Consultoria, Formação & Desenvolvimento

Criar Valor Empresarial: Seja um Navegador de Paradoxos

O presente artigo foi extraído do livro Victory Through Organization de Dave Ulrich, David Kryscynski, Michael Ulrich e Wayne Brockbank.

Identificámos na nossa investigação nove domínios de competências em RH. Interessa-nos particularmente entender como é que estes domínios de competências motivam os resultados de eficácia pessoal, o valor para os stakeholders e os resultados empresariais. Consideramos que ser um Ativista Credível ajuda os profissionais de RH a produzir um impacto pessoal; ser um Posicionador Estratégico ajuda a construir valor para os clientes e investidores. Gostaríamos agora de destacar o que os profissionais de RH devem saber e fazer para produzir bons resultados de negócio.
Em parceria com 22 associações de RH de todo o mundo, recolhemos dados de 32 000 inquiridos em 1200 empresas. Medimos os resultados empresariais com uma escala de seis elementos (rentabilidade, produtividade no trabalho, criação de produtos novos, satisfação do cliente, atração de novos colaboradores, conformidade regulamentar). Procurámos avaliar qual dos nove domínios de competências em RH tiveram um impacto mais significativo no comportamento da empresa.
Os resultados são apresentados na Tabela 1. Desta análise destacamos vários resultados interessantes. Primeiro, a competência de Navegador de Paradoxos parece ter a relação mais estreita com o desempenho anterior da empresa. Esta é uma descoberta fascinante e nova. A nossa explicação é que dadas as mudanças contextuais dramáticas no mundo dos negócios, as organizações têm de mudar para sobreviver. A criação de organizações ágeis obriga à navegação através dos paradoxos, o que incentiva o pensamento do tipo “e/também”. Quando as organizações têm soluções únicas para os problemas, não respondem cabalmente à mudança. O paradoxo promove o diálogo, a discussão e a procura de alternativas necessárias à mudança. Por paradoxo entende-se que as organizações devem ter uma abordagem descendente (“top down”) e ascendente (“bottom up”); devem estar centradas nos clientes (do lado de fora) e nos trabalhadores (do lado de dentro); devem ser divergentes e convergentes; e devem fomentar a liberdade e o controlo. A navegação por estas tensões fomenta o diálogo que incentiva a agilidade das organizações.

O que significa ser um Navegador de Paradoxos?
Como se vê na Tabela 1, os diretores de RH que sabem navegar entre os paradoxos são os que produzem o maior efeito sobre os resultados da empresa. Os paradoxos existem quando atividades aparentemente contraditórias operam em conjunto. Os paradoxos estão presentes na nossa vida do dia-a-dia, como revelam os seguintes lugares comuns: amor difícil, fazer mais com menos, azeite e vinagre, agridoce, equilíbrio entre família e trabalho, devagar se vai ao longe, bem e mal, entre outros. Sempre que estas contradições trabalham em conjunto, segue-se o êxito. Em vez de nos concentrarmos no ou/ou, os paradoxos incentivam-nos a pensar no e/também.
As organizações e os líderes que respondem às disrupções acima enumeradas fazem-no navegando através de paradoxos. A navegação através de paradoxos aceita e enaltece os desentendimentos que promovem a mudança e a evolução nas organizações. Sem as tensões que resultam do pensamento e debates paradoxais, as organizações perpetuam o status quo e não respondem à mudança. Os líderes destas organizações precisam de se transformar em Navegadores de Paradoxos com vista a ajudar as suas organizações a responder ao ritmo da mudança.
Os profissionais de RH que são Navegadores de Paradoxos encorajam, promovem e suscitam questões difíceis para que sejam resolvidas. Por exemplo, verificamos que há momentos em que a equipa de uma empresa deve divergir e outros em que deve convergir. A divergência significa que se exploram alternativas. Quando um profissional de RH está numa reunião em que se discutem poucas alternativas, deve incentivar uma divergência em que sejam discutidas novas alternativas. No extremo oposto, quando um grupo se mantém divergente, o profissional de RH necessita de criar convergência e unidade para focar as atenções. Verificámos no nosso trabalho que, como Navegadores de Paradoxos, os profissionais de RH podem não ser os elementos mais bem-recebidos numa equipa porque levantam questões difíceis, mas necessárias. No entanto, a sua capacidade de navegar através dos paradoxos é a competência mais importante para garantir os bons resultados da empresa.

Como melhorar as competências para ser um Navegador de Paradoxos?
A navegação através dos paradoxos não é uma característica inata, é antes um conjunto de comportamentos aprendidos que se traduzem em competências. De acordo com a nossa investigação e experiência, os líderes que são Navegadores de Paradoxos possuem os conhecimentos, competências e capacidades propostos na Tabela 2. Quando os profissionais de RH reconhecem e dominam estas competências e se avaliam a si próprios, são mais capazes de promover o êxito da organização.

Conclusão:
Os profissionais de RH e os líderes de empresas podem adquirir e melhorar estas competências de navegação entre paradoxos através de formação, desenvolvimento e coaching. No entanto, talvez o pré-requisito mais importante seja reconhecer a importância de navegar entre paradoxos para produzir resultados empresariais. Os profissionais de RH que pretendem produzir verdadeiro valor para a empresa devem tornar-se Navegadores de Paradoxos.

Por: Dave Ulrich (Universidade de Michigan/RBL Group), David Kryscynski (Universidade de Brigham Young), Michael Ulrich (Universidade do Estado de Utah) e Wayne Brockbank (Ross School of Business/Universidade de Michigan)

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