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Formação & Desenvolvimento

Literacia para todos, ao longo da vida

Deve-se considerar a literacia por si só, ou no contexto de outras necessidades que os adultos podem ter? Em 2017, pode-se afirmar que um humano tem de ter (ou deve ter) literacia ambiental ou ecológica, de saúde e sanitária, de aprendizagem ao longo da vida, tecnológica e de web, financeira, etc., para que se possa assumir como cidadão interventor e capaz de decidir sobre si próprio e os seus. A literacia é altamente contextual – o que devemos fazer com a nossa literacia é sempre contextualizado –, situada dentro de um determinado cenário sociocultural. Na verdade, tornou-se comum referir literacia, em vez de alfabetização, para enfatizar que é uma prática social e, portanto, não há uma única, que todos precisem. Em vez disso, todos nós precisamos (e usamos) literacia com diferentes sentidos dependendo do nosso grupo social ou profissional (por exemplo, empresários, trabalhadores, académicos, médicos, engenheiros); os tipos de atividades em que nos envolvemos (por exemplo, compras, lidar com burocracia, estudar etc.); e os diferentes contextos sociais e institucionais em que atuamos (escola, trabalho, lar, etc.). Um exercício engraçado (proposto por Carlos Ribeiro, embaixador EPALE) poderia ser listar as situações do dia-a-dia nos vários países europeus e fornecer uma ideia das dificuldades que os adultos enfrentam e as limitações instaladas nas suas vidas (como adultos, como pais e mães, como cidadãos, etc.). Abordagens integradas e multissetoriais da literacia podem tornar mais significativa, motivacional e “natural” a aprendizagem da literacia (Achieving literacy and numeracy from a lifelong learning perspective – UIL Policy Brief 7, UNESCO Institute for Lifelong Learning, 2017).

A evolução conceptual
Em 1970 cerca de 25% da população portuguesa era analfabeta em Portugal. Em 2011, no último Censo, a taxa de analfabetismo cifrava-se ainda nos 5,2%.
Hoje em dia associa-se a literacia ao conceito de aprendizagem ao longo da vida e todos se fundam no ditado popular português “aprender até morrer”, porque o visionário português conhece bem que o mundo não para de evoluir e o Homem também.
Esta adaptação continuada do Homem ao mundo que o rodeia associa a literacia à aprendizagem ao longo da vida, uma vez que esta última é caraterizada como “toda e qualquer atividade de aprendizagem, com um objetivo, empreendida numa base contínua, com vista à melhoria de conhecimentos, aptidões e competências” (Comissão Europeia, 2002).
De tal modo que, nas reflexões do WEF (World Economic Forum) do início deste ano, ela fica bem expressa e sem contestação (o que não é bom para a advocacia do pensamento critico) e, por exemplo, o New London Group (1996) define-a como competência de “fazer uso social da leitura e da escrita, refletir e desenvolver um pensamento crítico, processar, sintetizar e saber avaliar a informação como fundamental para o sucesso escolar, profissional, social ou privado”.

Iniciativas nacionais
Ao nível das iniciativas nacionais orientadas para o contínuo apoio e melhoria do desenvolvimento de competências de literacia, fulcrais para a elevação dos níveis de qualificação da população e a competitividade do país, salientam-se:

- O Programa Qualifica, lançado em 2016, com o objetivo de melhorar os níveis de educação e formação dos adultos, que no âmbito dos percursos de formação personalizados inclui a aposta na formação em competências básicas e transversais em ligação com as necessidades do mercado de trabalho.

- A Iniciativa Nacional em Competências Digitais e.2030, Portugal INCoDe.2030 que inclui nos seus objetivos garantir a literacia e a inclusão digitais para o exercício pleno da cidadania, através de um conjunto de medidas estruturadas que integram ações para reforçar os domínios da literacia digital e das competências digitais, em todos os ciclos de ensino e de aprendizagem ao longo da vida, e para capacitar profissionalmente a população ativa dotando-a dos conhecimentos necessários à integração num mercado de trabalho que depende fortemente de competências digitais.

- A iniciativa Indústria 4.0 que pretende inculcar no espírito empresarial e empreendedor a literacia para a transformação digital. Decorre da iniciativa da comissão europeia com idêntica designação (Industry 4.0) e teve origem na Alemanha.

Iniciativas europeias

- A EPALE – Plataforma Eletrónica para a Educação e Formação de Adultos na Europa, criada pela Comissão Europeia, possui um repositório de recursos sobre literacia na perspetiva da aprendizagem ao longo da vida que inclui estudos, projetos, relatórios, publicações de blogues e divulgação de eventos. Anualmente, a EPALE dedica o mês de setembro ao tema da literacia, visando a articulação entre os aspetos fundamentais da literacia e os temas chave atuais da aprendizagem ao longo da vida, formal, não formal e informal, bem como a melhoria da ação dos profissionais de educação e formação de adultos.

5Por: Etelberto Costa, sócio da APG e embaixador português da EPALE

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