Tecnologias de Informação

Um robot chamado LOLA

O Governo anunciou, orgulhosamente, a materialização das tendências tecnológicas do Simplex com o lançamento, algures no Porto, de um robot que, atendendo ao nome, será seguramente de sexo feminino, para assegurar a complexa função de ajudar os cidadãos a lidar com a caprichosa maquineta que vomita senhas, nas repartições dos serviços públicos.

Interrogada pelos jornalistas, a ”alma mater” da simplificação administrativa não dissimulou o orgulho de o Ministério da Simplificação Administrativa se tornar pioneiro na introdução da inteligência artificial na administração pública. Apesar de um Primeiro Ministro já ter demonstrado que as vacas voam, a entrada da Lola na cena política, merece ser saudada. Não obstante as preocupações dos jornalistas de serviço, a Lola – assegurou a senhora Ministra – não irá roubar postos de trabalho aos funcionários públicos. Pelo contrário, a Lola vai permitir que os funcionários, responsáveis até agora pela dita função, passem a desempenhar funções mais qualificadas e mais gratificantes. Na prática – como sabe a maioria das pessoas que passou pelas apinhadas e muitas vezes irrespiráveis salas de espera dos serviços onde vamos renovar cartões ou passaportes -, a maquineta, seguramente elegante, que orgulhosamente passará a integrar os quadros do funcionalismo público, irá apenas substituir o funcionário contratado da empresa de segurança, desviado das funções de representação da autoridade do estado, para a tarefa de teclar a máquina das senhas de atendimento.

Imagina-se que a pessoa responsável pelo batismo da Lola terá alguma coisa a ver com Espanha. Talvez a robot tenha sido assemblada, no país vizinho ou financiada por capitais espanhóis e exista uma razão séria para ter conservado o nome.

No entanto, para algumas gerações, a Lola evoca de imediato as Lolas que dançavam o flamenco no Maxime – o mítico cabaré na esquina do Parque Mayer, em Lisboa – e atuavam nas revistas nacionais que ambicionavam internacionalizar o elenco e atrair novas clientelas. As Lolas incendiavam a imaginação dos espectadores do Parque e arrastavam atrás de si uma corte numerosa de latifundiários alentejanos e altos funcionários do regime. Outra inescapável associação do nome, é com a Lolita de Nabukov, um romance clássico que escandalizou o mundo com a história de um escritor sexagenário, aprisionado no fascínio lascivo de uma jovem adolescente perversa e que, ainda hoje, permanece um clássico da literatura mundial.

Mas, mal grado a tentação de perguntar porque não chamaram à nova recruta Alice, Manuela, Esmeralda ou outro nome bem português, a entrada em cena da Lola veio avivar a esperança de que, brevemente, outras Lolas, com dotes algorítmicos mais evoluídos, venham em socorro da administração pública e, prioritariamente, implora-se, na renovação de serviços públicos em estado de ”calmaria”, como a Segurança Social e outras repartições onde os utentes são atendidos nos intervalos das sistemáticas ausências dos funcionários que se imagina, carinhosamente, irem fumar um cigarrito ou retocar a maquilhagem. Se assim for, venham as Lolas.

 

 

Amândio da Fonseca, CEO – EGORGEST, S.G.P.S., S.A

 

 

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