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Estudo Global sobre Contribuição Definida – 2009: perspectivas e oportunidades

A Mercer concluiu recentemente a Estudo Global sobre Contribuição Definida de 2009, que abrange um vasto leque de tópicos relacionados com as tendências da Contribuição Definida (CD) em 33 países da Europa Continental, Ásia-Pacífico, América Latina, Estados Unidos e Reino Unido. A amplitude deste estudo torna-o único no sector, com mais de 1.500 respostas recebidas, incluindo mais de 300 de multinacionais. O estudo é extenso e revela várias perspectivas interessantes. Aqui centramo-nos em quatro áreas-chave: abordagens e objectivos, reacções à crise financeira, investimento e gestão de planos.

Abordagens e objectivos

Quando se pede às empresas que identifiquem as respectivas abordagens à gestão de CD, a maioria, de país para país, escolhe o papel de “facilitador”. As respostas são caracterizadas pela frase “iremos fornecer um plano de CD standard do mercado e “educação” para permitir que os colaboradores façam as contribuições mais adequadas”.

Poder-se-ia interpretar estes dados como uma erosão inoportuna da preocupação “paternalista” para com os participantes. Por outro lado, a facilitação poderá ser, de facto, a atitude filosófica ideal para uma empresa com um plano de CD na actualidade. Os esquemas de CD têm sido muito eficazes na transferência do risco e da responsabilidade para os participantes. No entanto, poder-se-ia argumentar que estes não têm sido muito eficazes a fornecer aos participantes o suporte de que necessitam para planear adequadamente a reforma. Se as empresas encararem o seu papel de “facilitadores” no sentido de proporcionar uma educação mais sólida dos participantes e apoio nas suas decisões, será possível dizer que são boas notícias para os participantes e esquemas de CD em geral.

Pediu-se também aos inquiridos que indicassem os respectivos motivos para oferecer os planos de CD.

As três respostas mais recebidas representam um enquadramento interessante de motivações sociais e empresariais, e podem ser entendidas como abrangendo um espectro entre as motivações empresariais e sociais.

Cada vez mais, as empresas encaram os esquemas de CD como ferramentas empresariais sujeitas aos mesmos standards de ROI de outros investimentos. Contudo, subsiste um conjunto forte de motivações sociais para continuar a facultar esquemas aos colaboradores. Embora esta tendência possa causar atrito entre os parceiros sociais, e levar a um ou outro artigo mais “cínico” na imprensa, também pode conduzir a um equilíbrio saudável. A Mercer aconselha as empresas a seguir esta tendência através da reavaliação dos seus objectivos na disponibilização de esquemas de CD e da concretização destes objectivos em medidas de eficácia que podem ser registadas ano após ano.

Reacções à crise financeira

Visto que o estudo foi realizado durante uma severa crise financeira, foi importante avaliar o impacto da crise nos planos de CD. Questionaram-se os empregadores sobre alterações recentes e esperadas dos níveis de contribuições.

A grande maioria (86%) dos empregadores decidiu não efectuar quaisquer alterações nos níveis de contribuições do plano CD nos 12 meses seguintes. Uma pequena parte (9%) tinha já implementado uma diminuição ou suspensão, permanente ou temporária, das contribuições na altura do estudo. Os restantes inquiridos (5%) estavam a ponderar a suspensão ou diminuição nos 12 meses seguintes. Estes resultados são consistentes com outros dois estudos levados a cabo pela Mercer durante o último ano. (Consultar “Leading through Unprecedented Times” em mercer.com.)

Os resultados transmitem o compromisso contínuo dos empregadores em consolidar os respectivos esquemas de CD. É claro que, em alguns países, os níveis de fundos de CD são menos flexíveis. No entanto, os resultados foram consistentes de país para país, como acontece com os Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Hong Kong.

Conforme se referiu anteriormente, a Mercer atribui este compromisso, de oferecer planos de CD, a dois factores motivacionais chave:

1. Responsabilidade social e ética. Apesar de, no passado, ter havido um desvio de uma abordagem mais “paternalista” relativamente ao pagamento de contribuições para uma maior auto-suficiência dos colaboradores, os empregadores parecem aceitar a responsabilidade de ajudar os colaboradores a incrementar as fontes de rendimento para a reforma. Esta continua a ser a realidade para as empresas que concluíram a transição de esquemas de BD para CD.

