Entrevistas, Outplacement e Internacionalização

Seresco coloca em marcha um processo de internacionalização

A Seresco, com quase 50 anos de experiência, colocou em marcha um processo de internacionalização tendo por base o mercado Português e da américa Latina, procurando replicar o êxito alcançado em Espanha.
O RHonline esteve à conversa com Reyes Palomares, Diretora para a área de negócio de Processamento Salarial e Gestão Administrativa de RH, que nos explicou a importância da aposta na inovação dos seus produtos e numa melhoria constante do serviço de apoio aos clientes.

RHonline (RH): O que levou a Seresco a avançar com o processo de internacionalização?

Reyes Palomares (RP): Em 47 anos de experiência, a filosofia da empresa manteve-se sempre a mesma: prosseguir um crescimento lógico e sustentável do negócio. Em 2015, registámos um crescimento de 8% na faturação e criámos 50 novos empregos, em resultado também da nossa aposta pela internacionalização do negócio. De facto, em cinco anos deixámos de ter todo o nosso negócio em Espanha para passar a ter 20% no estrangeiro. Seguindo essa linha, decidimos abrir uma filial em Portugal com o nome Seresco Atlântico, para oferecer serviços de outsourcing de processamento salarial. O mercado português significa uma grande oportunidade para nós por podermos prestar serviços que nos dias de hoje ainda não estão tão bem implementados em Portugal como estão em Espanha. Queremos replicar o modelo de sucesso que temos em Espanha, país em que somos hoje um dos principais players de serviços de recursos humanos, trazendo aos nossos clientes um aporte de valor e dando resposta a necessidades identificadas. Mais recentemente, abrimos uma outra filial no Equador, Seresco América, focada principalmente na área de negócio de cartografia e cadastro para a América Latina, com projetos em países como Equador, Costa Rica ou Nicarágua.

RH: Numa perspetiva de recursos humanos, o que é que foi feito para preparar a internacionalização?

RP: Antes da abertura da filial em Portugal, a Seresco já tinha experiência no mercado, prestando serviços de outsourcing de processamento salarial indiretamente através de Espanha para a sua carteira de clientes. Hoje em dia, temos à disposição dos nossos clientes uma equipa de profissionais especializada e pronta a apresentar a melhor resposta às necessidades diárias dos clientes, otimizando o apoio ao cliente e assegurando uma ainda melhor adaptação às especificidades do mercado Português.

RH: A internacionalização abre novas possibilidades de colaboração ou cada filial trabalha de forma independente?

RP: O êxito do nosso trabalho na Seresco Atlântico baseia-se na coordenação entre as nossas equipas de Espanha e Portugal para garantir um serviço personalizado e orientado às especificidades dos nossos clientes. Em Portugal, para além do conhecimento profundo do mercado, acompanhamos os nossos clientes no desenvolvimento de projetos, desde as primeiras fases de consultoria, até à implementação e suporte técnico. Por outro lado, a nossa equipa técnica sediada em Espanha, trabalha também em colaboração, disponibilizando o necessário apoio técnico e tecnológico sempre que se justifica.

RH: Qual é o papel da inovação na estratégia?

RP: A inovação é um pilar estratégico na relação com os clientes. Contamos com uma equipa própria de I&D que procura constantemente desenvolver tecnologias que otimizem a mobilidade e permitam aos responsáveis de RH trabalhar de forma mais intuitiva e eficiente. Em 2015, canalizámos 10% dos nossos proveitos em investigação para proporcionar aos nossos clientes soluções e funcionalidades que melhorem a nossa oferta de serviços. Nesse sentido, estamos a trabalhar para responder às necessidades de mobilidade dos gestores dos nossos dias e apresentaremos ainda este ano, em Portugal, a Milena Web, uma plataforma de gestão de processamento salarial e recursos humanos que tem por base a tecnologia consolidada da Milena Personal e que estamos já a apresentar em Espanha.

RH: Quais são as políticas de RH críticas para a Seresco?

RP: Enquanto empresa que opera no setor tecnológico os desafios que enfrentamos são exigentes. O mercado tem uma grande necessidade de profissionais com elevado conhecimento técnico que saibam adaptar-se às constantes mudanças que a transformação digital e a indústria 4.0 exigem. Os postos de trabalho evoluíram, podemos até dizer que nos próximos 10 anos, metade dos trabalhadores estarão colocados em empregos que ainda não existem.
Na Seresco, agora como sempre, apostamos em profissionais que para além de apresentarem elevadas competências técnicas, queiram contribuir para a geração de valor e que se adaptem às necessidades dos nossos clientes. Estamos seguros de estar a seguir o caminho certo e a prová-lo estão alguns dos nossos números: 81,87% dos nossos colaboradores têm contratos sem termos e o índice de rotatividade é inferior a 1,5%.

RH: Qual é a oferta de valor da Seresco para atrair e reter talento?

