Entrevistas

“os drones nunca substituem os nossos motoristas”

Fernando Falcón, assumiu recentemente o cargo de Country Manager para Portugal e Espanha na UPS, passando assim, a ser responsável por mais de 1.300 colaboradores, bem como pelas operações, desenvolvimento de negócio e estratégia da marca para toda a Península Ibérica. Em entrevista ao RHonline, Fernando Fálcon conta-nos quais os desafios que a marca enfrenta atualmente e como é que as tecnologias estão a revolucionar o mundo da logística.

Rhonline(RH): Assumiu recentemente o cargo de Country Manager da UPS em Portugal e Espanha, como é que está a ser a experiência nestes dois países?

Fernando Falcón (FF): A experiência está a ser ótima. Tanto Portugal como Espanha são dois países importantes para a Europa e o que sinto é que as nossas equipas estão totalmente focadas e empenhadas nas metas que traçamos em todas as esferas: crescimento, inovação e sustentabilidade do nosso serviço global. São dois mercados que conheço desde 2001, altura em que integrei o universo UPS como analista financeiro para a zona ibéria, antes de seguir para a Bélgica, onde também desempenhei funções de Country Manager. É um regresso a casa que me deixa muito satisfeito e no qual deposito grandes expectativas, tanto de crescimento dos índices da empresa, como a um nível mais pessoal.

RH: A UPS tem mais de 100 anos de experiência e distribui para mais de 200 países, qual é a receita para manter os clientes satisfeitos?

FF: Com efeito a UPS está no mercado há mais de um século, bastante mais tempo do que qualquer dos nossos concorrentes. Neste período, se há algo que aprendemos a fazer foi transformar desafios em oportunidades. Incerteza económica e geopolítica, economias emergentes, novas expectativas dos consumidores – temos superado tudo isto.

Mantemos os clientes satisfeitos porque oferecemos a mais ampla variedade de serviços de gestão de encomendas, cargas e rede de abastecimento do setor. Transportamos tudo, desde pequenos documentos até motores de aeronaves, por terra, mar e ar, em qualquer velocidade que seja necessária e em todo o mundo. Também fornecemos soluções que muitas pessoas não associariam naturalmente à UPS, como gestão de stock, reparação e devolução de produtos, atendimento de pedidos, projetos de depósito, consultoria de comércio internacional, serviços financeiros – até mesmo impressão online e outros serviços de retalho. Soluções de valor agregado como estas garantem-nos uma vantagem competitiva, ajudando os clientes a economizar dinheiro, a serem mais eficientes, a encontrarem novos mercados no exterior e a melhorarem a sua experiência de logística.

Investimos biliões de dólares para estabelecer uma rede de serviços vasta e altamente flexível, e esse é um dos nossos maiores pontos fortes. Temos a infra-estrutura, a tecnologia e mais experiência do que qualquer um na indústria. Isto significa que os nossos clientes podem concentrar-se no que fazem melhor e deixar o resto com a UPS. Estamos confiantes na direção estratégica que assumimos e nas nossas perspetivas de longo-prazo para um sucesso e prosperidade contínuos.

RH: Que importância tem a logística, hoje em dia, para as empresas?

FF: Historicamente a Logística teve um papel preponderante no desenvolvimento dos negócios e está cada vez mais presente na estratégia das empresas. Atualmente, as empresas nacionais precisam de estar especialmente atentas às exigências dos consumidores e de procurar expandir-se para novos mercados europeus e mundiais, pelo que a logística torna-se essencial para a execução de uma operação eficaz e eficiente. Num estudo que realizámos focado nas exportações das PME’s – com mais de 10 mil diretores de pequenas e médias empresas da Europa –, os resultados demonstraram que as PMEs com um modelo de negócio baseado nas exportações superaram as focadas apenas na operação doméstica, uma vez que têm acesso a taxas de crescimento, e a mercados muito além das fronteiras dos seus países.

Assim, à medida que os clientes começam a encarar a logística como uma vantagem estratégica, uma das grandes tendências a que temos vindo a assistir é o outsourcing da gestão da cadeia logística. Esta tendência permite que as empresas se concentrem na produção, comercialização e venda dos seus produtos, deixando a logística a cargo de especialistas.

