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Beckett. David Beckett. O “senhor pitch” sobe ao palco em Lisboa

David Beckett, o “pitch coach” das melhores startups do mundo e de muitas empresas internacionais cotadas em bolsa, fala, a propósito da sua visita a Portugal para uma conferência única no próximo dia 14 de março, dos segredos e da importância de um pitch perfeito.

O que é ser um “pitch coach”?

David Beckett (DB): Como treinador de pitch, ajudo startups e profissionais de grandes empresas a fazerem apresentações curtas, pressionadas pelo tempo, com um propósito claro. Normalmente, essa exposição é muito breve – geralmente de um, três ou cinco minutos – e tem como objetivo persuadir a audiência.
Passei os últimos seis anos a treinar centenas de startups e milhares de profissionais a lidar com o público e a pressão do tempo, construindo uma história clara e confiante que ao mesmo tempo comunica o valor do que fazem.

Ser pitch coach mudou a sua vida?

DB: Bem, o maior passo da minha vida foi fazer o pitch certo à minha esposa! Essa foi a história com maior impacto e que realmente mudou tudo para mim. Agora, mais a sério – sim, o pitching fez muita diferença na minha vida.
Amo o meu trabalho como pitch coach, porque vejo os resultados do meu trabalho na forma de comunicar das pessoas e sei o impacto que isso pode causar. Há uma diferença muito grande entre quem faz um ótimo discurso e um discurso errado. Ajudar todos os tipos de pessoas a crescer é um grande desafio e eu adoro ver os meus clientes serem bem-sucedidos.

Qual é a real importância do pitching? Agora todos falam sobre isso. É uma nova ferramenta de liderança ou apenas uma moda temporária?

DB: É certamente uma nova e futura ferramenta de liderança. Nos dias de hoje ninguém tem tempo, ninguém quer coisas complexas – todos nós estamos à procura de soluções fáceis, rápidas, que simplifiquem todos os aspetos da vida.
Uma “grande” apresentação, um “grande” pitch é a maneira ideal de chamar a atenção para a sua ideia de startup ou de negócio, porque dá a quem o ouve (público ou investidores) o suficiente, sem aborrecimentos ou sem fazer perder tempo de forma desnecessária. Digo mesmo que pitching é a “nova forma de apresentação”.

Qual a diferença entre ensinar para startups e grandes empresas?

DB: Os discursos corporativos e de startups são muito semelhantes em alguns aspetos. É essencial falar sobre o problema que se resolve, a solução que se criou, o que é único, como se destaca da concorrência, porque você está comprometido e entusiasmado com a sua proposta, que validações e vendas já foram feitas que provem que existe procura no mercado…
No entanto, a diferença principal está na necessidade de investimento. Numa startup, o pitch destina-se a conseguir mais meios financeiros, um patrocinador sénior, o apoio de outros departamentos e a médio prazo uma equipa maior. E há também uma diferença no papel da equipa. Nas startups, o foco está em cada pessoa da equipa e como cada um está comprometido com a solução do problema e na construção dessa empresa. Nas empresas consolidadas em processo de inovação corporativa, o mais importante são as mudanças que cada equipa tem ao seu cuidado, quais as suas lacunas e recursos e o que é preciso mudar para ter sucesso.

Qual foi o processo que o levou a criar o “The Pitch Canvas”?

DB: Em 2013, fui convidado para fazer um workshop no “Startupbootcamp” em Amesterdão. Vi vários pitches em vídeo de startups de sucesso – como a Presentain, iLost e Twoodo – e tentei identificar quais eram os elementos de um ótimo pitch para startups, e inventei o “Pitch Beat Sheet”. Pouco tempo depois, o Geoffrey Simon, CEO da Tag Tag City, sugeriu-me: “Por que não cria um ‘Pitch Canvas’? Já há um ‘Business Model Canvas’ que é utilizado por toda a gente e você poderia criar o mesmo para pitch”.
Isso ficou na minha cabeça e, em março de 2014, finalmente solidifiquei ideias e criei o primeiro rascunho do “The Pitch Canvas”. Foi um simples conjunto de post-its com 14 peças de conteúdo.
Depois, mostrei-o a centenas de pessoas que fizeram ou ouviram o “Pitch Canvas” para validar se esse era o conteúdo certo e para ter certeza de que isso realmente ajudaria as pessoas a construir o discurso.
O “Pitch Canvas” passou por cerca de 40 revisões e está agora firmemente consolidado. É totalmente gratuito e as pessoas fazem pelo menos 250 downloads por semana, o que me deixa muito feliz. Isso significa que pelo menos mil pessoas por mês têm acesso a uma ferramenta que as ajuda a começar a fazer um discurso vencedor.

Você ajuda as pessoas a obter os melhores três minutos. Porquê três e não quatro ou cinco?

