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Opinião online, Outplacement e Internacionalização

Experiências de internacionalização

Fui para Madrid, no início de 2013, por motivos profissionais, tendo sido convidado, na altura, para dirigir as operações de uma empresa de tecnologia, especializada em consultoria e desenvolvimento de software de jogo online, atividade que havia sido recentemente legislada e regulada em Espanha (2012).
Foi para mim uma oportunidade de poder dar o meu contributo, enquanto gestor, numa empresa que se encontrava em franco crescimento, mas que padecia de uma série de desafios operacionais, naturais nas empresas que crescem muito em pouco tempo, com deficiências estruturais de base. E, concomitantemente, de aprendizagem numa área emergente em que me estava a especializar já há alguns anos e na qual desejava continuar a desenvolver e a profundar as minhas competências – o jogo online.
O processo de mudança de Portugal para Espanha foi relativamente fácil, pese embora o facto de esta empresa não ter nenhum pacote para expatriados o que me obrigou a tratar de todo o processo por conta própria. Contudo, Portugal e Espanha, apesar das diferenças culturais, são países em que o modelo de organização social e burocrático são bastante similares e não existem grandes barreiras formais ou institucionais na passagem de um país ao outro. Por outro lado, acabei por ter a sorte de ter já alguns amigos a viverem em Madrid, cuja experiência foi fulcral e facilitadora no processo e na tomada de conhecimento de certos detalhes que, de outra forma, provavelmente seria impossível.
A família (mulher e filhos de onze e oito anos) juntou-se a mim mais tarde, logo que o ano letivo terminou em Portugal, isto foi, em julho de 2013. Em termos familiares foi um momento de reforço da união e em que juntos fortalecemos laços, já que qualquer mudança nos retira forçosamente da nossa zona de conforto e naturalmente nos afasta daqueles que mais nos são próximos (família e amigos). Enquanto pais, sempre estivemos muito atentos à adaptação das crianças, sendo que esta se desenvolveu de forma bastante interessante e fácil, tanto no condomínio onde vivíamos, como também ao nível escolar. Aproveitámos o verão para que as crianças pudessem ter aulas de espanhol e o convívio com outras crianças no condomínio fizesse o resto. Quando iniciaram as aulas em setembro desse ano, tanto a Madalena como o Rodrigo já falavam bastante bem espanhol (com alguns naturais portuguesismos à mistura). Para eles, a experiência da mudança foi bastante positiva, pois aprenderam uma segunda língua (no caso, também o inglês e o alemão, parte do curriculum escolar) e tiveram uma experiência de vida que os prepara para que, no futuro, possam encarar uma provável mudança de país com outros olhos e de forma bastante positiva.
Enquanto família e indivíduos fomos muito bem recebidos em Espanha, onde fizemos uma série de novos amigos, tanto espanhóis, quanto portugueses (há uma grande comunidade de portugueses a viver em Madrid). Estamos muito gratos a todos os que tão bem nos receberam e que nos ajudaram numa integração, num outro país, que não vejo como poderia ter sido ou corrido melhor.
Mais tarde, em meados de 2014, acabei por sair da empresa onde estava e decidi montar a minha própria atividade na minha área de especialização. Atividade que mantenho até à data (e já lá vão quase três anos) e que admito ser o modelo em que pretendo continuar nos próximos anos, já que desta forma independente e com a minha própria empresa, tenho a liberdade para dar o meu contributo a bastantes mais empresas, minhas clientes, que assessoro e que usam a minha experiência e conhecimentos em funções tão distintas que vão desde a estratégia à operação, passando pelo desenvolvimento de modelos e planos de negócio, pela estruturação de joint-ventures ou pelo desenvolvimento comercial de negócio, atuando não apenas na Europa, mas também na América Latina e na Ásia.

Por: Rui Magalhães, consultor de business strategy and development

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