Formação & Desenvolvimento, Tecnologias de Informação

“Smart Cities”: Foco nas Pessoas

Até há relativamente pouco tempo, o movimento das Smart Cities focava-se apenas em infraestruturas básicas como sensores e banda larga, no entanto a evolução das cidades hoje foca-se num elemento ainda mais importante – as pessoas.
A tecnologia sempre foi uma força crítica e estreitamente entrelaçada com a evolução das cidades. Desde há milénios atrás, quando surgiram as primeiras tribos humanas, passando pela revolução industrial até aos nossos dias, que os avanços tecnológicos impactaram fortemente não só as infraestruturas que usamos, mas também a forma como nos movemos, vivemos e trabalhamos.
As “Cidades Inteligentes” desenvolvem-se com base em suportes digitais complexos alimentados por BigData, que lhes permitem funcionar de forma mais eficiente e serem mais sensíveis às necessidades de cada comunidade. Com a implementação destes sistemas pretende-se criar um melhor ambiente urbano, onde as pessoas podem realmente prosperar.
Muitas cidades estão a começar e, com certeza, irão continuar a integrar o dinamismo tecnológico no nosso quotidiano. Se estivermos atentos podemos ver pequenas diferenças por toda a parte – as mudanças ocorrem tanto ao nível das operações municipais, quer ao nível dos transportes e infraestruturas.
Apesar dos back-ends destes sistemas nem sempre serem evidentes para o utilizador final, à medida que a tecnologia é integrada, e a cidade se torna cada vez mais “inteligente”, estes tornar-se-ão mais visíveis no nosso dia-a-dia.
Toda esta mudança baseia-se na premissa de que a tecnologia pode ajudar a melhorar a vida das pessoas nas cidades, por isso as Smart Cities devem ser equitativas e centradas nas pessoas.
Por exemplo, em São Francisco, os líderes da cidade trabalham afincadamente para implementar iniciativas digitais que ajudem a tornar a cidade mais segura, justa e sustentável. Destaco a iniciativa OpenData que tem por fim apoiar projetos tecnológicos que visem reduzir a emissão de gases causadores do efeito de estufa e melhorar o serviço de transporte público. Esta é uma das iniciativas que ajuda a cidade a atingir a sua visão de se tornar num “lugar saudável e sustentável para viver e trabalhar”.
A um ritmo de mudança crescente, desencadeado pela evolução tecnológica que nos move para além do aqui e agora, podemos facilmente imaginar como será a “Cidade do Futuro”, em que tudo está conectado, e qual o impacto que isso terá no nosso quotidiano!
Se lhe disser que os veículos autónomos, em conjunto com os dados gerados pela cidade, podem criar ambientes onde os semáforos se tornarão obsoletos e em que o trânsito será uma coisa do passado? Quase que parece mentira, não é? Mas, na verdade, quando diferentes meios de transportes funcionarem em paralelo e comunicarem entre si em tempo real, esta poderá ser a nova realidade!
Se pensarmos bem, o futuro não está assim tão longe! Em algumas cidades já começamos a ver hotspots de Wi-Fi em escala que permitem transformar a forma como acedemos à informação e aliviar a divisão digital, ao mesmo tempo que nos abrem a porta para um meio em que tudo está conectado. Afinal de contas, serão os nossos smartphones que nos permitirão interagir a qualquer momento com as “cidades inteligentes”!
No final do dia, a evolução tecnológica visa melhorar a nossa experiência de vida nas cidades – mas também traz consigo o risco de deixar pessoas para trás. Não basta incorporar tecnologia nos meios urbanos, é preciso formar as pessoas para acompanhar esta evolução de forma a que todos possamos tirar o máximo de partido desta transformação.
A tecnologia continuará a ser um aspeto vital para as Smart Cities, senão mesmo a sua espinha dorsal, mas serão as cidades que se focam nas pessoas e se desenvolvem em torno destas que estarão mais bem preparadas para o futuro que se aproxima a passos largos.

At its very core, a smart city is a city that has been able to look inside and identify what its challenges are — what its people and residents need to have, the quality of life they want to have — and to craft unique solutions that enable the city and the community to deal with those challenges. That truly is what a smart city is.
Steve Adler

Imagem2Por: Ana Gandrita, assessora da direção-geral e responsável de comunicação e marketing digital na Vantagem+

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