Formação & Desenvolvimento

O impacto multigeracional no quotidiano das empresas

Atribui-se a Thomas Jefferson o aforismo de que “cada geração é um novo País”, deixando-nos o convite para não desmerecermos os ventos de mudança trazidos pelos mais novos.
Quanto aos soundbytes em torno das diferentes gerações de profissionais, creio que importará clarificar o impacto real por eles trazido para o quotidiano das empresas. Da minha observação direta, as diferenças intergeracionais subsistirão, mas em menor escala do que é, por vezes, reportado nos media. Para quem tenha de liderar pessoas e equipas, esta poderá ser uma boa notícia dado requerer mais ajustamento de “receitas” já testadas do que, propriamente, cortes disruptivos.
Na abordagem ao mercado de trabalho, os nativos digitais conhecem e dominam os meios de informação e surgem claramente melhor preparados nesse domínio do que as gerações anteriores. Estudam as empresas potencialmente mais interessantes, recolhem informação por via das suas redes de contactos, preparam-se para a ronda de entrevistas. Habituados a comportarem-se como consumidores informados, transferem essa atitude para as empresas que passarem no seu crivo seletivo. O employer branding é um critério importante, alavancado com a mentoria que receberam nas universidades. A notoriedade da marca corporativa, os valores institucionais que pratica, os reports formais (e sobretudo informais) sobre o estilo de liderança dos seus dirigentes, são ativos intangíveis influenciadores das decisões de candidatura. Dado o manancial de informação existente, todo o pormenor conta e aqui o word-of-mouth entre pares tenderá a ter um impacto fundamental!
Com a revolução digital em curso, a atração de talento passou a ser multicêntrica em matéria de recrutamento, com as primeiras fases do processo de seleção a serem, frequentemente, feitas online, sem contacto físico, presencial com as empresas. Em mercados dinâmicos e em expansão, com múltiplas ofertas, o tempo urge e candidatos e empregadores veem-se instados a agir depressa. A sociedade líquida definida por Bauman dita as regras e a criatividade das mensagens empresariais torna-se ainda mais crítica na atração de talento!
No panorama atual, os decisores empresariais deverão compreender o mosaico de mentalidades existente nas organizações, dado que os fatores de motivação vão-se modificando ao longo da carreira.
Tal como nas gerações anteriores, os nativos digitais chegam ao mercado de trabalho com expectativas nem sempre concretizáveis no prazo que gostariam.
A pedagogia dos líderes será aqui fundamental, ajustando os sonhos dos newcomers àquilo que a realidade de cada contexto poderá comportar.
“A realidade, às vezes, é chata, mas ainda é o único lugar onde se poderá comer um bife decente!”. (Woody Allen).

 

 

Por: Jaime Ferreira da Silva, managing partner da Dave Morgan

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