Formação & Desenvolvimento, Responsabilidade Social e Ambiental

Voluntariado é o maior exercício da democracia

A Fundação da Juventude tem nos seus pilares fundamentais a missão de realizar e apoiar iniciativas destinadas a promover a integração dos jovens na vida ativa e profissional, e um dos seus vetores estratégicos assenta na Cidadania e Voluntariado.
Ao longo de 29 anos, o voluntariado e a participação cívica estiveram, de forma transversal, presentes em toda a atividade desenvolvida pela Fundação.
Considerando que foram muitos os voluntários que colaboraram de forma proativa, interessada, eficaz e dinâmica, com resultados francamente satisfatórios nas iniciativas levadas a cabo pela Fundação da Juventude, mas também em iniciativas organizadas por diversas entidades e cuja coordenação dos voluntários ficou a cargo da Fundação, podemos assumir que os jovens portugueses valorizam muito esta forma de participação cívica.
São muitos os estudos, notícias, etc., que nos dão conta do afastamento dos jovens portugueses da vida política. Contudo, a Fundação da Juventude tem uma bolsa de jovens voluntários oriundos de todo o país que contraria alguns destes indicadores, e podemos afirmar que os jovens não se demitem da sua responsabilidade de participação cívica; fazemos é a leitura que, cada vez mais, estão conscientes de como e onde querem fazer essa participação.
Esta é, sem dúvida, uma das áreas a que atribuímos grande importância. O projeto de voluntariado da Fundação dá a oportunidade aos jovens portugueses de contribuírem para o desenvolvimento do país e da sociedade, de viverem experiências gratificantes que os fortaleçam enquanto cidadãos e novos profissionais, e de criarem laços de amizade com outros voluntários ao construírem um Portugal mais solidário.
Sendo o voluntariado uma atividade inerente ao exercício da cidadania que se traduz numa relação de solidariedade e de participação cívica individual e comunitária de forma livre, responsável e organizada, é de extrema importância que os jovens, desde tenra idade, possam integrar ações de voluntariado, pois permite que os mesmos desenvolvam competências pessoais, como capacidade de adaptação, atitude positiva, espírito de equipa, confiança e relacionamento interpessoal – atitudes essas cada vez mais essenciais na relação que diariamente possuem com os seus pares, mas também fundamentais para o mercado de trabalho. Estas competências vão auxiliar o voluntário no desenvolvimento diário da sua atividade escolar e mesmo em contexto de trabalho.
Desde 2002 que a Fundação da Juventude trabalha as questões do voluntariado de forma mais próxima, dando oportunidade aos jovens de frequentarem formação específica nesta área, dotando-os de competências próprias do que é ser um voluntário, permitindo-lhes uma educação para o voluntariado, possibilitando uma mudança de mentalidades e criando adultos mais altruístas, mais preocupados, mais atentos e mais ativos na sociedade.
Ao longo dos anos, a Fundação da Juventude tem realizado variadas ações de voluntariado de natureza diversa, apostando na área social, cultural, musical e desportiva. Com uma bolsa de voluntariado com mais de 2000 inscritos a nível nacional, realizamos mais de 15 ações de voluntariado por ano, envolvendo mais de 500 jovens a nível nacional. Todos os anos, muitos mais voluntários juntam-se a este projeto que permite aos jovens aumentarem a sua rede de contactos ao conhecerem outros voluntários com os quais iniciam relações de amizade, ao conhecerem o que fazem as entidades nas quais realizam o voluntariado e, muitas vezes, ao serem convidados para participarem em iniciativas decorrentes da sua participação no voluntariado. Aliás, muitas dessas iniciativas acabam por se transformar em situações de emprego efetivo.

Estas são algumas das vantagens que os jovens têm ao realizar voluntariado, mas existem muitas mais, como o enriquecimento curricular, dado que, cada vez mais, as empresas que realizam processos de recrutamento privilegiam os jovens que possuem nos seus curricula participações em voluntariado. Atualmente, as empresas atribuem às atividades extracurriculares um papel significativo no desenvolvimento do jovem, tanto a nível pessoal como profissional, e como tal o voluntariado aparece no topo da lista da análise curricular por parte das empresas contratantes.
O voluntariado é considerado como um complemento à atividade escolar/académica e é reconhecido pelos empresários pelas capacidades de adaptabilidade, flexibilidade, trabalho em equipa, responsabilidade e empatia. Estas características são altamente requisitadas no meio empresarial, pela sua importância e relevância.
Outra das vantagens é também o bom ambiente que se cria junto do grupo de voluntários, pois o objetivo de todos é comum: poderem ajudar de forma gratuita e desinteressada, mas ao mesmo tempo divertirem-se e criarem laços de amizade que perduram ao longo dos anos.
A Fundação da Juventude defende que todos os jovens que se inscrevem em ações de voluntariado devem possuir formação sobre o tema e serem conhecedores da legislação. Devem, também, no final da sua participação em atividades de voluntariado, possuir um certificado que ateste essa participação. Esse documento serve para comprovar junto das entidades empregadoras a sua participação ativa no voluntariado e na sociedade civil. Esta é, também, uma forma de valorizar o voluntariado e de evitar situações de “abuso”.
Consideramos que os jovens, que desde cedo se dedicam ao voluntariado e que participam nestas iniciativas, serão no futuro adultos possuidores de um espírito de cidadania e solidariedade mais premente. Acreditamos que o voluntariado deve ser feito de forma planificada e estruturada, pois dessa forma conseguimos contribuir para uma sociedade melhor e mais sustentável.

 

 

Por: Carla Mouro, presidente executiva da Fundação da Juventude

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