RP: Num mercado altamente competitivo pela necessidade de talento tecnológico, oferecemos aos nossos colaboradores um modelo que lhes permite crescer, estando à frente do setor, e contribuir para o desenvolvimento da Seresco. O talento é, sem dúvida, a base para o nosso crescimento, e por isso mesmo colocamos nas mãos dos nossos colaboradores a definição de medidas de conciliação de acordo com as suas necessidades, benefícios sociais, estabilidade e salário emocional, entre outros.

RH: Como se fomenta a inovação e a criatividade em áreas totalmente tecnológicas?

RP: A nossa aposta em inovação não se limita apenas a uma oferta de serviços e soluções novas, mas também a um contacto próximo com o cliente que assegura uma antecipação das suas necessidades. Cada um dos nossos clientes tem necessidades muito específicas, motivadas pelas particularidades dos negócios e procuramos oferecer-lhes continuamente as soluções e requisitos que lhes vão dar a melhor resposta adaptada à sua missão. Esta proposta de valor permite-nos assegurar um elevado grau de satisfação por parte dos nossos clientes, contado com um dos loyalty racio mais elevados do mercado: 25 anos. É por isso também que registamos que, num negócio tão dinâmico como o outsourcing de processamento salarial, 40% dos nossos clientes estejam com a Seresco há mais de 10 anos.

RH: Como é que o projeto de Salários Solidários se enquadra na RSC?

RP: O projeto de Salários Solidários da Seresco surge como uma iniciativa para canalizar a solidariedade da empresa a par com o crescimento e evolução do negócio. Enquanto empresa acreditamos que temos uma responsabilidade, claro, com os nossos colaboradores, mas também com o ambiente e as comunidades que nos rodeiam. Por esse motivo, estamos empenhados no sucesso desta iniciativa que nos tem permitido atribuir, todos os anos, um apoio a causas sociais por cada cliente que escolhe externalizar a gestão do processamento salarial com a Seresco. Por cada novo salário processado, a Seresco entrega 60 cêntimos. Em 2015 registamos um aumento de 15%, comparativamente com o ano anterior, do número de salários processado, superando os 4.700. E com este valor conseguimos apoiar projetos específicos em Espanha e América Latina.

RH: Têm registado um aumento do número de serviços de BPO?

RP: Num setor tão dinâmico e disperso, o que os nossos clientes mais nos pedem é flexibilidade. A nossa oferta de serviços tem estado a evoluir constantemente para que se consiga adaptar e acompanhar o ritmo. Apresentámos recentemente a aplicação Milena Web, uma plataforma baseada na nossa solução de gestão de recursos humanos – Milena Personal – que integra o novo portal do empregado mais adaptado para ambientes em que a mobilidade é uma questão sempre presente. De facto, esta aplicação permite-nos dar resposta à crescente gestão dos recursos humanos através de dispositivos móveis e torna possíveis as decisões das empresas, em qualquer lugar e em qualquer momento, desde que seja possível a ligação à internet.
Por isso também temos consciência da exigência do mercado por um modelo que compreenda os requisitos de cada organização e que se adapte à sua evolução. Não basta oferecer serviços de elevado valor, é necessária uma oferta que garanta flexibilidade para incorporar novos elementos que melhorem a mobilidade, evitem processos repetitivos, otimizem a comunicação dentro das organizações, etc. Como parte desta flexibilidade está a nossa participação na Payroll Services Alliance, a primeira aliança de fornecedores e key players de processamento salarial na Europa, Estado Unidos e Canadá. É através desta aliança que ratificamos a nossa capacidade de conferir ao setor e aos distintos clientes da Aliança o conhecimento e especialização da Seresco no mercado ibérico.

RH: Quais as expetativas que a Seresco tem para o mercado do software de gestão a nível Ibérico? Podemos ainda falar de novos produtos e serviços?

RP: O mercado continua a evoluir para uma personalização cada vez maior das soluções tecnológicas em resposta às necessidades das organizações. Cada vez mais trabalhamos fora do nosso posto de trabalho, através de dispositivos móveis. Esta mobilidade exige uma adaptação das ferramentas, nomeadamente do software de gestão de recursos humanos, para que possamos aceder e trabalhar com elas em qualquer momento através dos nossos smartphones ou tablets.
Para a Seresco, é estratégica a aposta pela mobilidade e precisamente por isso apostámos no lançamento da Milena Web, idealizando – para o seu desenvolvimento – a otimização da experiência do utilizador, com as funcionalidades de acesso a partir de qualquer dispositivo, a visualização online de ficheiros ou um sistema de gestão documental pensados para as necessidades do dia a dia.

RH: O que vos diferencia de uma empresa de software?

RP: Na Seresco assumimos o serviço como a chave para o sucesso do negócio. Os nossos clientes são, de facto, o nosso melhor ativo, o que nos tem permitido, após 47 anos desde a fundação da Seresco, continuar a prestar um serviço que obedece aos mais elevados padrões de qualidade e que nos posiciona entre os líderes de mercado em Espanha. Trabalhamos lado a lado com os clientes, acompanhando-os nas suas necessidades. Com esta visão conseguimos assegurar a gestão de 1,6 milhões de salários, mais 6% que em 2014, o que equivale a uma massa salarial de 1.169 milhões de euros.

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