Outplacement e Internacionalização

Sair do país: será que compensa assim tanto?

Muitas vezes questionamo-nos sobre quanto ganha uma pessoa com o mesmo cargo num outro país. Esta foi uma das razões que levou a Seresco a desenvolver um estudo comparativo onde são analisados diferentes recibos de vencimento, um de cada país, de forma a perceber como é que os recibos de vencimento dos diferentes países refletem essa realidade. Considerando que as folhas salariais variam de país para país de acordo com legislação de cada território, estas podem apresentar várias nuances. No estudo desenvolvido pela Seresco, foram analisados os recibos de vencimento de cinco países europeus: Portugal, Espanha, França, Alemanha e Reino Unido. Em parceria com a Payroll Services Alliance, uma rede internacional de soluções salariais, pretendemos com este levantamento aferir as diferentes realidades em cada país no respeitante ao processamento salarial. Este estudo foi desenvolvido no setor das telecomunicações e comparou as folhas salariais de quadros de empresas com cargos de direção e rendimentos brutos anuais de cerca de 60.000€.

Apesar de parecer ser apenas um recibo, a folha salarial tem vindo a ganhar algum reconhecimento por ser uma fonte de informação importante. Os dados extraídos da folha salarial contêm mais de metade da informação necessária sobre o rendimento dos colaboradores, a retenção de talento e a rotatividade de trabalhadores, tornando-se relevante na tomada de decisões de negócios. No referente a Portugal, um recibo de vencimento deve ter várias informações: a identificação do empregador, a do colaborador e a identificação do que está a ser pago (valor bruto, subsídios, descontos e deduções e montante líquido a receber). Apesar de muitos trabalhadores não saberem, a entrega da folha de vencimento é um direito que lhes assiste, e a entidade patronal tem o dever de a entregar. Embora se verifique que não ocorre frequentemente, o recibo de vencimento deve ser sempre conferido: os valores brutos, as taxas aplicadas, os dias de trabalho pagos, os dias referentes ao subsídio de alimentação.

No estudo desenvolvido, verificou-se que Portugal é o país europeu onde os colaboradores fazem menos deduções (anteriormente existiam quatro mas, devido à eliminação dos duodécimos, existem agora duas deduções). De acordo com a nossa análise, os colaboradores que se inserem no caso observado recebem dois subsídios anuais e o salário bruto mensal é mais baixo que nos demais países. Em relação aos rendimentos em espécie, em Portugal esta rubrica não se encontra adicionada ao valor do salário bruto, não sendo também contabilizada para efeitos de IRS ou de Segurança Social. A atribuição de viaturas não é tributada mensalmente, mas anualmente. E contrariamente a alguns dos países analisados no estudo, a folha salarial em Portugal não reflete o custo do colaborador para a empresa.

De acordo com o referido anteriormente, cada país tem a sua folha salarial. E, frequentemente, a de outro país pode parecer mais atrativa. O rendimento líquido pode ser maior; podem haver menos descontos. Como vemos neste estudo, por vezes, apesar do rendimento líquido ser maior, o salário ao fim do ano pode ser exatamente o mesmo de outro país. É justamente nesta circunstância que reside parte da importância de se saber ler com exatidão uma folha salarial.

Imaginemos que um trabalhador português deseja mudar de país e que essa decisão se baseia unicamente em questões salariais: é muito importante que o colaborador esteja em pleno conhecimento do que irá encontrar! É importante que, antes da tomada de decisão, consulte um recibo de vencimento do país para onde pretende ir e perceber se lhe compensa assim tanto fazer essa mudança. Saber ler um recibo de vencimento é uma skill de literacia financeira importante para qualquer pessoa, de qualquer idade ou classe social, de forma a que esta consiga tomar decisões corretas. Não é uma tarefa apenas dos Recursos Humanos: é uma necessidade importante para a tomada de decisões do dia-a-dia de qualquer pessoa.

Quando pensamos do lado da empresa e não do colaborador, todas as nuances que observamos nas folhas salariais analisadas revelam uma necessidade de avançados conhecimentos de natureza legal, assim como de procedimentos burocráticos que, por vezes, constituem verdadeiros obstáculos. Para empresas multinacionais, que estão presentes em vários países e têm muitos colaboradores expatriados, é mais proveituoso recorrer a um sistema de outsourcing de processamento salarial. Na Seresco fornecemos esse serviço a várias multinacionais que, para além de contarem com o nosso know-how acumulado ao longo dos nossos 50 anos de existência, contam também com a experiência do nosso parceiro Payroll Services Alliance. Por ser uma rede internacional de soluções salariais, a Payroll Services Alliance está preparada para oferecer este serviço, com todas as condições necessárias para os desafios burocráticos e legais que o processamento salarial internacional apresenta. No caso das PME e das startups que almejem a internacionalização, recorrer ao outsourcing poderá ser a opção mais indicada, tanto pelo know-how como pela poupança de tempo e de custos que permite. Mas mais do que o fornecimento de um serviço de outsourcing, oferecemos um serviço de consultoria. Fazemos um estudo onde são analisadas as características da folha salarial de cada empresa, adaptando-a ao modelo de negócio de cada cliente. Tentamos estar o mais atualizados possível, tanto ao nível de software como de consultoria e apoio, no que diz respeito ao processamento salarial internacional. No caso desta internacionalização, a nossa perspetiva é clara: a empresa tem de estar preparada mas o fornecedor de processamento salarial e de Recursos Humanos deverá estar ainda mais preparado para dar o apoio certo a esta internacionalização e dar resposta aos desafios desta recorrentes.

 

 

Por: Rita Mourinha, responsável da Seresco em Portugal

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