Recrutamento & Seleção, Trabalho Temporário

Qual o estado do emprego no Turismo em Portugal?

Portugal é dos países que mais necessita do turismo. A realidade é que, para o PIB nacional, os valores deste setor contribuem com cerca de 9%, ultrapassando países como Áustria, Hungria, Grécia, França e Itália. Cada vez mais nos vamos apercebendo de como o nosso país se tem vindo a tornar conhecido como um dos melhores destinos turísticos do momento e isso devia refletir-se positivamente no emprego dentro do setor. Mas, ao que parece e se tem vindo a comentar, não só pelas pessoas empregadas, mas também pelos seus empregadores, isto não é o que se verifica.
A criação e desenvolvimento de novos cargos no setor cria a ilusão de que as condições dos mesmos são aliciantes, mas não são. No ano de 2017, registou-se um aumento na quantidade de hóspedes recebidos pelo país – cerca de 20 milhões – e foram também criados 58 mil empregos no setor. No entanto, a grande maioria destes novos cargos revela ter poucas qualificações. No ano passado, o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), registou que, da maioria das ofertas de trabalho oferecidas, 87,7% exigiam como requisito de candidatura uma qualificação ao nível do 9.º ano e 56,4% não solicitavam mais do que o 6.º ano de escolaridade. Ao fator das condições de qualificação agrega-se automaticamente as condições salariais. Das pessoas que trabalham no setor, a grande maioria continua a trabalhar com salários precários e dificilmente chegam a trabalhar a contrato, sendo que a maioria das empresas tem vindo a utilizar mais empresas de trabalho temporário na contratação dos seus empregados.
A Instituição do Turismo de Portugal, liderada por Luís Araújo, tem vindo a analisar os números referentes a todas estas condições e respetivas consequências no setor turístico e o seu representante tem vindo a lutar para que os cargos que exigem as qualificações mais avançadas, como o ensino secundário e licenciaturas, cresçam. No entanto, tem-se verificado uma diminuição, ao contrário do que Luís Araújo pretende, sendo que em 2016, do total das ofertas do IEFP, 2725 procuravam trabalhadores com escolaridade até ao ensino secundário e em 2017 essas ofertas diminuíram para 1988.
Ao longo dos últimos anos, o turismo tem vindo a criar e desenvolver mais emprego em Portugal, algo bastante positivo tendo em conta os prévios anos que deixaram muitas pessoas desempregadas e a viver de subsídios. Todavia, nem todas as empresas apresentam qualificações que possibilitem um salário justo perante as mesmas. Em vez disso, a maioria destas tem consciência de que ainda é necessário alterar a mentalidade neste setor. Tratando-se de uma área que depende muito da sazonalidade, os empregadores acabam por fazer contratos temporários e isso afeta negativamente a visão do setor perante as pessoas que procuram trabalho na área. Essas pessoas veem-se perante duas opções: continuar a procurar emprego até encontrar uma empresa que lhes conceda um trabalho ou manterem-se em agências de trabalho temporário que as encaminhem para empresas para que tenham trabalho, embora em poucos meses tenham de repetir o mesmo processo.
No entanto, com o aumento do turismo, para além da contribuição para a economia, advém outros aspetos positivos, tais como a diminuição da taxa de desemprego. Com o surgimento de cada vez mais cargos para serem preenchidos e também devido às qualificações mais acessíveis, a população que se situa na faixa etária dos 45 aos 64 anos tem encontrado neste setor oportunidades de emprego. Desta forma, verificou-se em 2017 uma diminuição na taxa de desemprego que se situa agora nos 8,9%, valor que o Banco de Portugal espera ver decrescido até aos 5,6% nos próximos dois anos.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) analisou os resultados referentes ao número de empregos e à diminuição da taxa de desemprego no ano de 2017 e prevê que entre 2018 e 2020 continue a ocorrer um aumento de postos de trabalho e diminuição da taxa de desemprego. Contudo, aponta que se espera uma evolução do ritmo de pessoas empregadas mais lento do que no ano passado. O INE sublinha ainda que, dos setores de atividade existentes, os que contribuíram mais para tais valores positivos foram os da construção, imobiliário e turismo.

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Fonte: INE a 09/06/2018

As projeções do Banco Central fazem uma previsão de um crescimento contínuo do poder de compra até 2020, esperando que isso se reflita na economia com um crescimento de 2,3%. Enquanto que o Governo não partilha a mesma opinião positiva, acreditando apenas num possível crescimento do Produto Interno Bruto em 2,2%.
A S. Hotels é uma organização criada para gerir todo o património hoteleiro do Grupo Sonae Capital, como é o caso do Aqualuz Tróia e Tróia Residence – Tróia Portugal, e ainda o Porto Palácio, The Artist Porto Hotel & Bistro e The House Ribeira Hotel. Este grupo tem de momento 190 vagas, sendo que apenas nove delas não pertencem a Tróia nem a cargos de trabalho temporário, o que demonstra que em Tróia apenas se verifica o maior número de oportunidades. Por norma, todas as ofertas de trabalho que o grupo Sonae Capital apresenta neste setor são permanentes, à exceção das desenvolvidas para o empreendimento em Tróia, visto tratar-se de uma zona ainda bastante ligada à sazonalidade. Esta organização costuma realizar um recrutamento para a área de restauração e bebidas, marketing e comercial. O responsável dos Recursos Humanos, Miguel Cordeiro, afirma que se criaram também empregos que servem de apoio ao setor, como é o caso da área do marketing e comercial, em que é esperado dos seus empregados qualificações a nível de e-commerce e gestão de redes sociais.
Tróia fica caracterizada como um dos destinos turísticos em Portugal onde a sazonalidade afeta o estado do emprego dentro do setor. Como referido anteriormente, este fator faz com que os empregadores dos estabelecimentos hoteleiros em Tróia procurem empregar pessoas em períodos temporários, em oposição a restantes estabelecimentos hoteleiros/destinos turísticos.
Perante os dados analisados da afluência turística dos últimos anos, Portugal e Espanha são considerados, perante a Organização Mundial do Turismo, os dois países que lideram o setor turístico na Europa, com Portugal no segundo lugar da liderança. Segundo a OMT, este apresenta a segunda maior percentagem não só da Europa, como também dos países desenvolvidos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Sendo de destacar que de todos os destinos turísticos dentro de Portugal, um dos que tem tido um maior crescimento tem sido Tróia, sendo importante apostar na contratação de mais pessoas e desenvolvimento de novos postos de trabalho.

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