DB: Eu escolhi o nome da empresa Best3Minutes, porque um pitch de três minutos é o mais comum em eventos de pitch e competições. Também acredito fortemente no poder do número três, e qualquer pessoa que tenha participado nos meus workshops sabe ao que me refiro.
Naturalmente que as ferramentas que partilho também funcionam num discurso de um, cinco ou sete minutos – ou até mesmo para uma apresentação de uma hora. Treinei muitos palestrantes do TEDx e eles usam praticamente as mesmas ferramentas. O objetivo é dar às pessoas um conjunto de etapas a serem seguidas, para que possam construir seu pitch pessoal, peça por peça, sem se sentirem “esmagadas” por terem de falar em público – verdadeiramente a duração é o que importa menos. É a mais adequada a cada situação.

Quais são as coisas mais importantes que um pitch coach ensina aos seus “alunos”?

DB: São três coisas verdadeiramente (risos). Em primeiro lugar é a orientação sobre o que dizer e o que não dizer. E isso é feito com uma base científica – milhares de horas de coaching e centenas de entrevistas com investidores e diretores de topo, o chamado C-level. Em segundo lugar, mas também muito importante, é “ensinar” a gerir a pressão do tempo e a manter o foco, mantendo uma mensagem muito simples. Em terceiro, dar confiança, dizendo-lhes não apenas o que precisam melhorar, mas também dizer o que está bem, reafirmando até que ponto eles chegaram.
Acima de tudo, acredito que o meu trabalho como pitch coach é dar as ferramentas que as pessoas possam realmente usar para realizar a tarefa ao mais alto nível, com melhores resultados. Não adianta simplesmente entender como fazê-lo – precisam de ser capazes de fazer exercícios e tarefas que os ajudem realmente a falar, a falar com mais clareza e confiança quando confrontados com uma audiência.

Como surgiu a oportunidade de vir a Portugal?

DB: Conheci a Romana Ibrahim e o José Manuel Diogo no “Startupbootcamp” de Amesterdão durante os meus workshops. Através deles soube que existem muitas startups e profissionais que poderiam beneficiar dos meus métodos e ferramentas em Portugal – e estou absolutamente encantado em fazê-lo.

Já conhecia o ecossistema português de empresas e startups?

DB: Sim, tinha perfeito conhecimento da força de Portugal enquanto ecossistema e, ao longo dos anos, treinei várias equipas portuguesas.

Pensa que Portugal é apenas um “hub” temporário ou pode mesmo tornar-se um ponto importante no roteiro de inovação do mundo?

DB: Esse é um enorme desafio para qualquer cidade ou região que queira ser líder em inovação. A chave, acredito, é escolher uma área específica de força, com base no DNA do país, e focarem-se nela ao máximo para se diferenciarem dos outros. Também acredito que a colaboração seja um elemento chave. Pessoalmente, vivo em Amesterdão, que todos sabemos que quer ser uma líder mundial em inovação. Mais uma vez, é uma questão de foco. Por se tratar de uma cidade muito pequena, a melhor maneira de concretizá-lo é que a cidade se associe a outras – mesmo que seja com cidades de outros países. Essa mesma abordagem pode funcionar para Portugal.

O que é que as pessoas podem esperar das suas duas conferências em Portugal? Existe uma grande diferença entre ensinar empresários C-level e alunos universitários ou jovens empreendedores?

DB: Os workshops têm pontos comuns, e outros muito diferentes. Ambos receberão ferramentas práticas, materiais para lembrá-los das ferramentas e será bastante interativo no sentido do que os participantes vão experimentar in loco. O conjunto de ações que as pessoas podem tomar durante e após o workshop serve para aumentar drasticamente a qualidade dos seus pitches. A maior diferença está em alguns detalhes sobre o conteúdo. Por exemplo, para pessoas experientes, vamos concentrar-nos em como comunicar experiências e realizações. Para pessoas no início das suas carreiras, estaremos focados em diferentes aspetos de carácter. Acima de tudo, são ferramentas testadas em diversos setores, desde startups a corporates, e incluem como construir uma história e saber comunicá-la com paixão.

As pessoas podem esperar ver diferenças reais no seu pitch depois de assistirem às suas conferências no dia 14 de março em Lisboa?

DB: Sim, absolutamente. Já ajudei centenas de startups a criarem pitches fortes e confiantes, e as ferramentas que trago são comprovadas e trazem uma mudança real na maneira como as pessoas se preparam e oferecem pitches vencedores. Além disso, todos os participantes têm como suporte um conjunto de ferramentas impressas e online para ajudá-los no desenvolvimento após a conferência.

E isso vai mudar as suas vidas?

DB: A vida dos participantes muda durante os workshops. Infelizmente, na escola não aprendemos a falar em público – e acredito que devíamos aprender, porque temos de falar em público muitas vezes na nossa vida, não só a nível profissional, mas também pessoal. Quando não comunicamos corretamente, pomos em risco a nossa confiança. Mas quando corre bem, as pessoas crescem e a sua confiança também. Esta conferência dará a todos os seus participantes as ferramentas para aumentar a qualidade dos seus pitches e, claro, os elementos necessários para darem grandes passos a nível de desenvolvimento pessoal.

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