Consultoria, Formação & Desenvolvimento

Por uma cidadania estruturada na gestão de Recursos Humanos

Ser cidadão num primeiro nível é ser uma pessoa responsável, autónoma, solidária, que conhece e exerce os seus direitos e deveres em diálogo e no respeito pelos outros, com espírito pluralista, crítico e criativo, tendo como referência os valores dos direitos humanos. O conceito está relacionado com o Estado, mas, no meu dia-a-dia de trabalho, relaciono-o com as empresas.

Este artigo não é legalista, nem o poderia ser, é cidadão, é colaborativo, é estruturado, indicativo e informativo. Não deixa de ser a minha visão da cidadania colaborativa no local de trabalho, no entanto penso que poderá ser como que um guia para várias pessoas que trabalham em gestão de Recursos Humanos.

Quais são os direitos de um “cidadão” empresarial?

Direito à vida e à integridade pessoal porque a integridade moral e física das pessoas é inviolável no local de trabalho (em todo o lado na verdade).

Direito à liberdade de expressão e informação porque todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

Direito à liberdade e à segurança porque todos os colaboradores têm direito a sentir-se seguros no seu local de trabalho.

Direito à formação já que o conhecimento e a melhoria das competências, para além de uma necessidade, constitui inclusivamente uma obrigação legal, uma vez que todos têm direito ao número de horas anuais de formação consagradas pelo Código do Trabalho, de acordo com o vínculo contratual.

Outro direito é a liberdade de consciência, de religião e de culto, e este é inviolável. Ninguém pode ser perseguido, privado de direitos ou isento de obrigações ou deveres laborais por causa das suas convicções ou prática religiosa.

Um direito do cidadão trabalhador é o direito à saúde, já que a segurança e saúde no trabalho é obrigatória para empresas com um trabalhador ou grandes empresas com muitos trabalhadores, todos têm direito à proteção da saúde e o dever de a defender e promover.

Direito à inviolabilidade da correspondência porque o sigilo da correspondência e dos outros meios de comunicação privada são invioláveis mesmo no local de trabalho.

Utilização da informática e direito de acesso aos dados informatizados que lhes digam respeito, podendo exigir a sua retificação e atualização, e o direito de conhecer a finalidade a que se destinam, nos termos da lei.

Não se pretende elencar aqui de forma exaustiva todos os direitos que podiam ser contemplados, nomeadamente os que decorrem do Código do Trabalho em sentido estrito, no entanto a cidadania empresarial vai muito além disso, muito além do que é legalmente implementado: ser cidadão empresarial é ser pessoa acima de tudo, e ser pessoa é ser emoções e com isso uma multiplicidade de visões, missões e ambições.

Os departamentos de Recursos Humanos têm noção deste facto, mas trabalhará da melhor maneira o cidadão-colaborador que tem um mundo próprio para lá dos standards da empresa, sem que esta tenha parte do seu foco em auxiliar a que esse mundo seja o melhor possível?

Há também deveres de cidadania que um cidadão colaborador deve prestar. Desde logo: ser responsável, gentil, generoso/a, disciplinado/a, cumprir as normas de segurança e saúde no trabalho, dever de lealdade, de sigilo, entre outros.

Da minha experiência profissional na área dos Recursos Humanos e gestão da formação, há pequenas ações que se conseguem facilmente implementar nas empresas com vista à promoção da cidadania empresarial. Desde logo, o que eu chamo de responsabilidade social interna: ações internas para os colaboradores que contribuam para o seu bem-estar, não só organizacional, mas pessoal e social.

Exemplos como: realizar workshops de cultura financeira, suporte básico de vida, apoio e acompanhamento em psicologia e coaching, disponibilizar aos cidadãos-colaboradores horas de trabalho para a realização de voluntariado, serem os colaboradores a amadrinharem e apadrinharem as instituições que gostariam de apoiar, dar voz ativa nas decisões de responsabilidade social quer interna, quer externa, individual ou coletiva. Ouvir sempre o que os seus cidadãos-colaboradores têm a dizer sobre a vida deles na empresa!

Na verdade, estas iniciativas terão o condão de, por um lado, beneficiarem o employer branding interno e externo (que tanta importância assume quando se advinha em alguns setores uma verdadeira “caça ao talento”), e, por outro lado, gerará mais e melhor responsabilidade por parte dos seus colaboradores, bem como motivação, dedicação e uma estrutura de Recursos Humanos sustentável e saudável.

Investir nas pessoas é investir no negócio. Elas são as bases de sustentação da sua organização e são muito mais do que um bom dia de manhã. São únicas e devem ser tratadas como tal.

Se me lê como diretor ou gestor de uma empresa: seja uma empresa amiga dos direitos humanos, uma empresa cidadã, uma empresa baseada em valores e dê a conhecer essa realidade aos seus cidadãos-colaboradores, clientes, fornecedores, etc.

Se me lê como cidadão-colaborador: faça-se ouvir, promova os seus direitos, trabalhe para que esses direitos sejam respeitados, cumpra os seus deveres e participe da vida da sua organização.

Empresas cidadãs são as melhores empresas para se trabalhar. Transforme-se numa!

Por: Anabela Brás Pinto, responsável de formação da Centralmed | entrepreneur | coach | ativista

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