O mercado português é um mercado importante para a UPS e tem vindo a contribuir para o crescimento do nosso volume de exportações europeias – em 2017 aumentou 15%. Os clientes portugueses atuam em diversos setores de atividade, incluindo cuidados de saúde, retalho, automóvel, high-tech e bens de luxo. São empresas altamente focadas na exportação, tendo entregue aos serviços da UPS a logística e transporte dos seus produtos. A globalização é uma força imparável e o desenvolvimento do e-commerce transformou o mundo, permitindo que consumidores finais e empresas de toda parte, grandes e pequenas, se conectem a novos clientes em novos mercados.

Portugal é e sempre foi uma nação de comerciantes e nós acreditamos ser possível ajudar o mercado português a competir globalmente. Com o nosso conhecimento, e a nossa rede global sofisticada, podemos apoiar os clientes nacionais, especialmente as PME’s, na expansão dos seus mercados, de forma a alcançarem objetivos internacionais e a competirem com as maiores empresas do mundo.

RH: Numa altura em que se fala muito em inteligência artificial, a inovação também fará parte do futuro da UPS? Como é que a UPS se está a adaptar?

FF: Somos, atualmente, a maior empresa de entrega de encomendas do mundo e líderes em soluções globais de gestão de cadeia de fornecimento, oferecendo os nossos serviços a clientes em mais de 220 países e territórios. Temos, por isto, uma responsabilidade acrescida para com o desenvolvimento contínuo de novos serviços e ofertas, com base na evolução das necessidades dos consumidores dos vários mercados. Só assim é possível atender às expectativas e construir a reputação de uma empresa de confiança, líder em inovação no seu segmento.

Na época em que vivemos há muitos aspetos do negócio estão a ser transformados por tecnologias de ponta e formas inovadoras de pensar – drones, impressão 3D, big data, crowdsourcing, robótica. Estas tecnologias estão a ajudar as empresas a melhorarem os processos de logística e a alcançarem os seus clientes de maneira mais rápida e eficiente. Também estão a mudar a gestão de stocks e a distribuição de qualquer negócio que tenha uma cadeia de abastecimento. Para nós, a união das diferentes soluções tecnológicas é a chave para continuar a crescer num ambiente cada vez mais global, dominado por aqueles que realizam vendas transnacionais.

A tecnologia é encontrada em todos os serviços que oferecemos e em todas as operações que desenvolvemos. Investimos 1.000 milhões de dólares por ano globalmente em tecnologia para ajudar os nossos clientes a otimizar os seus processos de remessas e logística a um custo mais baixo, melhorar o serviço e aumentar a eficiência.

Neste âmbito, os drones são um exemplo no qual vemos um futuro promissor. Trata-se de uma tecnologia com muito potencial para apoiar os nossos motoristas em determinados pontos das suas rotas, economizando tempo e oferecendo um atendimento melhor ao cliente, cujas necessidades são cada vez mais numerosas devido ao crescimento do comércio eletrónico.

Já usamos drones nos nossos armazéns para verificar e confirmar o stock das prateleiras mais altas ou o espaço disponível. E no ano passado, testámos as primeiras remessas para pessoas físicas em Tampa, no estado americano da Flórida, com essa tecnologia. Desta forma, o drone trabalha em conjunto com quem entrega, ajudando-o a melhorar processos.

Também testamos drones para ações humanitárias em situações em que a estrada é intransitável ou onde a infra-estrutura de transporte não existe. Assim, em 2016, fizemos uma parceria com a Zipline, uma empresa californiana especializada em robótica, e a Gavi, a Vaccine Alliance, para enviar sangue, vacinas e drones para locais remotos no Ruanda. Os drones colocam ao alcance de mais de 6 milhões de pessoas (metade da população do país), sangue, vacinas e medicamentos.

No entanto, os drones nunca substituem os nossos motoristas; são eles que tomam decisões sobre se uma encomenda pode ser deixada com segurança, receber uma confirmação com uma assinatura de entrega, mover itens pesados ou entrar num prédio com vários inquilinos e deixar encomendas com o porteiro. Os nossos profissionais oferecem um serviço ao cliente e um tratamento que os consumidores valorizam, respeitam e confiam.

