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Entrevistas

Teatro nas empresas: um resultado espetacular!

Com o objetivo de levar o teatro às empresas e, através dele, inspirar, motivar e desenvolver as pessoas e as equipas, nasce a Didaskalia, uma companhia totalmente especializada em teatro para empresas e organizações.
Em entrevista à Pessoal, Hugo Ferreira, produtor executivo da Didaskalia, explica os objetivos da companhia e destaca a importância do impacto que o teatro tem na vertente comportamental, tanto na vida profissional como na vida pessoal.

Entrevista publicada na revista Pessoal n.º 169 – setembro/outubro 2017

Pessoal (P): Em que contexto nasce a Didaskalia e com que propósito?

Hugo Ferreira (HF): A Didaskalia surgiu em fevereiro de 2015 depois de termos verificado que existia por parte das empresas, nomeadamente no desenvolvimento de Recursos Humanos e também na área da comunicação, um interesse muito grande pelo teatro e pelas metodologias mais artísticas. Alguns dos elementos da equipa já tinham experiência em ambas as realidades e foi então que surgiu a ideia de criar um projeto teatral exclusivamente dedicado ao teatro empresarial, que noutros países, nomeadamente Espanha, França, Inglaterra ou Brasil, já é muito usual, mas que cá em Portugal ainda não estava a ser devidamente explorado.

P: Vocês dizem que os vossos espetáculos “não são palestras, não são stand up comedy, não são monólogos, não são teatro de improviso, mas sim uma mistura de tudo isto”. Como funciona esta simbiose de vários estilos e técnicas?

HF: Mais do que as técnicas, interessam-nos os resultados. É em função do que se pretende atingir que identificamos qual a melhor forma de o alcançar. Por vezes, essa forma é uma mistura de todas essas técnicas e também da grande capacidade que os atores e toda a equipa têm para reagir em função de cada público.
Por outro lado, temos também as condicionantes do espetáculo. Mais de 90% dos nossos espetáculos são dentro das empresas ou em locais de encontro, como centros de convenções ou hotéis. Não existe, portanto, um espaço de espetáculo, com iluminação, cenário, som. Por isso, os espetáculos que criamos têm de ser sempre pensados de forma a ter o máximo de impacto com o mínimo de recursos, daí que misturemos um pouco essas técnicas. Temos, por exemplo, monólogos que têm um pouco de stand up comedy, mas também há algum improviso em função da plateia. Temos de usar o que funciona melhor, por isso é tão importante o trabalho de criação dos espetáculos e o desempenho dos atores. Não é qualquer ator que consegue fazer este tipo de trabalho.

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P: A Didaskalia cria também cenas à medida de cada empresa e organização. Como se desenrola todo o processo criativo que é feito de raiz?

HF: Na realidade, a maior parte do trabalho que fazemos são espetáculos criados de raiz para os nossos clientes, que é aquilo que designamos por cenas à medida. O processo pressupõe um contacto prévio com a realidade da empresa e uma colaboração estreita para perceber qual o objetivo, o tipo de evento, a cultura da empresa, o histórico neste tipo de atividade, etc. Depois, nós fazemos uma proposta de espetáculo, com uma narrativa específica e vamos construindo a história com o cliente. Depois de aprovada a narrativa é escrito o espetáculo final, que grande parte das vezes tem referências à empresa, usando a linguagem do cliente, fazendo referência a situações específicas, a colaboradores ou a locais dentro da empresa. Como trabalhamos sempre com humor, todo o processo é bastante divertido, quer para nós, quer para o cliente.

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P: Nas oficinas de teatro que realizam são os próprios colaboradores das empresas e organizações que criam e representam o espetáculo? Como descrevem este trabalho feito com pessoas que não são atores?

HF: Nas oficinas de teatro são os colaboradores que fazem o espetáculo, com a nossa orientação. Podem ser eles também os criadores da história, mas o mais usual é sermos nós a criar um conjunto de cenas ou situações e trabalharmos em cima de guiões já escritos. Este formato funciona melhor e temos um maior controlo sobre o resultado final, e do que é necessário, por exemplo, em termos de adereços, cenário e tempo.
Normalmente dividimos as pessoas por grupos e cada grupo tem um ou dois atores a orientar a encenação e a ajudar os participantes na interpretação, na escolha dos figurinos e no tom do espetáculo. Para nós, como equipa, é um trabalho extremamente gratificante e temos a noção do impacto que o teatro tem na vertente comportamental. Por um lado, vemos que as pessoas se entregam ao processo e se divertem muito. Por outro lado, conseguem compreender melhor o impacto real que determinados comportamentos têm em situações de trabalho ou mesmo de relações familiares. Com este tipo de processo conseguimos, em meio dia, mais resultados (mais impactantes e duradouros) do que conseguiríamos com ações de formação de dois ou três dias.

