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Escolas e Universidades, Formação & Desenvolvimento

O “Challenge-Based Learning” na promoção das competências de liderança

Quando queremos inquirir alguém acerca do seu nível de língua inglesa, não lhes perguntamos: “És inglês”, nem “És licenciado em inglês?”. Quando queremos saber se a pessoa possui competências interpessoais, não lhes perguntamos: “És psicólogo?”, ou qualquer outra profissão humana. No entanto, quando se aborda competências de liderança, ainda somos tentados a viver num universo dicotómico, preto e branco, binário: “És um/a líder?”, ou ainda “És líder ou liderado?”, como se a questão fosse “ser ou não ser”.
Este é, de resto, o cerne de muitos mitos em torno da liderança que persistem desde a “Great Man/Woman Theory”, em que se acreditava que a liderança era um traço de personalidade, inato e não passível de treino. Anos volvidos, a ciência sabe que o ser humano é capaz de um fantástico feito: a plasticidade humana. Evoluímos, reconfiguramos o cérebro (a cada minuto!), adaptamo-nos, e as competências de liderança não são exceção. Porque abraçamos tanto alguns avanços científicos e resistimos a outros?
Motivação, comportamento humano, autoconhecimento, inteligência emocional, teamwork, técnicas de comunicação e comunicação não-verbal são algumas das aptidões trabalhadas numa unidade curricular que visa promover competências transversais. De notar que é frequente ouvir referências às transferable ou transversal skills como soft skills, o que não é ideal.
É no âmbito de uma CDTS (Formal Curricular Unit to Promote Transferable Skills) de “Liderança e Negociação” do mestrado em Gestão de Marketing do IPAM, que nasce o Ipam Leadership Challenge (ILC), cuja 2.ª edição terminou no dia 16 de janeiro.
The Leadership Challenge, obra de referência por Jim Kouzes e Barry Pousner, inspira a criação de mais um contexto e oportunidade para, como referem os autores quando definem o que é o Leadership Challenge: “The Leadership Challenge is a global campaign to liberate the leader in everyone”. Partindo da premissa, esta sim, corretíssima, que todos temos o potencial para desenvolver competências de liderança. Em dois anos, o ILC recebeu 39 oradores, 45 empresas envolvidas e mais de 26 horas de evento aberto ao público.
Com uma metodologia de PBL – “Project Based Learning” (e CBL – “Challenge-Based Learning”) e andragógicamente orientada, usando elementos da shared-leadership e self-leadership, os mestrandos são liderados a organizar um evento, sendo responsáveis por todos os momentos, desde a planificação dos convites a oradores até ao encerramento e follow-up noticioso através do site oficial. Emerge um evento aberto à comunidade, recheado de oradores inspiradores, que possibilita o transmitir das competências de liderança à população em geral, e inovador em vários aspetos incluindo, por exemplo, a apresentação de infográficos de líderes e posters de investigação científica desenvolvidos por estudantes e o lançamento oficial de um “special issue” da Revista Portuguesa de Marketing (Araújo & Santos, 2017).
A aprendizagem humana é um continuum e as competências de liderança estão sempre em desenvolvimento. Como ser humano, como empreendedora, como educadora e, acima de tudo, como investigadora, entristece-me ainda ouvir expressões como “eu acho que liderança não se ensina”, ou outros “achismos” e quase-misticismos, como se as competências de liderança fossem algo mágico e inatingível.
Nos desenvolvimentos científicos, a competência (que origina etimologicamente tanto o “competir” como o “competente”, tema que daria pano para mangas!), pode ser entendida como contendo três componentes: o saber, o querer e o poder. O saber sendo o conhecimento, o querer sendo a componente motivacional que nos compele a aplicar o saber e, por fim, o poder sendo a criação da oportunidade para eu demonstrar que possuo tais competências. Qualquer competência tem estas componentes e as competências de liderança não são exceção.
Uns dos grandes desafios da educação do futuro e, em particular, do ensino superior é incorporar nos curricula que a liderança se desenvolve, que o ser humano desenvolve e muda, a cada minuto, e que podemos escolher aplicar várias competências de liderança em simultâneo e adaptar essas competências a diferentes contextos e funções que exercemos.
O IPAM, que já é uma escola líder em tantos aspetos, procura cada vez mais formar e treinar para a liderança, de forma a que um dia possamos dizer que, tal como na prática das competências linguísticas, teremos em breve profissionais “fluentes em liderança”.

Foto pat 2016Por: Patrícia Araújo, PhD, docente universitária no IPAM/Universidade Europeia, escritora e psicóloga

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