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A Minha Marca Pessoal – Valores, Prioridades e Aspirações

Há uns meses atrás tive a oportunidade de experimentar um dos meus carros de sonho. Andei a passear pelo Alentejo num BMW i8. O carro destaca-se pelo seu design, mas também pela capacidade do motor. Quando a viatura está em modo sport atinge os 100 km/h em 4,3 segundos. Ora, isto é brilhante!
A adrenalina e o sentimento de aventura aceleram quase tão rápidos quanto este magnifico espécime de engenharia. Contudo, e apesar de ser divertido sentir esta aceleração, certamente não queremos andar sempre a estas velocidades.
Hoje, vivemos num mundo de rápida aceleração, de difícil compreensão e com meros segundos dedicados à autorreflexão. Enquanto que o ser humano desenvolve e evolui de forma linear, somos confrontados com um mundo em que a tecnologia se desenvolve numa curva exponencial. Esta aceleração tem vindo a ter impacto em todas as áreas de negócio dentro das organizações. Sentimo-nos desconcertados e ansiosos com um futuro que tem tanto de promessas positivas como de desafios complexos e imprevisíveis. Temos de saber preparar-nos para um futuro cujas variáveis são incertas e debatemo-nos com a identificação das competências mais adequadas para atingirmos o sucesso.
Esta inquietude muitas vezes leva à imobilidade em vez de ação. Com tantas incertezas, onde me devo focar? E onde devo investir? Estas são perguntas frequentes e muito compreensíveis. É frequente vivermos períodos de vida que designo pela fase “Peter Pan”. Não nos queremos comprometer com o que vamos fazer “amanhã”. Até porque sinceramente é muito difícil prever o que está para vir.
Apesar de todas estas dúvidas temos uma certeza: que a construção e definição da marca pessoal enquanto gestor e pessoa passou a ser um ativo estratégico para qualquer indivíduo. A tecnologia atual levou a maior intercomunicabilidade entre pares. Por outro lado, construiu-se um ecossistema que funciona como “montra” pessoal que nos permite posicionar e demonstrar o que melhor fazemos. Temos todos uma pegada digital que conta uma história sobre nós. É este conjunto de dados que produz a nossa marca.
Certamente já leram e ouviram falar em como devem gerir as vossas redes sociais, qual a foto mais adequada para o perfil de LinkedIn, como fazer a monitorização da nossa marca online e demais aspetos técnicos que estão subjacentes à construção da parte mais tangível da nossa marca.
Na minha opinião, o que muitas vezes fica descurado é o lado mais importante e impactante da marca pessoal que é a definição da nossa história. Qual é a nossa promessa de marca?
A nossa narrativa de marca deve estar assente em três pilares: os nossos valores, as nossas prioridades e as nossas aspirações.
Ao definir a minha marca pessoal devo ter muito claro aquilo em que acredito, quais as dimensões que são obrigatórias e não negociáveis e como quero viver e construir o meu presente e futuro. Por outro lado, preciso de definir e desenhar uma escala de importância relativa. Somos todos ambiciosos e se não houvesse necessidade de escolha quereríamos tudo. Aprendemos com a experiência que não se consegue conciliar todas as opções. É difícil ser CEO e ter muito tempo livre para hobbies. É complexo ser mãe ou pai e trabalhar a tempo inteiro e dedicar o tempo que gostaríamos aos nossos filhos. Quando estiver perante situações que obrigam a ponderar opções diferentes, o que irei priorizar? Por último, e certamente mais importante, quais são as minhas aspirações? No ano 2017, na reunião do WEF que decorreu em Davos houve um painel que visava discutir e debater “purpose”. Qual é o propósito maior de tudo o que faço? Os franceses chamariam a isto a nossa “raison d’être”. Quando acordo de manhã o que me motiva, o que me leva a fazer mais e melhor, qual a força motriz que me leva a acelerar? Quando terminar a minha carreira, como gostaria de ser reconhecido ou percecionado? Mais ainda, quando terminar a minha carreira terei orgulho no que fiz e construí?
Na procura da construção da marca pessoal, proponho que tentem responder a estas três questões: Quais são os meus valores?; Quais são as minhas prioridades?; Quais são as minhas aspirações?
Se responder a estas questões terá uma narrativa pessoal, intransmissível, única e verdadeira. Estas histórias marcam a diferença e criam relacionamento.
Num mundo em constante mudança o mais importante é definir-nos a nós próprios.

Joana-Santos-SilvaPor: Joana Santos Silva, oradora do Workshop Personal Branding: Estratégia e Gestão da Marca Pessoal da CATÓLICA-LISBON.

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