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SST & Healthcare

Dieta para prevenir Alzheimer

A Doença de Alzheimer (DA), principal causa de demência no mundo e sobretudo entre os idosos, é uma doença neurodegenerativa progressiva e irreversível, que se manifesta por um crescente agravamento das funções cognitivas, motoras e das atividades da vida diária.
Os principais fatores de risco são a idade e os fatores genéticos. No entanto, estudos recentes têm vindo a encontrar associações positivas entre a Doença de Alzheimer e fatores de risco vascular, nomeadamente níveis de colesterol e homocisteína elevados, hipertensão arterial, diabetes, obesidade, sedentarismo bem como baixo estímulo intelectual.
Por outro lado, doentes com DA tendem a apresentar deficiências nutricionais específicas, nomeadamente, em ácidos gordos ómega 3, determinadas vitaminas do complexo B e antioxidantes.
Várias investigações têm sugerido que os nutrientes em causa poderão apresentar benefícios na prevenção desta doença, bem como no atraso da sua progressão, o que pode ser interessante na falta de um tratamento farmacológico capaz de reverter este distúrbio.
Neste contexto, existem evidências de que a vitamina B12 e o ácido fólico podem ter um impacto positivo na prevenção da doença de Alzheimer pela sua capacidade de reduzir os níveis de homocisteína circulante, enquanto a vitamina E pode prevenir a doença pelo seu forte efeito antioxidante.
Os ácidos gordos ómega 3 são um grupo de ácidos gordos polinsaturados (AGPI´s) que, ao nível do sistema nervoso central, aumentam a fluidez membranar e influenciam a neurotransmissão, sendo essenciais para o desenvolvimento e normal funcionamento cerebral.
Vários estudos epidemiológicos têm revelado uma associação inversa entre o consumo de peixe e esta doença. Huang e seus colaboradores demonstraram uma relação inversa entre a ingestão de peixe gordo com a incidência de DA, o que sugere que poderão ser os AGPI´s ómega 3 os nutrientes fulcrais na redução do risco desta doença.
Um estudo publicado no Journal of Alzheimer´s Disease revela que o consumo de café tem um efeito benéfico no atrasar do aparecimento e diminuição da progressão da doença de Alzheimer. De acordo com os resultados obtidos, as pessoas com mais de 65 anos que consumiram níveis mais altos de cafeína (equivalentes a três ou mais chávenas de café por dia) desenvolveram a doença de Alzheimer dois a quatro anos mais tarde do que as que tinham consumido níveis inferiores de cafeína. No entanto mais estudos terão de ser efetuados para estabelecer doses diárias de cafeína com efeito benéfico.
Uma vez que não existem evidências suficientes que permitam efetuar recomendações nutricionais específicas para prevenir a DA, poderão apenas ser efetuadas recomendações seguras, que beneficiem o estado de saúde geral dos indivíduos e, nesta condição particular, para um cérebro saudável:

  • Reduzir as gorduras saturadas: optar por carnes magras (frango, perú, coelho) e produtos lácteos magros e evitar a manteiga, alimentos fritos, doces, bolos e bolachas;
  • Preferir as gorduras insaturadas: azeite, óleo de girassol, abacate, azeitonas, nozes, sementes e peixe;
  • Aumentar o consumo de fontes ricas em ácidos gordos ómega 3 como o peixe, particularmente salmão, atum, sardinha, truta, cavala e arenque; óleo de peixe, tal como óleo de fígado de bacalhau, marisco; óleos vegetais, principalmente canola, linhaça e soja, nozes e outros frutos oleaginosos;
  • Aumentar ingestão de alimentos ricos em antioxidantes que se encontram essencialmente nas frutas e hortícolas: ameixas, uvas passas, mirtilos, framboesas, espinafres, couve-de-bruxelas, ameixas, brócolos, beterraba, abacate, laranjas, uvas vermelhas, pimenta vermelha, cerejas, kiwis, cebola, milho e beringela;
  • Substituir os refrigerantes por água preferencialmente ou em último caso por bebidas ricas em antioxidantes: chá verde, sumos de frutas, e vinho tinto (com moderação);
  • Aumentar ingestão de alimentos ricos em ácido fólico: hortícolas de folha verde escura (espinafres, espargos, brócolos, couve-de-bruxelas, repolho, couve-flor), leguminosas (lentilhas, feijão, grão-de-bico) e cereais integrais; Alguns alimentos fortificados também podem ser considerados;
  • Preferir alimentos ricos em Vitamina E: alimentos de origem vegetal como sementes e óleos vegetais, margarinas e frutos secos, particularmente, amêndoas e avelãs;
  • Optar por alimentos ricos em Vitamina B12: carne, frango, peixe, leite e ovos;
  • O uso de suplementos para satisfação das recomendações em vitaminas e AGPI´s ómega 3 pode ser considerado em determinadas situações, mas sempre com o apoio do profissional de saúde;
  • Manter um peso adequado e estável ao longo dos anos;
  • Manter os níveis de colesterol e tensão controlados e vigiados;
  • Manter o cérebro ativo e estimulado;
  • Praticar exercício físico regularmente.

Em suma, é fundamental para a prevenção de doenças, como a Doença de Alzheimer, uma dieta alimentar saudável e equilibrada, que forneça a quantidade e a qualidade de nutrientes essenciais.

Referências Bibliográficas:
Associação Alzheimer Portugal
Nutricia Advanced Medical Nutrition
Tese de licenciatura Sara Costa “Importância das Vitaminas, Antioxidantes e Ómega-3 na Doença de Alzheimer”, 2009, FCNAUP
Huang TL, Zandi PP, Tucker KL, Fitzpatrick AL, Kuller LH, Fried LP et al. Benefits of fatty fish on dementia risk are stronger for those without APOE 4. Neurology. 2005; 65:1409-14.

Por: Susana Barros, nutricionista Holmes Place Algés

Artigo publicado em holmesplace.pt

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