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11.ª edição da Semana da Responsabilidade Social®

A Semana da Responsabilidade Social® celebrou em 2016 a sua 11.ª Edição com o tema “Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável”. Durante 5 dias, empresas, organismos públicos, universidades, parceiros sociais, economia social e sociedade civil foram convidados a refletir sobre os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, aprovados no passado mês de setembro na Cimeira da ONU, em Nova Iorque. Em entrevista ao RHonline, o Eng. Mário Parra da Silva, Presidente da APEE e Representante da agência das Nações Unidas Global Compact em Portugal, explicou a importância deste debate.

RHonline (RH) – Qual a importância da Semana da Responsabilidade Social® (SRS®) para a Associação Portuguesa de Ética Empresarial (APEE)?

Eng. Mário Parra da Silva (MS) - A Associação Portuguesa de Ética Empresarial foi fundada em 2002, e desde sempre defende a necessidade de concretizar a ética, a responsabilidade social e a sustentabilidade pela definição e implementação de programas concretos que conduzam a práticas de gestão socialmente mais responsáveis no seio das organizações. Neste conspecto, a APEE tem assumido a liderança nos processos de normalização nas áreas da Ética e da Responsabilidade Social em Portugal, sendo reconhecida pelo IPQ como Organismo de Normalização Setorial. Paralelamente, a APEE é host da rede portuguesa do Global Compact, uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) para a cidadania empresarial, e é membro da Post Publication Organization da ISO 26000. Dos reconhecimentos conferidos pelas autoridades nacionais, como é o caso do IPQ, e internacionais, como a ISO e ONU, advém o empenho na organização de eventos de referência, no caso concreto a Semana da Responsabilidade Social®.
A Semana da Responsabilidade Social® teve a sua primeira edição em 2006, e, desde esse ano tem sido realizada anualmente, tendo-se verificado ao longo das diversas edições um crescimento exponencial ao nível dos participantes, coorganizadores e temas em debate, sendo este ano realizada a sua 11ª edição. A Semana da Responsabilidade Social® é hoje uma marca registada e uma importante plataforma multistakeholder, que reúne representantes do Governo, Organismos Públicos, Empresas, Universidades, Parceiros Sociais, ONGs, Economia Social, Agentes Culturais, entre outros.
No modelo de conceção das diferentes ações, está subjacente a sua coorganização por entidades representativas das diferentes partes interessadas, de modo a garantir a pluralidade e diversidade de pontos de vista e abordagens a determinado tema, e estamos em crer que este modelo tem sido a chave do sucesso desta prestigiada iniciativa.

RH – Quais são os principais objetivos da SRS®?

MS - A SRS®, sendo uma plataforma multistakeholder, tem como objetivos promover o debate e a reflexão em torno da temática da Responsabilidade Social, Ética e Sustentabilidade. Esta iniciativa deve potenciar o diálogo multistakeholder e divulgar as iniciativas nacionais e internacionais neste domínio, ao mesmo tempo tem como objetivo sensibilizar as Organizações para a necessidade de evidenciar compromissos com os valores da Ética, da Responsabilidade Social e da Sustentabilidade numa economia global com desafios acrescidos.

RH – Porquê a escolha do tema “Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável” para a edição deste ano?

MS - Este tema foi escolhido na sequência da aprovação da Agenda 2030 e dos ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pela Assembleia Geral das Nações Unidas, concretamente do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 17 – Parcerias para a Implementação dos Objetivos. Como já tive oportunidade de referir anteriormente, a APEE é a instituição host da rede portuguesa do UN Global Compact – UN GCNP, a maior rede empresarial do mundo, e tem como responsabilidade estimular e organizar a contribuição do setor empresarial para a realização destes Objetivos, que são uma aposta de toda a comunidade internacional para, nos próximos quinze anos, erradicar a fome e a pobreza, mitigar as alterações climáticas, proteger a vida e os ecossistemas, reduzir as desigualdades, promover o desenvolvimento e o trabalho digno, garantir a paz e os direitos humanos, melhorar a saúde e educação, o acesso a recursos renováveis, entre outros.

RH – Quais são os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que a Agenda 2030 aponta como plano de ação para os próximos 15 anos?

