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Espaços e última fronteira

Em meados do século passado, os EUA e a URSS, enquanto superpotências, disputavam a conquista do espaço fora da Terra e a supremacia desse conhecimento. Um dia, essas conquistas serão ampliadas, mas por necessidade de sobrevivência da vida humana.

Um outro espaço é o de Jaime Lerner, com quem me cruzei nas ideias e obra. Em abril passado, numa lista de cem arquitetos, foi considerado o segundo urbanista mais influente de todos os tempos. Prefeito de Curitiba e Governador do Estado do Paraná entre 1971 e 1993, Lerner foi um visionário, um fazedor das suas ideias sobre urbanismo e mobilidade. A obra maior foi a sua cidade que acabou por ser objeto de estudo em todo o mundo e onde agora trabalha. Entre tantas criações consta o primeiro metro de superfície, multiplicação de zonas verdes, ovelhas a pastorear os bosques e nas zonas pobres e de difícil acesso trocava a recolha do lixo por senhas de comida.

Acreditava na magia da medicina e usava a acupuntura para a gestão dos espaços da cidade. Uma picadela rápida que estimula e não faz doer. Nunca destruiu nada, isso acaba com a memória e não resolve o problema. Fala depois das ideias sobre cidades inteligentes (Smart Cities), campeãs no uso das TIC. Mas o “autocarro-smart” já existe. É aquele que tem uma pista exclusiva, embarque e desembarque ao mesmo nível, pagamento antes de entrar, linhas diretas e intercalares. É rápido e custa até cem vezes menos por quilómetro do que o Metro. A “bicicleta-smart” é aquela que não se mistura com todo o trânsito, tem um caminho próprio. Melhor ainda se for usada e deixada em função das necessidades, quer dizer, partilhada. O “táxi-smart” é um parceiro integrado, faz a ligação entre as várias redes de transportes, tarifa integrada, um cartão de mobilidade. O “peão-smart” é o que sabe usar tudo isto e sempre com o mesmo cartão. Isso vai fazer dele um consumidor mais exigente e um cidadão ainda mais inteligente. É a gestão inteligente dos espaços.

Em 2013, Obama lembrou-se que faltava explorar um outro espaço – o cérebro humano – e criou um plano para fazer o seu mapeamento – The Brain Activity Map. É uma espécie de reconstrução do genoma humano, mas aplicado à nossa massa cinzenta. É neste espaço que as duas superpotências atuais, EUA e China, estão hoje a competir e a colaborar. Os chineses chamam-lhe a chave genética da inteligência. Tem sede em Hong Kong e Shenzhen.

Trabalham já em 2200 amostras, mas no mínimo precisam de 10 000. Essas amostras de ADN vêm de indivíduos com QI superior a 160, superior à média dos Prémio Nobel que é de 145. A probabilidade de se encontrar estes indivíduos é de 1/30 000 habitantes. Os objetivos são claros, identificar o génio, explorá-lo, identificá-lo antes do nascimento e replicá-lo. A ciência, como tudo, tem sempre dois lados, embora os parceiros sejam variados. Para uns é o avanço na medicina e progresso humano, para outros é uma “Fábrica de Génios” e futuros donos disto tudo.

É verdade, talvez a nossa fronteira da liderança e da gestão se possa rever aqui, talvez seja uma permanente conquista de espaços. Primeiro, o espaço desconhecido; depois, os espaços feitos de sistemas, estruturas e redes onde acolhemos as tecnologias e todas as inteligências. A última fronteira é o Homem e nós quase nos esquecemos disso. Ou, também, um espaço exterior, o corpo e a mente.

Fiquei-me no Jaime Lerner, na arte do olhar feito de simplicidade, no nunca destruir nada, no ampliar da nossa consciência para ver mais longe, numa certa magia, imigrante…

Por: Jorge Marques

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