2. Suporte empresarial. Tal como outros investimentos que as empresas fazem, cada vez mais, os esquemas de CD são entendidos como ferramentas empresariais. Como tal, estão agregados a standards de ROI mensuráveis. Algumas dimensões comuns são a competitividade do mercado laboral no recrutamento e retenção, a previsibilidade de custos do programa e a gestão da força laboral.

Também questionámos os empregadores sobre a reacção dos colaboradores em relação à crise financeira. A nível global, as três reacções mais comuns foram:

– Questionaram o rendimento do investimento do plano de CD (49%)

– Alteraram a alocação pessoal dos activos do plano de CD (41%)

– Não houve qualquer reacção (39%)

As mesmas três respostas são também predominantes no Canadá, Reino Unido, Europa (excepto Reino Unido) e Ásia-Pacífico. Nos Estados Unidos foram registadas as três reacções principais que se seguem:

– Alteraram a alocação pessoal dos activos do plano de CD (60%)

– Diminuíram ou cessaram as contribuições voluntárias (42%)

– Questionaram o rendimento do investimento do plano de CD (39%)

As dúvidas dos participantes em relação ao rendimento do investimento são compreensíveis. Dada a magnitude da erosão dos activos, incerteza global e ampla cobertura por parte dos meios de comunicação, os participantes precisam de informação e o primeiro local onde a procuram é junto dos empregadores.

A predominância das alterações de alocação de activos por parte dos colaboradores, conforme registada pelos empregadores, não é surpreendente. Embora os dados gerais sobre o mercado dos fornecedores de serviços, e em particular dos Estados Unidos, indiquem uma tendência para a inacção por parte da maioria dos colaboradores, poder-se-ia esperar que alguns participantes alterassem as alocações para tentar gerir activamente o seu percurso durante a crise. O estudo não recolheu dados pormenorizados sobre as alterações da classe de activos subjacentes, por isso, não é evidente se as alterações efectuadas foram reacções sensatas ou geradas pelo pânico, ou algo entre uma e outra.

O facto de um terço das empresas indicar que os colaboradores não tiveram qualquer reacção à crise financeira é interessante. A resposta “não houve qualquer reacção” não só ficou entre as três principais a nível global, como foi a predominante no Reino Unido (58%) e na América Latina (57%). Numa leitura optimista dos dados, poder-se-ia concluir que estes participantes foram educados com base em princípios que envolvem o risco e o investimento a longo prazo e, por conseguinte, permanecem calmos durante a tempestade. 

Contudo, outros indicadores no estudo apontam para uma conclusão diferente. Quando se pediu que classificassem as fontes de risco nos esquemas, as empresas identificaram as três questões principais que se seguem:

– Adequação da comunicação e educação dos participantes (63%)

– Riscos relacionados com o mercado e os investimentos (60%)

– Más decisões por parte dos participantes (40%)

Os empregadores estão claramente preocupados com o facto de os participantes não compreenderem completamente os riscos ou, talvez, a sua própria responsabilidade nesses riscos. Através desta perspectiva, talvez se possa inferir que a elevada ocorrência da resposta “não houve qualquer reacção” revela uma desconexão entre o entendimento que os participantes têm acerca dos riscos e a sua própria responsabilidade nesses riscos.

No entanto, também há boas notícias. Os empregadores indicam, de forma esmagadora, que existem planos para melhorar a comunicação e educação dos participantes. Esta foi identificada como sendo a área mais comum das alterações planeadas. O apoio melhorado à decisão dos participantes é uma demonstração positiva de que os empregadores encaram o seu papel de facilitadores de forma séria, mesmo quando se afastam da abordagem mais “paternalista” do passado. Os esquemas de CD são eficazes na transferência dos riscos e responsabilidades para os participantes. Actualmente, parece existir uma tendência saudável no sentido de uma ambição de fornecer aos participantes as ferramentas de que estes necessitam para gerir esses riscos e responsabilidades.

