Outplacement e Internacionalização

As empresas não existem no vácuo

As organizações não existem no vácuo. As empresas mais competitivas a nível global são hoje organizações criadoras de conhecimento e produtoras de inovação. Vivemos e operamos num mundo mutável, dinâmico e competitivo onde o mercado é global e transversal: pode-se mais facilmente encontrar um colaborador com as características que se deseja sem ter custos com a sua formação, há a possibilidade da construção de uma carreira passando por diversas empresas e em vários países. A Startup Lisboa e as empresas nela incubadas são bons exemplos de entidades que albergam profissionalmente colaboradores de vários países ou que tiveram a sua formação no estrangeiro, o que funciona como uma mais-valia para a empresa. As vantagens em se ter colaboradores com um maior número de experiencias laborais, de vivências e uma vasta e diversa rede de contactos são enormes: para além de serem pessoas muito menos resistentes à mudança, estas aportam um conhecimento transversal, que se afasta ou aproxima da realidade nacional, mas cujas algumas especificidades poderão ser adoptadas para impulsionar ou inovar as suas entidades. Por outro lado, este mundo à “distância de um clique” alterou profundamente a nossa rotina laboral: a hierarquia e trabalho passa a ser por projeto, havendo a possibilidade de distribuição e planeamento do mesmo à distância presencial, mas sempre junto do cliente, em contacto sistemático, num acompanhamento contínuo, o que reformulou toda a lógica laboral que não tem de ser feita presencialmente. Essa alteração resultou igualmente em novas formas de pagamento, que passam a ser indexadas aos resultados. É esta a lógica do mercado atual. Enquanto sistemas abertos, as organizações operam através de mecanismos de cooperação e de competição com outras entidades e lutam contra outras organizações para manter os seus domínios e mercados e, em simultâneo, com o escopo de alcançar novos mercados. O problema de muitas empresas reside no facto de acharem que os mercados internacionais estão demasiado distantes e que o caminho a iniciar resultará num périplo incessante e sem fim à vista. Poucas são aquelas que percepcionam a internacionalização enquanto um elemento crucial para a troca de sinergias, nomeadamente ao nível da criação de parcerias, aproveitamento de canais de distribuição internacionais, fortalecimento da posição comercial e, sobretudo, garante de notoriedade. Quando uma empresa encara como estratégia de desenvolvimento a internacionalização dos seus negócios, ela tem basicamente três grandes opções possíveis: a atuação isolada e independente, a criação de subsidiárias no estrangeiro ou a colaboração com outras empresas. A criação ou aquisição de subsidiárias no estrangeiro é a grande hipótese que se coloca aos empresários portugueses. O grau de controlo é maior e o tipo de gestão deixa de ser o da empresa individual passando a enquadrar-se numa lógica de grupo. A cooperação empresarial é uma situação intermédia entre a atuação isolada e a criação de subsidiárias. Elas interagem não só com clientes e fornecedores mas também com concorrentes, organismos estatais, instituições financeiras, clientes de clientes, etc. É a partir daqui que se pode ir desenvolvendo uma confiança mútua que poderá propiciar vantagens quer ao nível da estabilidade e segurança do negócio bem como ao nível da eficiência e produtividade. A colaboração entre empresas nacionais e estrangeiras poderá minimizar algumas das insuficiências mais marcantes da nossa economia como a pequena dimensão da maioria das empresas, escassez de quadros médios e superiores, insuficiência organizacional de muitas empresas, falta de cultura empresarial. A partilha das despesas de investimento pelas várias entidades associadas no projeto de cooperação possibilita que cada uma delas individualmente invista menos do que caso viesse a lançar esse projeto de forma isolada. A nível global o próprio investimento pode vir a ser menor, resultando daí menores necessidades de financiamento. Uma empresa ao internacionalizar a sua atividade, pode localizar os seus vários elementos de cadeia de valor – investigação, produção, distribuição e desenvolvimento – onde for mais vantajoso e onde tiver um maior número de recursos essenciais ao bom funcionamento do projeto. Da cooperação entre organizações com recursos e aptidões diferentes podem resultar sinergias na fase de projeto que deem origem a menores investimentos em equipamentos, fundo de maneio, formação de pessoal e prospecção e promoção no mercado. A utilização de recursos complementares e subaproveitados dá origem a sinergias na área produtiva (por exemplo, pela partilha de equipamentos e instalações), na área comercial (por exemplo, pela partilha de redes de distribuição, forças de vendas e campanhas promocionais), na área técnica (pela partilha de know-how e de quadros técnicos médios e superiores), na área dos aprovisionamentos (resultante da partilha de redes de abastecimento), conduzindo a custos mais baixos. A readequação das empresas, revisão dos valores, missões e objectivos em função de adaptações a um novo perfil do mercado consumidor, bem como as características dos profissionais da Hei Communication, fez com que tivéssemos necessidade de procurar pares junto de mercados que nos são próximos – quer geograficamente, numa primeira fase, quer culturalmente. Queremos afastar-nos da atitude centralizada e de resistência à mudança tecnológica ainda muito característica das empresas portuguesas, e posicionar-nos enquanto entidade inovadora, profissional e culturalmente transversal, cujo objetivo primordial reside na construção de uma equipa e projetos globais de qualidade e criatividade certificada. E tal apenas é possível ultrapassando as fronteiras espaciais, mentais e culturais. 


Hugo Israel
Fundador da Hei Communication

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