RH: Tem 1.300 funcionários a seu cargo – como é que os mantém motivados?

FF: Somos uma empresa de portas abertas, onde os funcionários são ouvidos. O crescimento é muito incentivado internamente, sendo definidas metas claras, equipas de trabalho, feitos reconhecimentos e premiações internas. Também oferecemos as melhores instalações e materiais para que possam desempenhar as suas funções nas melhores condições possíveis.

RH: Quanto a equipa de trabalho, o que é que o Fernando espera da sua nova equipa?

FF: Dos nossos colaboradores, espero que continuem a dar-nos tanto quanto têm dado até aqui, eles são a base de todos os sucessos da nossa empresa e confiamos em absoluto no seu trabalho. Se mantivermos as mesmas políticas de Recursos Humanos, com uma comunicação fluída sobre os nossos objetivos e estratégias, não tenho dúvidas de que eles continuarão a contribuir como sempre.

RH: O que está por detrás da Gestão das Pessoas na UPS?

FF: O talento desempenha um papel fundamental numa empresa de serviços como a nossa, onde as pessoas, suas capacidades e trabalho conjunto são os nossos maiores recursos. Atualmente temos mais de 444.000 pessoas em todo o mundo, mais de 180 em Portugal e 1.200 em Espanha.

A UPS está comprometida com a promoção interna dos seus colaboradores e todos os gerentes têm como objetivo treinar e desenvolver as suas equipas. Recorde-se que o nosso atual CEO global começou como manipulador de embalagens em part-time num centro da UPS nos EUA.

Quando se tratam de posições de liderança, a equipa de gestão é parte ativa no painel de entrevistadores, compartilhando a objetividade na avaliação dos candidatos. Por outro lado, a empresa investe energicamente na capacitação e no desenvolvimento das pessoas, realizando

periodicamente avaliações formais do seu desempenho e monitorizando os resultados de todas as avaliações para garantir o desenvolvimento contínuo.

Em 2016, lançamos o ‘Trainee de Gestão’, um programa intensivo em que jovens talentos (recém-saídos da Universidade ou com ½ anos de experiência) são formados nos diferentes departamentos da empresa para que tenham uma visão global e sejam os futuros gerentes. Uma experiência multifuncional, que desenvolve as suas habilidades técnicas e pessoais, a partir de diferentes posições.

RH: Que desafios perspetiva para o futuro próximo da UPS?

FF: Entre os desafios atuais que os operadores logísticos enfrentam está a ascensão do comércio eletrónico. Entregar os produtos ao mercado primeiro, melhorando a experiência e a fidelização do cliente, mantendo o inventário em tempo real de acordo com a procura crescente, e reduzindo custos são os nossos principais desafios. A logística está a ser sujeita a melhorias contínuas para responder às exigências crescentes dos consumidores que buscam maior velocidade, flexibilidade e sustentabilidade.

Outro fator que as empresas de logística devem de levar em conta é o aumento da população nas cidades. Espera-se que, até 2050, 66% da população mundial viva em áreas urbanas. Como resultado, muitas grandes cidades da Europa e do mundo estão a começar a limitar o acesso a áreas residenciais e principais áreas comerciais – só permitem a passagem a veículos de emissão zero ou de tamanho compacto. Desde 2009, a UPS investiu mais de 750 milhões de dólares em veículos movidos a combustíveis alternativos e tecnologia avançada, bem como em postos de combustível em todo o mundo.

Além de tudo isto, o setor precisa de estar preparado para captar as oportunidades que o mercado apresenta em cada momento, como expansão contínua do comércio global, o crescimento dos países emergentes, a terceirização logística e a crescente necessidade de soluções logísticas específicas para determinados setores.

O futuro – pelo menos na nossa perspetiva – centra-se no conceito de “sincronizar o comércio global”, umas das mais importantes inovações dos negócios do século XXI. Isto é algo que não vai acontecer rapidamente, já que que requer investimento contínuo em tecnologia, infra-estruturas, recursos humanos, colaboração sem precedentes entre parceiros, promoção e vigilância do comércio livre e justo, inovação e convicção.

Por: Joana Madeira Alves | Tema Central

 

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