O Outsourcing de serviços de base tecnológica tem vindo a afirmar-se como o grande motor do crescimento das TIC em Portugal, posicionando-se como um dos principais setores de serviços e assumindo um contributo crescente para a balança externa tecnológica do país.
Para lá do impacto positivo no PIB nacional, o Outsourcing tem atualmente um impacto muito relevante no valor acrescentado bruto considerando-se o facto de se tratar de uma atividade que vive à volta de pessoas e de um grau de conhecimento elevado e com um grau de tecnologia associado bastante grande, o que torna este setor muito diferenciador. Por outro lado, o Outsourcing tem gerado muitos novos postos de trabalho em Portugal por via do volume de investimento estrangeiro que se tem vindo a verificar no nosso setor e existem cada vez mais empresas portuguesas do setor das TIC a prestar serviços transnacionais para clientes de diversos países, de diferentes geografias globais.
O atual estado do Outsourcing em Portugal resulta, em larga escala, da transformação a que muitas empresas se viram forçadas a fazer como consequência do cenário de crise económica dos tempos mais recentes, forçadas que foram a focarem-se, de forma muito determinada, na racionalização e optimização das suas estruturas de custos, recorrendo, para tal, a modelos alternativos facilitadores de maior competitividade e de níveis de eficiência.
Paralelamente, é evidente que a crise económica também impactou negativamente a atividade dos prestadores de serviços como resultado do forte esmagamento das suas margens. No entanto, os mesmos prestadores de serviços viram também, na crise, uma clara oportunidade de negócio em diversas perspetivas: a da necessidade de melhorar as suas ofertas, de inovar e se transformar, de rentabilizar as suas próprias infraestruturas e tecnologia, e de apostar em novos mercados. E, nesta última perspetiva, fazendo-o beneficiando claramente do facto de Portugal ter vindo, nos últimos anos, a ser objeto de grande reconhecimento internacional enquanto plataforma de excelência no nearshore, o que lhes permitiu um balanceamento muito interessante entre uma crise agressiva com uma pressão forte sobre as margens, com o potencial de negócio que encontraram noutros mercados.
Os próximos anos trarão no entanto grandes desafios ao setor. Considerando-se o contexto económico ainda indefinido que se vive, que leva a que o mercado pondere cada vez mais as decisões em torno de grandes projetos transformacionais, e o facto de a evolução tecnológica ser cada vez mais profunda – e basta olhar para a transformação que a chamada 3ª Plataforma preconiza, com conceitos como os da Mobilidade, do Cloud Computing, do Big Data, do Analytics e do Social Business -, os serviços de base tecnológica deparam-se com tempos muito complexos pela frente. Toda esta evolução obriga necessariamente a que o Outsourcing aumente a sua capacidade de dar reposta às empresas ao nível da inovação e transformação, da eficiência organizacional, da optimização de processos e da racionalização de recursos, tendo de assegurar cada vez mais e melhores níveis de serviço adequados às necessidades do cliente.
Ainda assim, e pelas indicações que temos do mercado nacional, é com optimismo que o setor do Outsourcing olha para a sua evolução, o que pode ser atestado pelo facto de existirem, atualmente, vários concursos e projetos a decorrer em Portugal.
Finalmente, o eterno tema do outsourcing na Administração Pública: trata-se claramente de um setor que ainda não tira partido de modelos de outsourcing de tecnologias de informação e comunicação e de processos de negócio, e não se poderá vislumbrar qualquer alteração deste paradigma enquanto os decisores da Administração Pública não alterarem um dos seus principais obstáculos: a forma de contratação pública.
Este é um enorme desperdício para Portugal: a adopção do outsourcing – sempre que adequado e oportuno, naturalmente – pela Administração Pública seria uma enorme oportunidade para reestruturar o Estado Português a diversos níveis, com elevado potencial de racionalização de recursos e de geração de eficiências nos processos, de melhoria de qualidade dos serviços prestados ao cidadão e com elevado impacto na criação de emprego.
Guilherme Ramos Pereira
Secretário-geral da Associação Portugal Outsourcing
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