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Formação & Desenvolvimento

Engagement Profissional – A Chave para o Sucesso

Engagement, termo comummente traduzido em português como “engajamento” (palavra de que não gosto particularmente), traduz a noção de envolvimento em prol de uma ideia ou de uma causa, um comprometimento com algo.
Para o fim deste artigo irei manter a expressão em inglês porque considero que encerra em si mesma algo de muito mais profundo, mais completo, mais orgânico e interior, mais nosso (um comprometimento total, se assim desejarem) do que o termo português “engajamento”, que me soa como algo muito mais duro, mais mecânico, mais exterior a nós próprios. E é vital que o Engagement venha de dentro e seja completo.
A meu ver, o Engagement é a chave para o sucesso de tudo o que fazemos na nossa vida. Quando nos entregamos a uma causa, seja a nível pessoal, seja profissional, por mais pequena que seja, fazemos mais, somos melhores e conseguimos até contagiar os outros com a nossa entrega à causa. Por outro lado, quando perdemos este nível de Engagement começamos a pensar: é isto que eu quero fazer? É aqui que eu quero estar? Isto ainda me realiza?
O Engagement profissional reflete uma profunda ligação entre o colaborador e os objetivos e missão da empresa. Estes profissionais valorizam o seu trabalho e decidem ativamente contribuir, todos os dias, para o sucesso da organização onde estão inseridos. Que empregador não quer colaboradores com um elevado nível de Engagement?
Inúmeros estudos têm sido feitos para compreender o real impacto que o Engagement tem nos resultados de uma empresa. E, estudo após estudo, tem ficado bem claro que os colaboradores com elevados níveis de Engagement registam um melhor desempenho, melhor produtividade, estão mais disponíveis para a empresa, os seus níveis de motivação são superiores, e, no geral, são pessoas mais felizes. Não é certamente coincidência que as empresas com melhores resultados, ao nível mundial, possuem os colaboradores com maiores níveis de Engagement.
Mas em que se baseia afinal o Engagement profissional? Como é percebido pelos colaboradores e pelas entidades empregadoras?
Para os colaboradores representa algo tão simples como acordar pela manhã e ficar feliz por ir trabalhar. Saber o que vão fazer, pensar com satisfação em encontrar soluções para algumas questões pendentes, tirar prazer em trabalhar com os colegas e partilhar com eles os sucessos dos projetos que desenvolvem, compreender o papel que desempenha na empresa e sentir-se confiante e com energia para contribuir positivamente para o objetivo geral. Saber que ouvem as suas ideias e que o têm em consideração, sentir o reconhecimento pelo seu empenho e pelo contributo para o sucesso da empresa.
Empresas que promovem o Engagement dos colaboradores dão feedback, possuem valores sólidos e autênticos, com provas claras de confiança, respeito pelos colegas, igualdade de tratamento, onde promessas feitas são compreendidas e cumpridas.
Para os empregadores o Engagement é percecionado como uma atitude positiva por parte dos seus colaboradores e um comportamento que conduz a resultados positivos. Verifica-se no sentimento de orgulho que os colaboradores transmitem em trabalhar na sua organização, tornando-se, deste modo, bons defensores da empresa face aos clientes e fornecedores, são pessoas que “dão o litro” sempre que é preciso e sem ser necessário pedir que o façam.
Os empregadores percebem o nível de Engagement através do elevado número de retenção de colaboradores (poucos são os que deixam a empresa), no baixo número de baixas médicas e faltas, no baixo número de acidentes de trabalho, na ausência de grandes conflitos entre colegas e suas hierarquias e, obviamente, no aumento da produtividade.
Para um empregador manter elevados níveis de Engagement, será necessário agir de forma coerente, no que se refere aos valores da empresa, demonstrando concordância entre o que diz e o que faz. Trata-se de manter as promessas feitas ou dar uma explicação sempre que as não possa cumprir.
Ou seja, para haver Engagement deve existir confiança, sinceridade, paixão, energia, vontade e emoção das partes envolvidas. Basta pensar nos três grandes pilares do Engagement: autonomia, crescimento e contribuição, para qualquer empresa poder fazer uma análise rápida de como estão os níveis de Engagement dos seus colaboradores e para onde quer caminhar. Senão vejamos:

  • Autonomia: é inegável o impacto que possuir autonomia no trabalho representa no comportamento de um colaborador. Ter a possibilidade de fazer as suas próprias escolhas, decidir e ser responsável por essas decisões, utilizar mais o seu potencial criativo e contribuir para a inovação dos procedimentos da empresa são fatores decisivos no nível de Engagement. Ninguém gosta de apenas receber ordens sobre como e quando deve fazer cada uma das suas tarefas. Todos gostamos de ter (pelo menos) um pouco de autonomia, nem que seja para definir quais são as prioridades do nosso dia e como gerir o nosso tempo.
  • Crescimento, pessoal e profissional: é outro fator que impacta fortemente o Engagement dos funcionários para com a empresa. Como refere Tony Robbins: “O progresso move as pessoas. Poder crescer e avançar no sentido que desejamos é o que nos torna mais felizes. Ou crescemos ou morremos”. Neste sentido, sempre que um colaborador sentir que a empresa está a investir no seu crescimento, seja através da expansão da sua rede de contactos, através de formação profissional, através de aumento salarial, ou através de oportunidades de progressão na empresa, ele tenderá a manter-se com um nível de Engagement mais elevado, pois sente que está a ser recompensado.
  • Contribuição: para que haja Engagement profissional um funcionário precisa de sentir que está a contribuir para algo maior dentro da empresa. Para que o funcionário se motive, ele precisa de conseguir ver a importância e o impacto do seu trabalho na empresa como um todo. Todos nós, consciente ou inconscientemente, queremos deixar a nossa marca no mundo. Existe algo mais gratificante do que saber que temos um impacto positivo na vida de outras pessoas? Se um funcionário não sente que está a contribuir positivamente, através do seu trabalho, ele terá grandes dificuldades em se sentir realizado e, consequentemente, não conseguirá manter o seu Engagement com a missão e valores da empresa onde trabalha.

O desafio que vos deixo (a colaboradores e empregadores) é este: Analisem como estão os níveis de Engagement na vossa empresa! Como gostariam que estivessem? O que vão fazer de diferente?

filomena_nogueiraFilomena Nogueira, coordenadora pedagógica, Vantagem+

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