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P: A Didaskalia oferece ainda a possibilidade dos colaboradores das empresas e organizações interpretarem uma história curta, ligada à vida da empresa, “com direito a estreia e sessões de autógrafos”. Em que consiste esta ficção empresarial e que importância têm estas atividades no reforço da identidade corporativa de uma empresa?

HF: A ficção empresarial é muito semelhante às oficinas, mas destina-se sobretudo a grupos mais pequenos em que não conseguimos ter plateia dentro do grupo. Para que uma oficina de teatro funcione com impacto, é importante que as pessoas representem perante uma audiência, portanto esse tipo de intervenção destina-se a grupos grandes. Mas imagine uma empresa que tem uma equipa de dez pessoas e gostaria de fazer um teambuilding com teatro. Iriam representar para quem? Mesmo se dividíssemos o grupo teriam uma plateia de cinco pessoas, o que francamente não é suficiente. Para podermos dar resposta a grupos mais pequenos criámos as ficções empresariais, em que em vez de os colaboradores fazerem uma peça de teatro, fazem um filme. Depois, fazemos uma estreia em que todos assistem ao seu filme, criamos todo o ambiente das estreias para ter mais impacto, mostramos o making-off e, no final, fazemos uma reflexão sobre o processo.
Para além deste tipo de ficções, fazemos outro tipo de vídeos para as empresas. Estamos a falar de vídeos humorísticos, em que queremos chamar a atenção para situações específicas na empresa, por exemplo, o cumprimento das normas de HSST, ou outros temas que os clientes queiram ver retratados. Aí, a nossa intervenção passa pela criação do conceito do vídeo com o cliente, escrita do guião e representação, que neste caso é feita pelos nossos atores, bem como todo o trabalho de produção e pós-produção vídeo.

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P: Que espetáculos já criados têm em cena, atualmente, e que temáticas abordam com cada um deles?

HF: Temos quatro monólogos que abordam temas transversais às empresas. Foram os primeiros espetáculos criados. A Auditoria de stress é um deles e centra-se nos problemas de comunicação dentro das empresas. Temos igualmente um espetáculo sobre liderança, que se chama Associação de apoio a chefes incompreendidos, um outro sobre motivação, chamado Como ser feliz em apenas cinco dias, e ainda The customer is always right, sobre relacionamento com o cliente.
Para além destes espetáculos, que são mais portáteis, pois pressupõem um ou dois atores, temos um conjunto de “cenas do trabalho” sobre vários temas do dia-a-dia nas empresas, como a gestão dos e-mails, as reuniões, os rumores, a definição de objetivos, etc. Este conjunto de cenas permite-nos combinar temas, de acordo com o que o cliente quer ver abordado, caso o tema seja, por exemplo, trabalho no escritório.

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P: A equipa da Didaskalia é constituída várias pessoas com experiência em teatro e com grande conhecimento do funcionamento das empresas. Isto é primordial para se ser bem-sucedido em registos tão diferentes e conseguir-se chegar a públicos tão distintos?

HF: É fundamental porque o teatro e o mundo empresarial têm dinâmicas de funcionamento e linguagens muito diferentes. Basta não conhecermos bem uma das realidades, para o resultado não ser tão bom. No nosso caso, temos várias pessoas que conhecem ambas as realidades e conseguem pegar na forma de funcionamento de uma empresa e criar uma situação caricatural que funcione bem em teatro. Esse é o principal fator diferenciador da Didaskalia, é conseguir falar bem as duas linguagens e conjugá-las de forma a que o resultado seja, como diz o nosso slogan, um espetáculo.
O conhecimento profundo das empresas permite-nos ainda ser capazes de escrever espetáculos em que, quer tenhamos na plateia os administradores, ou os operários, somos capazes de fazer passar a mensagem e esta é compreendida por todos, com diferentes níveis de profundidade. É aquilo que em dramaturgia se designa de densidade do texto teatral, ou escrever com várias camadas de subtexto, que conjuga o que se diz, com a forma como se diz e a situação em que se diz.

P: Que evolução registam no feedback do público empresarial ao longo do vosso tempo de existência?

HF: O melhor feedback que temos nestes dois anos e meio é o facto dos nossos clientes repetirem a experiência e termos já feito mais do que um espetáculo em vários clientes. Isso significa que gostaram e que o nosso trabalho foi relevante – e temos atuado em algumas das maiores empresas do país. É claro que nem sempre conseguimos agradar a toda a gente e há pessoas que não apreciam um ou outro sketch, mas a grande maioria das pessoas gosta e vê muito valor acrescentado no que fazemos e na postura que temos ao longo do processo. Isso para nós é o mais importante.

P: Se uma empresa ou organização estiver interessada, de que forma pode conhecer melhor o vosso trabalho?

HF: A melhor forma é mesmo convidando-nos para um café. Prometemos não aparecer todos, mas os que forem são espetaculares… e levam bolachas.

Por: Ricardo Vieira, coordenador editorial

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