Medir e Certificar

Avaliação da Satisfação, Lealdade e Envolvimento dos Ativos Humanos: Contributo do Observatório Nacional de Recursos Humanos

O papel da Função Recursos Humanos nas organizações tem vindo a alterar-se ao longo dos tempos. No início, a função RH era encarada como uma função de staff, e o seu papel era predominantemente administrativo, sendo o resultado do seu trabalho encarado como uma commodity. Com a transição para uma economia baseada no conhecimento e a crescente importância dos colaboradores nesse domínio, a Função RH passou a ocupar um lugar central nas organizações. O crescente interesse nos intangíveis e no contributo dos RH para a estratégia global das organizações estão na base do desenvolvimento recente na investigação, no âmbito da gestão estratégica de recursos humanos e metodologias de medição e análise da própria função RH e das perceções dos ativos humanos.

Por: João D’Orey, diretor executivo ONRH

O Papel do ONRH

Atento a esta realidade, foi criado em 2002 o Observatório Nacional de Recursos Humanos. Este observatório permite desenvolver um sistema de avaliação e compreensão dos fatores conducentes à satisfação, lealdade e envolvimento dos colaboradores, baseado num conjunto de indicadores disponibilizados periodicamente.

Assente numa metodologia rigorosa e científica de recolha e tratamento da informação, o tratamento estatístico avançado, que é efetuado a partir dos dados obtidos em cada organização, permite identificar, de um modo muito pragmático, domínios concretos de intervenção prioritária e implementação de ações de melhoria, convertendo assim a avaliação da satisfação dos colaboradores numa poderosa e eficaz ferramenta de gestão.

A metodologia adotada no ONRH reflete as melhores práticas disponíveis no estudo da satisfação dos colaboradores, metrologia de perceções e referenciais da qualidade, assumindo características inovadoras. Uma contribuição importante da metodologia adotada no ONRH reside na utilização e estimação de um modelo de satisfação do colaborador adaptado à realidade de cada organização em estudo.

Acresce ainda a estas vantagens a capacidade da metodologia conduzir a ganhos de precisão relativamente aos indicadores obtidos, respetiva significância estatística e impacte quantitativo na organização.

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Figura 1. Exemplo de Modelo Estrutural do ONRH

 

Principais Resultados Agregados de 2014

Com periodicidade anual, o ONRH efetua o apuramento dos resultados agregados decorrentes da aplicação do questionário em diversas organizações portuguesas públicas e privadas.

Os indicadores agregados do ONRH referentes ao ano de 2014 resultam da aplicação de um questionário padrão base, constituído por 52 questões, posteriormente agrupadas em 12 dimensões, aplicado em organizações portuguesas públicas e privadas. Os resultados obtidos englobam um universo de 19 251 respondentes, sendo que, das respostas obtidas, 55,6% provêm de colaboradores de organizações públicas e 44,4% de colaboradores de organizações privadas.

Na análise dos principais indicadores agregados de 2014, verifica-se que o índice médio de Satisfação atingiu os 59,5 pontos, o índice de Lealdade 67,9, e o Envolvimento 77,1, sendo esta última dimensão a que regista um valor médio mais elevado. Por oposição, a dimensão Reconhecimento e Recompensa (50,2) é a que regista um valor médio mais baixo.

Em 2014, todas as dimensões estudadas registaram um ligeiro decréscimo comparativamente a 2013, invertendo assim a evolução positiva verificada nos dois últimos anos. A diminuição mais acentuada verificou-se nas dimensões: Lealdade (-0,44), Reconhecimento e Recompensa (-0,40), Relações com Chefias (-0,36) e Satisfação (-0,35).

No que respeita à dispersão de resultados associada a cada dimensão, constata-se que a dimensão Envolvimento é aquela que apresenta uma menor distância entre o máximo e o mínimo das organizações estudadas (24,79 pontos). Por outro lado, a dimensão Lealdade é aquela que regista a maior diferença entre o máximo e o mínimo (40,96 pontos), seguida da Satisfação com 36,02 pontos de diferença, o que evidencia que existem diferenças significativas nos níveis de satisfação, lealdade e envolvimento dos colaboradores das organizações estudadas.

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Figura 2. Índices Nacionais de 2014, por dimensão.

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Figura 3. Evolução dos Índices das Dimensões (2013-2014).

A análise estratificada da satisfação continua a mostrar padrões semelhantes aos dos anos anteriores, evidenciando que os colaboradores que apresentam níveis mais elevados de satisfação são os que têm entre 18 e 25 anos, e os que estão há menos de um ano na organização. No que respeita às habilitações literárias, os colaboradores com o ensino secundário ou o ensino superior registam níveis de satisfação inferiores aos dos seus colegas de trabalho com habilitações mais baixas (ensino básico). Por posição hierárquica, os que ocupam posições de chefia apresentam valores médios de satisfação mais elevada, do que os restantes colaboradores.

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Figura 4. Estratificação da Satisfação.

Centrando agora a análise ao nível da natureza das organizações estudadas, verifica-se que, (figura 3) no setor privado, o valor médio das dimensões é superior ao valor observado para o setor público, com exceção do Envolvimento (-0,1) e da Qualidade (-0,5).

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Figura 5. Índices médios dos setores público e privado (2014).

Ao nível dos indicadores de base (expressos na escala de 1 a 10), que compõem as várias dimensões, verifica-se, pela análise da figura 6, que os valores médios mais elevados são referentes à Dedicação e empenho pela empresa/organização (8,4), à Consciência da importância do trabalho realizado para os objetivos da qualidade da empresa/organização (7,8) e à Vontade de permanecer ligado à empresa/organização (7,7). Por oposição, os indicadores com valores médios mais baixos são a Satisfação com as atividades desportivas, culturais e de convívio promovidas pela empresa/organização (4,5),  a oportunidades de progressão profissional (4,9) e o sentimento de estar a ser bem pago (5,0).

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Figura 6. Indicadores com valores médios mais elevados.

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Figura 7. Indicadores com valores médios mais baixos.

Analisando agora as diferenças entre os valores médios dos indicadores por setores, verifica-se que o setor privado apresenta valorizações médias acima do setor público (em linha com as respetivas dimensões), destacando-se positivamente com maiores diferenças nos indicadores Regalias e benefícios concedidos, Satisfação com a formação recebida, e Vontade de recomendar a um amigo a empresa/organização.

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Figura 8. Maiores diferenças entre o setor privado e o setor público
(privado> público) ao nível dos indicadores base.

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