MS - Como é do conhecimento geral, em setembro de 2015, 193 Estados marcaram a sua presença na Cimeira das Nações Unidas, em Nova Iorque, onde aprovaram a Agenda 2030, comprometendo-se com 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas, presentes no documento resultante da cimeira “Transformar o nosso mundo: Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável”. Este documento verte assim um plano de ação para os próximos 15 anos.
Os ODS foram pensados a partir do sucesso dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), entre 2000 e 2015, mas pretendem ir mais longe. Trata-se de uma agenda alargada e ambiciosa que aborda várias dimensões do desenvolvimento sustentável (social, económico, ambiental) e que promove a paz, a justiça e instituições fortes.
Elencando os diferentes ODS, começo pelo ODS 1 que visa acabar com a pobreza em todas as suas formas e em todos os lugares, encontrando-se seguido na Agenda 2030 pelo ODS 2, um objetivo que se propõem acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável.
No domínio da Saúde e Bem-Estar, surge o ODS 3 que pretende assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades. O ODS 4, designado “Educação de Qualidade”, visa assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
Também a Igualdade de Género se encontra prevista no documento, concretamente no ODS 5 e que tem como objetivo alcançar a igualdade de género e empoderar todas as mulheres e meninas. O ODS 6 – Água Potável e Saneamento -, visa, até 2030, assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos. No ODS 7, relacionado com as Energias Renováveis e Acessíveis, as metas centram-se em assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos. Relativamente ao ODS 8 – Trabalho Digno e Crescimento Económico -, o mesmo pretende promover o crescimento económico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho digno para todos.
A Agenda 2030 destaca também um ODS dedicado à Indústria, inovação e infraestruturas. Este ODS, o nono, visa construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação. No campo do combate às desigualdades, foi inscrito o ODS 10, com o objetivo de reduzir a desigualdade dentro dos países e entre os países.
Garantir o acesso de todos à habitação segura, adequada e a preço acessível, e aos serviços básicos, e melhorar as condições nos bairros de lata, foi outra das preocupações da Agenda 2030 da ONU, elencando no seu ODS 11 “Cidades e Comunidades Sustentáveis”, que tem como metas tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
O ODS 12 pretende assegurar padrões de consumo e produção sustentáveis, através de programas específicos, com todos os países a tomar medidas, sendo liderados pelos países desenvolvidos, tendo em conta o desenvolvimento e as capacidades dos países em desenvolvimento.
O conjunto de metas relacionadas com as mudanças climáticas, por ventura o tema que tem sido mais mediatizado, encontra-se identificado no ODS 13, e como todos sabemos, visa tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos.
No que concerne à proteção da vida marinha e vida terrestre foram definidos dois ODS específicos: o ODS 14, que visa a conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável; e o ODS 15, que aponta como metas proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
O ODS 16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes -, elenca um conjunto de metas que visam promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
Por último o ODS 17 visa fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável. Neste âmbito o United Nations Global Compact Network Portugal, Agência das Nações Unidas que represento, lançou o projeto “Aliança ODS Portugal” que teve o melhor e mais amplo acolhimento, recebendo a adesão das mais representativas entidades associativas portuguesas e reunindo todos os setores implicados na concretização dos ODS. Ao nível governamental foi já definida uma estrutura de acompanhamento, dinamizada e centralizada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, envolvendo múltiplas entidades de outros ministérios.

RH – Que outros temas foram abordados durante a 11.ª SRS®?

MS - Destaco a “Corporate Wellness”, um conceito que introduzimos em Portugal, através do impulso à criação de uma associação para a responsabilidade social interna, saúde ocupacional e bem estar organizacional, denominada Corporate Wellness Internacional Institute – CWII, que segue o modelo já adotado noutros países como os EUA. Trata-se de reunir numa abordagem coordenada os vários intervenientes no espaço organizacional que contribuem para o bem estar das pessoas e para que a organização seja saudável e “salutogénica”.
É uma abordagem inovadora e avançada à gestão das pessoas, não apenas enquanto empregadas mas levando em conta as outras dimensões da vida – pessoal, familiar, social, cultural. O conceito assume que as organizações saudáveis resultam de pessoas física, mental e até espiritualmente sãs, financeiramente equilibradas e que adotam estilos de vida sustentáveis. A estratégia que propõe assenta na prevenção dos riscos materiais e psicossociais, na criação de ambientes organizacionais livres de medo e estimuladores da realização profissional e pessoal, liderados de forma participada e responsabilizadora, proporcionado uma experiência gratificante, progressiva e inclusiva. A APEE e a CWII pretendem levar o conceito de Corporate Wellness a toda a sociedade empresarial e não só, atraindo para este campo os profissionais de SST, Psicólogos, Médicos e Enfermeiros de Trabalho, profissionais de RH, Formadores e Consultores da área comportamental, Nutricionistas, Fisioterapeutas, profissionais de novas formas de intervenção como o Yoga e a Meditação, bem como planeadores estratégicos que desejem moldar as organizações de acordo com esta nova forma de criar equipas profissionais assentes na cooperação e em objetivos comuns.
O CWII promove o CW Award, encontrando-se atualmente a decorrer o prazo de candidaturas da segunda edição, com o objetivo de promover o conceito e mostrar o muito que já se faz nas organizações portuguesas.

RH – Que balanço faz desta 11.ª edição?

MS - Muito positivo. A Semana da Responsabilidade Social® tem vindo progressivamente a crescer de edição para edição. Esta 11ª edição contou com um âmbito alargado de temas em debate, mais Organizações envolvidas, designadamente as Agências da ONU em Portugal, com mais apoios, mais parceiros e um público mais diversificado, fatores estes que conjuntamente conferiram um crescimento quantitativo e qualitativo ao evento.

RH – Depois de Lisboa, que outras cidades e ações se seguem?

MS - À semelhança das edições anteriores, a 11ª Semana da Responsabilidade Social teve o seu primeiro evento em Lisboa, na Culturgest durante 5 dias consecutivos, estando previsto no terceiro quadrimestre do ano novos eventos na Região Norte, concretamente Porto e Braga e Região Centro.

Por: Ricardo Vieira

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