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2019: O que já foi… e o que pode vir a ser

O nosso imaginário coletivo evoca ancestralmente a época da mudança do ano como uma espécie de ritual de passagem, onde todas as ideias do que já foi nos parecem fúteis e onde as ideias do que pode vir a ser nos surgem carreadas pela crença messiânica na existência de uns quantos possíveis futuros, que subitamente se percebem como realisticamente passíveis de concretização. É esta mesma ideia que está, aliás, na base dos reiterados votos de “prosperidades” para o novo ano que partilhamos uns com os outros, e que nutre de sentido aquela velha e conhecida máxima de “ano novo, vida nova”.

Ora, no que diz respeito à gestão e ao desenvolvimento das organizações, e tendo em consideração os acontecimentos e os dinamismos que já têm vindo a desenhar-se no ano que agora finda, o próximo ano de 2019 e os que se lhe vão seguir parecem prometer efetivamente uma “vida nova” para os domínios da Gestão das Pessoas.

A questão que tem vindo a ser ampla e aprofundadamente debatida, não só pelos profissionais desta área, mas por toda a comunidade organizacional e empresarial, é a de saber se esta “vida nova”, cuja alta probabilidade de ressurgência é cada vez mais evidente, se irá traduzir numa efetiva “vida melhor”, tanto para as organizações quanto para as pessoas que nelas trabalham ou, mais extensamente, vivem, aplicando esta expressão na perspetiva dos paradigmas de integração entre a vida pessoal e a vida profissional.

E quanto a isto, as opiniões já não são tão consensuais.

De facto, ao longo do ano de 2018 proliferaram ideias diferentes quanto às melhores orientações para gerir as organizações em contextos que se preveem de profundas e muito rápidas transformações, e assumiram-se sólidas posições quanto aos vaticínios do futuro: umas de descrença nas capacidades humanas de dominar a “besta” tecnológica, outras na reafirmação da crença de que as categorias e qualidades mais específicas e autenticamente humanas acabarão por prevalecer sobre os ditames das máquinas, conduzindo a um futuro realmente melhor e mais promissor para todos.

Para além das naturais diferenças de perspetivas, por vezes mais influenciadas por convicções ideológicas do que por análises suportadas por dados efetivos sobre acontecimentos e tendências, é possível desde já destacar algumas ideias que parecem ser relativamente consensuais no que respeita à evolução dos modelos em Gestão das Pessoas.

E, no imediato, o que parece mais evidente é que nada será como dantes em relação às conceções sobre o que é o trabalho e as suas respetivas modalidades de organização.

A “desterritorialização” dos espaços de trabalho, a crescente autonomia e a pressão para níveis superiores de excelência, tornam imperativa a adoção de uma nova atitude face ao trabalho que rompe definitivamente com as velhas tradições herdadas da primeira e da segunda revolução industrial; uma atitude com base na qual o trabalho é concebido dominantemente como uma “coisa má”, embora indispensável para garantir a sobrevivência.

Os novos paradigmas, emergentes dos dinamismos da 4.ª revolução industrial, afirmam, pelo contrário, o trabalho como um processo essencial da construção de uma nova identidade social, onde a lógica do puro exercício de uma função, muitas vezes vazia de sentido, é substituída pela intencionalidade de um propósito, alicerçado na consciência de que o trabalho tem uma função social e de engrandecimento pessoal que vai muito para além do mero exercício da, por vezes difícil, arte de sobreviver.

E é neste exercício de reconfiguração de paradigmas, e na dinamização de perspetivas de intervenção que lhe sejam consequentes, que os profissionais de Gestão das Pessoas poderão (e deverão) vir a ter um papel de cada vez maior importância, expansão e impacto, na edificação de uma nova realidade de gestão nas organizações, em que o trabalho passe a ser um exercício verdadeiramente motivador e libertador de energias positivas para a construção de um futuro de uma maior e mais profunda humanidade.

Por: Mário Ceitil, presidente da APG

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