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SST & Healthcare

Doença versus saúde no trabalho: a hora de escolher!

A promoção da saúde física e mental no contexto de trabalho continua a ser uma preocupação muito séria da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA), que nos últimos quatro anos criou duas campanhas para Promoção dos Locais de Trabalho Saudáveis, a campanha Healthy Workplace Manage Stress, em 2014-2015, e a campanha Healthy Workplaces for All Ages, em 2016 e 2017.
A relação entre trabalho e saúde tem sido largamente investigada nos últimos anos, nomeadamente, o impacto do stress laboral na saúde e no bem-estar físico e psicológico dos trabalhadores. Os resultados das investigações mais recentes estabelecem uma relação estreita entre o stress e os problemas de ansiedade, de depressão e de burnout, mas os problemas da Saúde Mental no trabalho não se limitam à ansiedade, ao stress, ao burnout e à depressão; incluem problemas como risco de suicídio, alcoolismo e outras dependências, perturbações alimentares, perturbações do sono, problemas de relacionamento interpessoal e/ou de isolamento, entre outros.
Em Portugal, esta problemática ganha especial significado por sermos o país da Europa com a percentagem mais elevada de doenças mentais a par do elevado consumo de ansiolíticos e antidepressivos.
De acordo com o estudo conduzido pelo Prof. Miguel Caldas de Almeida, presidente do Lisbon Institute of Global Mental Health, “no espaço de sete anos, o número de portugueses a sofrer de doenças mentais aumentou mais de 10%. Se em 2008, a prevalência de doenças como a ansiedade crónica e a depressão na população era de 19,8%, em 2015 esse valor subiu para os 31,2%”.
Os dados fornecidos pela Direção-Geral de Saúde (2016) confirmam que “(…) o consumo de antidepressivos está a disparar e o suicídio está a crescer, sobretudo nas pessoas em idade ativa.”
Muito se tem escrito e publicado nos órgãos de Comunicação Social sobre este crescimento alarmante das doenças mentais no nosso país. Já sabemos tudo sobre o impacto económico do presentismo, do absentismo, do burnout, para as empresas e para economia dos países, é tempo de falarmos daquilo que é realmente mais importante: o sofrimento das pessoas que trabalham em locais que não promovem a saúde nem o bem-estar dos seus trabalhadores. Este problema, que atinge todos os níveis hierárquicos, quer no setor público quer no setor privado, é um dos problemas de saúde mais incapacitantes associado ao trabalho.
É tempo de passarmos das palavras aos atos, de todos – líderes, gestores e colaboradores – nos empenharmos na construção de locais de trabalho saudáveis, que promovam saúde, bem-estar, sentimento de realização e de satisfação com o que se faz.
Precisamos de mudar o paradigma com que estes problemas têm sido abordados, ou seja, é necessário passar de uma abordagem essencialmente remediativa (tratando dos sintomas em vez de reduzir e eliminar as causas), que custa milhões de euros ao país em ansiolíticos e antidepressivos, em dias de baixa, em aumento do absentismo, do presentismo e do sofrimento das pessoas, para uma abordagem preventiva. Isto significa que é necessário implementar mais ações de prevenção e de redução dos fatores de risco psicossocial. A avaliação dos riscos psicossociais é a primeira medida preventiva a implementar em todas as organizações (pequenas, médias e grandes), por ser uma ferramenta de diagnóstico que permite identificar os fatores de risco e as áreas ou departamentos em que se manifestam. A identificação desses fatores de risco permite, num segundo momento, uma intervenção corretiva específica e ajustada à natureza desses riscos e da organização em que eles acontecem, reduzindo ou eliminando o impacto dos mesmos nas pessoas e na organização.
A Ordem dos Psicólogos Portugueses é um parceiro oficial da EU-OSHA nas duas campanhas de construção de Locais de Trabalho Saudáveis, e de entre os contributos da OPP para estas duas campanhas gostaria de destacar aqui a criação do prémio Healthy Workplace, que visa sensibilizar as empresas e organizações para a importância de construírem locais de trabalho saudáveis e a criação de uma plataforma que permite a todos os psicólogos avaliarem gratuitamente os riscos psicossociais das organizações em que trabalham.
A Ordem dos Psicólogos Portugueses está ativamente empenhada em contribuir para a promoção da saúde física e mental nos locais de trabalho, disponibilizando recursos e ações de formação que visam sensibilizar os líderes, gestores e trabalhadores para a construção de Locais de Trabalho Saudáveis em Portugal.

4Por: Samuel Antunes, diretor do Programa de Promoção da Saúde Mental nos Locais de Trabalho da Ordem dos Psicólogos Portugueses

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