Outsourcing

Outsoursing é a chave para a poupança no Estado

O mercado de outsourcing em Portugal está a atingir a maturidade, quer por parte dos clientes, quer dos providers ou das empresas que prestam este serviço, mas ainda há condições para continuar a expandir-se. Não era assim há 15 anos. O negócio começou a desenvolver-se e a ganhar força desde há menos de uma década, com os gestores a estarem mais atentos ao outsourcing e às suas vantagens. Que são muitas.

O outsourcing tem diversas abordagens. Vai da mera externalização da gestão de equipamentos, até às formas mais evoluídas (disponibilizadas pela IBM) de outsourcing de processos de negócio, outsourcing de gestão e manutenção de aplicações e outsoucing de infraestrurutas tecnológicas.

Na IBM disponibilizamos serviços em strategic outsourcing: externalização das infraestruturas de sistemas de informação, quer hardware ou software, as comunicações associadas e os técnicos que gerem toda esta arquitetura. Fazemo-lo há mais de 10 anos, com um grau de desenvolvimento e penetração cada vez mais elevado.

Os administradores e gestores do nosso país estão muito mais recetivos a esta mudança e sabem que o strategic outsourcing não trabalha contra as pessoas, mas com elas. Já não encaram esta externalização das infraestruturas de sistemas de informação como um serviço que vá criar desemprego, mas exatamente o contrário. Vai potenciar e reforçar o emprego: as pessoas passam é a trabalhar de uma forma distinta e numa empresa ou instituição diferente. Apenas isso. É muito mais vantajoso para a carreira de um técnico de software, por exemplo, estar associado a uma empresa que se dedica às tecnologias de informação do que dentro de uma instituição pública dedicada a outras atividades.

Por outro lado, endereçam-se com mais eficácia os problemas de segurança. As empresas já sabem que o facto de se externalizar não significa perda do controlo sobre aquilo que se externalizou. Pelo contrário. Continua a haver uma vigilância e um domínio dos serviços em parceria com a empresa que oferece o serviço.

O setor privado já tira partido e tem confiança na externalização. A Administração Pública, por seu lado, tem sido mais conservadora. Por isso o outsourcing no privado está muito mais desenvolvido do que no público, mas não há nenhuma razão que impeça que o sucesso destas opções se replique nas instituições e organismos do Estado. A Administração Pública acabará por aceitar que é mais fácil obter segurança e controlo de custos e uma maior qualidade de serviço através de um prestador de serviços externo especializado do que os desenvolver com equipas próprias. Sobretudo em áreas onde a componente tecnológica e da gestão da informação são mais necessárias, como por exemplo na Direção Geral de Impostos, na Saúde e na Justiça. Acima de tudo, os serviços de outsourcing permitem que o setor público se dedique e se foque no essencial da sua missão: nas políticas e serviço de qualidade ao cidadão.

É uma questão de amadurecimento. No passado, a Administração Pública não tinha uma maturidade que lhe permitisse estar pronta para externalizar serviços e tecnologias de informação, nem o mercado tinha a oferta adequada. Neste momento, com todas as experiências práticas bem sucedidas, não há dúvidas das inúmeras vantagens reais.

A adaptação da Administração Pública aos tempos modernos depende da capacidade dos sistemas de informação em acompanhar essa modernização. Se estes estão ultrapassados, não vão permitir prestar o melhor serviço aos cidadãos, uma vez que a informação não está devidamente organizada, atualizada e disponível. Esta necessidade é crescente. A modernização do Estado depende da utilização dos sistemas de informação e estes só funcionam se forem acompanhados pelos profissionais certos.

Por fim, mas não menos importante, a externalização pode levar a poupanças importantes no Estado (como está explícito no documento recentemente entregue ao Governo “11 mil milhões de razões”). Em média, conseguem-se ganhos de eficiência entre 30 a 40%. O que pode significar uma poupança expressiva e uma viragem na recessão económica que Portugal está a viver. A inovação, quando bem aplicada, exponencia em muito a eficiência.


José Manuel Paraíso
Diretor de Global Technology Services da IBM Portugal

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