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Opinião online

A economia a gostar de si própria

Ninguém duvida de que há capitalistas inteligentes, até muito inteligentes, mas não fogem à regra e como se costuma dizer, há de tudo como na farmácia. Poderíamos referir muitos dos que pertencem a essa casa dos inteligentes, mas vamos ficar-nos por estes três, Warren Buffet, Bill Gates e Michael Bloomberg, que todos os anos disputam o palco dos mais ricos do mundo.
Apesar da sua riqueza é tudo gente que acredita na sorte, nos acasos, na intuição e pensam um pouco como o nosso senhor Delta, Rui Nabeiro, sorte é quando as nossas competências encontram as oportunidades. Por isso, são uma espécie de Tio Patinhas e gastam biliões em filantropia e deserdam, no todo ou em parte, os seus herdeiros, porque entendem que eles têm de lutar pela vida para não ficarem à sombra da fortuna dos paizinhos. Também tivemos por cá um bom exemplo que foi Champalimaux, para já não falar nesse arménio que nos escolheu para herdeiros, Gulbenkian.
São eles que dizem que “a cegueira provocada pela euforia das subidas das ações das bolsas fez com que cães e porcos pareçam génios da gestão”. Buffet vai até mais longe e diz mesmo que só investe “em ações de empresas tão maravilhosas que até um idiota as consiga gerir”. Porque, continua ele, mais tarde ou mais cedo, vai estar um idiota a geri-las.
É verdade, a sucessão hereditária nas empresas, mas não só, acabou com a ideia da meritocracia. E continua dizendo que “esses valores só são defendidos nas reuniões dos clubes e associações empresariais, onde abundam os campeões mundiais da idiotice”. Na América, mas infelizmente por todo o mundo, “transformámos esses idiotas nos heróis do nosso tempo e são tão admirados que nem se aceita que se questione o seu enriquecimento desmesurado”.
Como se vê, esse é também um problema que nos afeta, necessariamente tinha que nos afetar, estamos neste mundo aberto ao melhor e ao pior. Por todo lado, como cá, condecoramos indevidamente, protegemos o segredo dos rendimentos e o dinheiro voa para paraísos fiscais. E também é verdade, se formos ver bem a lista daquele 1% dos mais ricos do mundo, uma boa parte do que lá vamos encontrar são herdeiros e os tais executivos que enriqueceram desmesuradamente, segundo as palavras de Buffet, ou seja, o dinheiro não está em boas mãos.
Mas a minha esperança é que uma parte do capitalismo é inteligente, essa gente existe, são poderosos e um dia acabarão por arrumar a sua própria casa e colocar sobre a mesa, de novo, a meritocracia.
Os arautos desse capitalismo já começaram a tocar as suas sábias trompetas. Joseph Stiglitz, que é um Prémio Nobel da Economia, diz não estar a gostar nada do que vê na economia, nem na forma de evolução das sociedades e já lançou o primeiro aviso. É uma espécie de grito, onde diz que é urgente criarem-se mecanismos e organizações que ensinem a aprender. Que “isso é muito mais importante que acumular capital ou mesmo que o progresso tecnológico”. Que num futuro breve, a diferença vai estar no aprender a fazer, mas fazer de uma forma diferente do que hoje está a acontecer. E que o segredo não estará naquilo que se ensina, mas no desenvolvimento da nossa maior aptidão como seres humanos, aquilo que é para nós mais fácil e nos dá maior prazer, ou seja, Aprender a Aprender.
E não é isto que andamos a pregar há tanto tempo? Agora já só é preciso aprender a fazer. Fukuyama não tem razão quando diz que chegámos ao Fim da História, apenas demos a volta e estamos a começar a partir do fim e de um caos que é pai e mãe de uma nova criação…

Por: Jorge Marques

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