Investimento

O decréscimo económico influenciou participantes e empresas em todo o mundo. Não é pois surpreendente que um dos maiores desafios que as empresas enfrentam seja o mau retorno sobre o investimento (um pouco abaixo dos 60%). Contudo, é algo surpreendente, especialmente tendo em consideração o momento em que o estudo foi efectuado, que o entendimento limitado dos participantes seja encarado como um desafio ainda maior (um pouco acima dos 60%). Esta conclusão é uma boa notícia. A experiência e a pesquisa financeira comportamental sustentam a perspectiva de que os participantes se debatem com decisões a nível financeiro. As empresas devem enfrentar este problema, e os resultados do estudo parecem indicar uma tendência nessa direcção.

É interessante constatar que apenas um terço dos inquiridos planeia alterar as opções ou a estrutura dos investimentos nos próximos dois anos. Dessas alterações de planeamento, espera-se que a mais comum seja um aumento do número de opções existentes, seguido por uma introdução de fundos “ciclo de vida" ou de “target date funds”.

Opções de fundos

Conforme se pode ver no gráfico seguinte, a quantidade de fundos varia drasticamente dependendo da região.

Nos Estados Unidos e na Austrália, menos de 20% das empresas pensam aumentar as opções de investimento nos próximos 12 a 24 meses. A intenção das empresas de aumentar as opções de investimento é mais predominante na Ásia (26%) e na América Latina (34%), sendo que ambas as regiões têm actualmente menos opções de fundos.

A Mercer apoia as intenções no sentido de melhorar a estrutura de investimento dos esquemas de CD. Contudo, aconselha-se precaução no simples aumento do número de opções. As empresas ficam muitas vezes confusas com o excesso de opções. As empresas podem atenuar essa consequência negativa limitando a escolha a um conjunto mais pequeno de investimentos de elevada qualidade ou através do redesenho do processo de tomada de decisão. Por exemplo, um esquema poderá disponibilizar três “ambientes de opção” personalizados para corresponder às preferências de tomada de decisão dos segmentos de investidores.

Fundos “Ciclo de Vida” (Lifecycle)

A utilização de fundos do tipo “ciclo de vida” como opção default (incluindo “target date”, “target risk” e estilo de vida) varia consoante a localização geográfica. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, mais de 90% das empresas indicam a utilização de fundos do tipo “ciclo de vida”. É interessante o facto de as opções de investimento “ciclo de vida” raramente serem utilizadas na Austrália (embora tenha havido um aumento do interesse nos últimos 12 meses). O Canadá é outra região onde a utilização de fundos “ciclo de vida” (18%) é muito baixa. Nenhum dos inquiridos da América Latina registou a utilização de fundos “ciclo de vida” como opção default.

Das empresas que confirmaram a existência da uma opção de investimento default, os fundos “ciclo de vida” (incluindo “target date”, “target risk” e estilo de vida) são os instrumentos mais comuns, actualmente, são utilizados por 67% dos inquiridos. E 90% das empresas que ponderam acrescentar ou alterar uma opção default estão a avaliar os fundos de tipo “ciclo de vida”.

A Mercer apoia a utilização de investimento “ciclo de vida” como opção default. No entanto, a sua aplicação pode diferir consoante a localização geográfica, e alguns países permitem opções ainda mais personalizadas.

Não há dúvida de que os programas de reforma de CD foram afectados pela crise económica. Dados os desafios que as empresas enfrentam com a carteira de investimentos, a Mercer sugere que todas as empresas empreendam regularmente três acções para melhor assegurar que as necessidades dos participantes são satisfeitas, independentemente da conjuntura económica no futuro.

1. Rever a adequação dos “target date funds” (se disponíveis)e a afectação regressiva a activos de risco em função do tempo até à idade da reforma ou considerar a sua inclusão nos planos (se não disponíveis).

2. Determinar os riscos de cada fundo em função do plano.

3. Ter em consideração uma estrutura de investimento escalonado ou o conceito de “ambiente de opção” para melhorar a comunicação aos participantes.

Gestão de planos

Os recentes acontecimentos económicos mostraram os riscos associados aos planos de CD das multinacionais. As empresas estão cada vez mais conscientes da necessidade de gerir os riscos associados aos planos de CD e monitorizar os custos de forma mais eficaz. O estudo examinou a forma como as multinacionais gerem actualmente os respectivos planos de CD e quais serão os objectivos da gestão de planos no futuro.

Actual gestão global de planos

Neste estudo, foram mais as multinacionais (44%) que responderam que gerem e supervisionam a gestão de planos de CD de forma centralizada do que aquelas que o fazem através de outra abordagem. As formas através das quais as empresas executam a supervisão central variam: enquanto algumas têm uma comissão global investida dessa responsabilidade, outras têm comissões globais múltiplas ou baseiam-se apenas num ou dois indivíduos na sede da empresa.

