Entrevistas, Formação & Desenvolvimento

“Em Portugal faltam cerca de oito mil Informáticos por ano”

HRB Solutions lançou a 8.ª Up Academy, uma academia de formação que já colocou 77 pessoas no mercado de trabalho. Em entrevista ao RHonline, Nicole Ferreira, Corporate Communication Manager na HRB Solutions esclarece-nos acerca deste projeto.

RHonline (RH): Como surge a Up Academy?
Nicole Ferreira (NF): A Up Academy é um projecto que inicia em janeiro de 2017 e que surge de uma necessidade prática e da vontade de mudar aquilo que é a realidade de mercado das Tecnologias de Informação. A HRB Solutions, enquanto Consultora de Recursos Humanos, conseguiu identificar a existência de uma carência e enorme dificuldade em Recrutar perfis na área Informática. Precisávamos de uma solução prática e de mudar o mindset existente.

RH: Qual é o objetivo da Up Academy?
NF: O principal objetivo é responder às necessidades reais das empresas, através da formação de talento em Programação e TI (Tecnologias de Informação).

RH: A UP ACADEMY divide-se em três modalidades: academias starter, pro e upgrade, quais as diferenças entre estas modalidade e a quem se dirigem?
NF: As três modalidades dividem-se da seguinte forma: a Starter que inicia com 3 meses de aulas numa tecnologia, seguidos de 6 meses em cliente com desafios tecnológicos reais e um programa específico de soft skills. Na última etapa existe a integração que é, por norma, por um período mínimo de 9 meses. Dirige-se a jovens, com raciocínio lógico/matemático, interesse por novas tecnologias, frequência universitária e com conhecimentos de inglês
A PRO inicia com 3 semanas teóricas numa tecnologia, seguindo-se 9 semanas em cliente com desafios tecnológicos reais e um programa específico de soft skills.
Na última etapa, há a integração direta. Dirige-se a licenciados ou mestres em Áreas Tecnológicas e com conhecimentos de inglês.
Por fim, a Upgrade – totalmente à medida do cliente, na tecnologia que quiser e por períodos determinados conforme a necessidade. Não tem um público específico, moldando-se conforme a necessidade. Será para quem quiser aprender uma nova tecnologia ou quiser reciclar os seus conhecimentos.
Qualquer uma das Academias tem em conta a necessidade do cliente e o tipo de projecto, pelo que estes timmings poderão ser sempre ajustados.

RH: como irá funcionar o processo de seleção dos candidatos?
NF: A selecção passa por várias etapas, nomeadamente: Screening Curricular; aplicação de Assessment Center (Capacidade de programação I; Testes de aptidão numéricos, verbais, lógicos, raciocínio abstrato, psicológico e inglês); Entrevista Motivacional e de Avaliação de Perfil; aplicação de Teste de Personalidade Certificado – PPA e por fim uma entrevista final no Cliente. As academias têm, no limite, 15 formandos e, por cada Academia, recebemos cerca de 400 candidaturas. Daí que seja um processo exigente.

RH: Quais os perfis mais procurados, neste momento, pelas empresas das áreas da programação e das ti?
NF: Cada cliente tem as suas necessidades, de acordo com os projectos em desenvolvimento. Ainda assim, actualmente, podemos destacar as necessidades em JAVA, .NET e Outsystems. As funções mais procuradas são de programadores e developers, nomeadamente, Software Engineer; Front-end Developer; Analista Funcional; .NET e C# Developer; Consultor Java/Oracle PL/SQL. Neste momento, estamos a preparar também formação de Testers e de RPA (Robotic Process Automation).

RH: Este é o 2º ano da academia, quais foram os resultados do ano anterior?
NF: O ano passado iniciámos 7 academias, num total de 77 formandos. O feedback é muito positivo, considerando que dos Formandos da Up Academy 100% passam no exame e nas certificações e em termos de integração no cliente, temos atualmente: 61% developers; 18% analistas funcionais; 13% testes e 8% suporte.


 RH: Que importância tem a conversão de talento/pessoas que estão desempregadas para uma área com empregabilidade garantida?
NF: O nosso principal objetivo com a conversão de talento consiste em identificar e valorizar um portefólio de conhecimentos e competências basilares e que se adaptam à função. Podemos realçar uma linha comum de competências chave: autonomia, capacidade lógica/matemática, rápida aprendizagem, pensamento estratégico e conhecimentos de inglês. Os candidatos selecionados estão, muitos deles, há largos meses em situação de desemprego e sem perspectivas para a sua área de Formação. Esta oportunidade permite-lhes colocar em prática os conhecimentos inerentes às experiências académicas e/ou profissionais numa área de actividade e convertê-las na área de Tecnologias de Informação onde as perspectivas de futuro, nomeadamente salariais, são muito atractivas.

RH: Existe escassez de talentos nesta área? esta é uma forma de a ultrapassar?
NF: Em Portugal faltam cerca de 8 mil Informáticos por ano. Por isso, sim, existe uma grande escassez destes perfis. São precisas soluções e a UP Academy é, sem dúvida, uma solução viável com custos bastante compensatórios. Ainda assim, é fundamental que se criem linhas de cofinanciamento Nacional e/ou benefícios fiscais considerando que o tecido Empresarial Português e as Instituições Públicas de Ensino não têm capacidades suficientes para promover o leque de ações e intervenções necessárias. É imprescindível uma visão integrada e global para que toda Sociedade seja envolvida, com a finalidade de serem definidas as competências a transmitir e traçar de forma eficaz o limite estratégico de onde queremos chegar.

RH: Quanto ao desenvolvimento de soft skills … esta é uma medida prioritária para a transformação e desenvolvimento de talentos?
NF: Sim, é algo que consideramos prioritário e que nos parece um aspecto importante da Up Academy: o complemento das Hard Skills com Soft skills. Mais do que as competências técnicas, formamos os candidatos em termos comportamentais e comunicacionais nas seguintes áreas: Comunicação interpessoal; Comunicação em público; Mediação de conflitos; Liderança e trabalho em equipa; Orientação para o cliente; Pensamento crítico e criativo. Existe também um sistema gradual de aprendizagem e de integração no cliente. Todos os passos foram calculados com vista ao sucesso.

Por: Joana Madeira Alves, assistente editorial da Tema Central

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