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Duas questões fundamentais da Teoria Política aplicáveis às empresas

A Teoria Política é, segundo Eric Voegelin, uma Teoria da História, ela assenta a sua especulação na problemática da existência histórica. Em torno da Teoria Política podemos levantar duas questões: a da representação e a da verdade dessa representação, isto é, os símbolos pelos quais a sociedade política se interpreta como representante de uma verdade transcendental.
Estas duas questões vão ao fundo, ao interior da existência do Homem enquanto entidade que habita a pólis, que pauta a sua vida também pela interação com os outros. Por isto, as questões da representação não se podem ficar por uma análise meramente institucional, onde debatemos que instituições devem representar uma sociedade e como é legitimada a figura que liderará essas instituições (aqui também aplicável às empresas e quaisquer organizações). A problemática da representação ultrapassa esses limites, isto é, deve ir para além da representação existencial e focar também a representação transcendental. Uma sociedade política, tal como uma empresa ou uma organização, pode sentir-se representada ainda que não tenha elegido nenhum líder para o efeito, pode não ter sequer instituições representativas, quem assume a direção de uma sociedade assim organizada é um representante do povo, do grupo. A representação transcendental tem o atributo primeiro de legitimar o poder na base da plena consciência das necessidades das pessoas. Um líder pode ser democraticamente eleito e não representar o sentir de um povo, é um mero agente, neste caso.
A Teoria Política pode metaforicamente ser vista como uma árvore em crescimento, o que indicia o seu caráter dinâmico, não estático, que obriga a perceber as sociedades como realidades dinâmicas, quase com vida própria, que se desfazem para se reerguerem e, nesse processo de ressurgimento, o lastro da história aparecerá, para ser reproduzido o que está bem e afastado o que está mal. Pode até parecer utópico, mas tal como dizemos que o Homem pode sonhar, as sociedades podem também constituir-se como verdadeiras utopias.
O mais importante nesta dinâmica é a procura da verdade, e essa verdade é também uma questão a que a Teoria Política responde. Ao longo dos tempos essa verdade foi-se modificando, podemos falar do tempo dos antigos impérios e da verdade cosmológica; da verdade antropológica cultivada pelos Gregos e suas tragédias, e a verdade soteriológica que surge com o advento do Cristianismo, em que a verdade da representação é associada à ideia de salvação. Santo Agostinho acrescentou a verdade sobrenatural que deve também ser tida em conta nisto de tentarmos perceber o que é certo ou errado para uma sociedade política.
Não é suficiente termos um líder que nos represente, é importante que esse líder seja um verdadeiro representante das necessidades das pessoas e não um mero agente. A verdade da sua representação está intrinsecamente associada à forma como nela incorpora a dinâmica da história, a repetição do que está bem e o abandono do que está mal. Acima de tudo que seja uma representação existencial e não meramente institucional.

Por: Catarina Barosa, diretora de conteúdos da Tema Central

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