identificámos três domínios: conhecimento empresarial, prestação de serviços de RH e gestão da mudança. Em 1992, identificámos quatro domínios, em 1997, cinco domínios, e, por último, em 2016, tínhamos já nove domínios. Ser um profissional de RH tornou-se cada vez mais complexo, com algumas das competências mais recentes (criador e intérprete de estatísticas, integrador de tecnologias e redes sociais) a refletir a forma como as competências de RH refletem as tendências empresariais gerais.

4.  Na tabela, apresentamos as classificações médias nos diferentes domínios em cada fase para todos os inquiridos (participantes nos RH e colaboradores avaliadores). Este padrão é bastante claro para todos os domínios de competências: os profissionais de RH melhoraram radicalmente ao longo dos últimos 30 anos, tal como ilustrado por estas diferenças de classificação entre 2016 e 1987:

a. Empresa: 4,13 – 3,17 = 0,96
b. Prestação de serviços de RH: 4,02 – 3,50 = 0,52
c. Mudança: 4,01 – 3,70 = 0,31
d. Competência pessoal (2016 – 1992): 4,33 – 3,78 = 0,55

Trata-se de uma melhoria impressionante na competência global dos profissionais de RH.

5. Porque é que os profissionais de RH não reconhecem este progresso?

a. Os profissionais de RH são claramente autocríticos. Em cada fase dos dados, comparámos os participantes nos RH (autoavaliação) com os participantes colaboradores (outros avaliadores). Em cada caso relativo a cada domínio de competência em RH, os participantes nos RH avaliaram-se de forma inferior à dos seus colaboradores. Por exemplo, os dados de 2016 (fase sete) mostram que os profissionais de RH se avaliam de forma inferior à avaliação que os outros fazem deles. Na Tabela 2, observamos que a autoavaliação dos profissionais de RH (coluna 2) é inferior às avaliações dos colaboradores de RH, que por sua vez é inferior à dos não colaboradores de RH. Os profissionais de RH tendem a ser muito duros consigo próprios, levando por vezes a inevitáveis crises de identidade. Esta autocrítica é visível nos estudos sobre a profissão de RH, com frequentes considerações negativas sobre o que está mal nos esforços de RH (nas avaliações de desempenho, na boa governação dos RH, nos modelos dos parceiros empresariais, entre outros). Talvez seja o momento de criarmos um futuro melhor com base nas forças e nos sucessos dos RH.

b. Os profissionais de RH tendem a confiar nas suas experiências únicas. Claramente, alguns profissionais de RH não são tão eficazes como outros, mas aqueles que passam por uma experiência menos eficiente com estes profissionais tendem a generalizar e extrapolar a sua experiência para toda a classe profissional, ao invés de reconheceram que cada experiência pode ser única. Além disso, muitos dos livros publicados sobre RH falham em reconhecer o trabalho e os estudos exaustivos sobre RH realizados por outros no passado. Os profissionais de RH tendem a escrever sobre a sua experiência sem ter em conta o trabalho efetuado por outros autores. Esta autossuficiência e falta de reconhecimento das ideias de outros podem estar a impedir a profissão de avançar.

Captura de ecrã 2017-10-31, às 14.55.11

Conclusão: Já chegámos?
Talvez seja tempo de a profissão de RH reconhecer e dar valor ao progresso que tem sido feito. Embora as experiências individuais possam variar, os nossos dados mostram claramente que os profissionais de RH têm vindo a tornar-se mais competentes ao longo dos últimos 30 anos. Ao invés de lamentarmos o que falta aos profissionais de RH, talvez seja tempo de dar valor ao progresso que tem sido feito. Serão estes resultados indicadores de que os RH finalmente “chegaram”? Não, há sempre mais alguma coisa a fazer, mas as fundações para seguir em frente estão cada vez mais sólidas.

David UlrichPor: Dave Ulrich (Universidade do Michigan/Grupo RBL), David Kryscynski (Universidade Brigham Young), Michael Ulrich (Universidade do Estado do Utah) e Wayne Brockbank (Ross School of Business/Universidade do Michigan)

Artigos Relacionados

Opinião Online

Find more about Weather in Lisboa, PO

Aprender Magazine

  • Captura de ecrã 2017-10-11, às 01.21.50 Aprender Magazine – Diretório de Empresas de Formação

    Considerando que o mundo profissional está, hoje em dia, em constante mudança, é fundamental que os recém-diplomados e profissionais de todos os setores desenvolvam continuamente as suas competências, numa lógica de aprendizagem ao longo da vida. Num mundo global fortemente concorrencial…

Revista Pessoal

  • Capa Pessoal Revista Pessoal – setembro/outubro nº 169

    Na edição mais recente da revista Pessoal damos destaque ao 50.º Encontro Nacional da APG – Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas, que se realiza já no próximo dia 16 de novembro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. “Back to People: A Rutura de Paradigmas na Gestão das Pessoas” é o tema central do evento que ganha especial…

Sondagem/Quiz RH

Liderança e Amor terão alguma coisa em comum?

Ver Resultados

Loading ... Loading ...

Colecção Find Out

RHtv