Trabalho Temporário

Como abolir os preconceitos em torno do Trabalho Temporário?

Os preconceitos sobre o trabalho temporário foram ganhando força ao longo do tempo, desde logo pelo significado da palavra “temporário”, numa época em que o “o trabalho para sempre” e “efetivo” eram bandeiras de garantia de sucesso.
As iniciativas dos últimos anos, quer legislativas, quer de fiscalização, a par de um maior conhecimento dos direitos dos trabalhadores temporários e dos mecanismos de salvaguarda de que dispõem, vieram dar ao setor uma outra dimensão e fortalecimento. Da mesma forma, a forte contração económica decorrente dos anos de crise, trouxe ao trabalho temporário uma nova roupagem, já que este se impôs como a oportunidade de inserção no mercado de trabalho, sendo a primeira para milhares de jovens e a única para milhares de desempregados, de média e longa duração, de voltarem a integrar esse mesmo mercado.
A velocidade dos avanços tecnológicos tem obrigado as empresas a adotarem formas de gestão assentes na flexibilização de processos e recursos que lhes permitam manterem-se competitivas no mercado. É nesta nova economia que o trabalho temporário aparece como instrumento de gestão estratégica, ao disponibilizar recursos cada vez mais diferenciados, ajudando as empresas a gerirem as flutuações de procura dos seus produtos e serviços.
Revela-se também um meio privilegiado de recrutamento e seleção em funções com perfis de competências cada vez mais exigentes, incluindo funções de chefia, contribuindo para redefinir um perfil de trabalhador qualificado versus o tradicional trabalhador indiferenciado.
É igualmente uma oportunidade de se conhecer melhor o candidato e aferir se este possui as competências e conhecimentos necessários para dar resposta aos desafios da função e do negócio.
Os candidatos, por outro lado, vão revelando novas atitudes e posicionamentos face ao mundo do trabalho, com interesses e projetos de vida variados. Temos já um número significativo de candidatos que manifestam necessidades de conciliar projetos paralelos, quer profissionais, quer pessoais. O trabalho temporário surge como opção de conciliação desses vários projetos.
Assim, pouco a pouco, o trabalho temporário começa a desprender-se dos preconceitos. Para isso tem contribuído a forma como tem respondido às necessidades do mercado, sendo hoje uma garantia de empregabilidade.
Os novos tempos permitem vínculos laborais diferenciados, onde o “trabalho para sempre” dá lugar a “trabalho sempre”, flexível, com experiências que enriquecem e desenvolvem, que motivam e promovem a constante aprendizagem e adaptação às inovações.
Para abolir o preconceito que ainda persiste em torno do trabalho temporário, não bastará mais legislação, campanhas de informação ou sensibilização. Acredito que o esforço recai muito sobre o próprio setor que terá de demonstrar que os empregos temporários se podem transformar em trabalhos melhores e em vínculos mais duradouros, trazendo a público os casos de carreiras de sucesso que se iniciaram com o trabalho temporário.

Por: Margarida Agra, gestora de projetos do Grupo Intelac

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