Ainda assim, 32% das empresas continuam a deixar a supervisão nas mãos dos gestores locais. É importante ter em atenção que as abordagens à gestão de planos de CD divergem significativamente de região para região. As divergências mais óbvias encontram-se na Ásia e América Latina, onde 50% das empresas gerem os planos a nível local. Este cenário é expectável tendo em consideração a etapa de desenvolvimento relativo destes mercados, mas acreditamos que, no futuro, estas regiões poderão seguir mercados mais desenvolvidos relativamente à centralização da gestão dos planos de CD.

Embora algumas multinacionais utilizem uma supervisão centralizada de todos os aspectos dos planos de CD, a maioria das empresas preocupa-se com áreas específicas do risco. O desenho é a área em que a tomada de decisões centralizada é mais comum. Aproximadamente 71% das empresas tomam decisões referentes ao desenho dos planos de CD a nível global (algumas baseadas em recomendações dos gestores locais). Outra área em que são tomadas decisões centralizadas é a selecção de fornecedores. Aproximadamente 49% das multinacionais em todo o mundo utilizam a aprovação central dos fornecedores. Todavia, mais de um terço das empresas deixam nas mãos dos gestores locais a tomada de decisões relacionadas com fornecedores.

Áreas de risco

É interessante ver que embora aproximadamente 36% das multinacionais confiem a tomada de decisões relativas a opções de investimento default e dos participantes aos gestores locais, as empresas indicam, a título de exemplo, os riscos relacionados com o mercado e os investimentos como uma das principais preocupações na implementação de planos de CD. Os outros riscos que as multinacionais associam aos planos de CD encontram-se definidos a seguir.

Governance no futuro

Uma importante questão que as empresas enfrentam a nível local e internacional é como minimizar os riscos tendo em conta a relação custo-benefício. As empresas irão escolher, sem dúvida, estruturas de Governance diferentes que se adeqúem à respectiva cultura organizacional e localização geográfica. Mais de um terço das empresas (centralizadas e descentralizadas) planeia uma maior centralização do panorama geral dos planos de CD nos próximos 12 a 24 meses. Entre estes empregadores que se movimentam em direcção a uma visão geral mais centralizada, as principais razões para o fazer são:

– Gestão de riscos (48%)

– Economias de escala (44%)

– Consistência na criação dos benefícios de região para região (39%)

As empresas reconhecem agora a necessidade de gerir os planos de CD a nível global para minimizar os riscos e obter eficiências. É vital estabelecer uma autoridade e responsabilidade claras como primeiro passo. Através da gestão intencional dos planos, as empresas podem diminuir os custos e, ao mesmo tempo, iniciar melhoramentos para os colaboradores que sejam uma mais-valia.

É necessária mais comunicação e educação

Mesmo que as empresas desempenhem um papel mais próximo de “facilitador”, é necessário ter em consideração muitos aspectos da gestão de planos, tanto empresariais como sociais, para controlar os custos e ajudar os colaboradores a entender a importância de poupar para a reforma. A crise financeira e a alteração de planos de BD para planos de CD amplificaram, em todo o mundo, a necessidade de uma melhor comunicação e educação dos colaboradores relativamente aos riscos financeiros associados aos investimentos que estes efectuam. É possível gerir os riscos relacionados com os fornecedores através de políticas relativas às melhores práticas de Governance, a nível local ou global. Iremos assistir a uma maior aplicação dos fundos “ciclo de vida”, por isso, as empresas necessitarão de determinar aqueles que são mais apropriados para os seus participantes.

O Estudo Global sobre CD de 2009 revela várias perspectivas importantes para as empresas com planos de CD. A sua concretização num contexto recente de turbilhão económico sublinha ainda mais o papel deste estudo como uma ferramenta útil para as empresas, fornecedores e outros participantes na gestão e administração de planos de CD. A Mercer caminhou no sentido de aperfeiçoar a relevância do estudo, incluindo competências de benchmarking. Encorajamos as empresas a solicitar uma cópia dos resultados completos e beneficiar desta janela de oportunidade única para reavaliar os respectivos planos.


Mercer

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