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Solomon Asch: o efeito do grupo na opinião individual

Já ouviu falar de Solomon Asch? Se não ouviu, não se preocupe, passo a explicar. Solomon Asch nasceu em Warsaw, na Polónia, em 14 de setembro de 1907. Treze anos depois emigrou, junto com a família, para os EUA. Completou o Doutoramento em 1932 na Universidade de Columbia e na década de 1950 começou a elaborar estudos acerca da pressão social exercida pelos grupos. A pergunta para a qual procurava resposta era: como e até que ponto as forças sociais moldam as opiniões e atitudes das pessoas?
Para o efeito, realizou uma experiência na qual utilizou dois cartões. Num dos cartões encontravam-se três linhas verticais de diferentes tamanhos. No outro, uma única linha vertical, que constituía a linha “padrão”. A linha “padrão” de um cartão era sempre igual em comprimento a uma das três linhas do outro cartão.
Sete a nove elementos funcionavam como cúmplices, eram atores. Esses cúmplices tinham como principal missão emitir julgamentos intencionalmente errados. Um sujeito era adicionado a esse grupo, designado por sujeito crítico. Este último, sujeito crítico, não estava a par do compromisso estabelecido entre o experimentador e os cúmplices – darem respostas erradas. Ele fora convencido que estava a participar num teste acerca da perceção e que todos os que se encontravam presentes deveriam responder da forma mais genuína (verdadeira!) possível. Todos os elementos estavam dispostos em linha – lado a lado – e as suas respostas (julgamentos) acerca do comprimento da linha “padrão” perante as outras três linhas eram dadas em voz alta. De forma a receber a máxima influência do grupo a resposta/julgamento do sujeito crítico era sempre dada em penúltimo/último lugar. Todas as reações do sujeito crítico eram registadas: movimentos, expressões faciais, postura, etc. Havia uma reação que era, no entanto, mais aguardada do que as outras: a expressão verbal do que o sujeito crítico emitia em relação ao tamanho da linha “padrão” quando comparada com o outro cartão que possuía as três linhas de diferentes tamanhos (sendo que uma delas correspondia à linha “padrão”). O que se verificou? Verificou-se que os sujeitos que correspondiam ao sujeito crítico (esta experiência foi realizada várias vezes, com vários sujeitos críticos e vários cúmplices) responderam de forma errada em 33,2% das vezes, influenciados pelos julgamentos dos cúmplices. Quando comparados com o grupo de controlo, que respondeu de forma individual ou escrita, estes só erraram 7,4% das vezes.
Conclusão: esta experiência significa que, independentemente do absurdo da situação, a cega imitação das atitudes de um grupo pode-nos levar a comportamentos que nem sequer cogitaríamos individualmente. Já aconteceu consigo? (acha que é capaz de dar uma resposta errada, mesmo sabendo a correta, só para acompanhar os outros). Imagine o que esta situação representa em muitas das tomadas de decisão que ocorrem na sua organização. Dá que pensar, certo?

Por: Ana Pinto, professora universitária e consultora em Recursos Humanos
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