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Uma boa decisão: o poder da Compreensão Intuitiva

Quem está num processo de deliberação, está à procura e faz cálculos, não está nem a conjeturar nem a opinar. A conjetura prescinde do acompanhamento da razão. A boa deliberação, de acordo com o pensamento Aristotélico, é uma certa forma de correção, não sendo nem uma correção científica, nem de opinião. É uma correção no processo de pensamento. Quem está num processo de deliberação está à procura. Quando se fala aqui em correção estamos no domínio do que é vantajoso, do que traz vantagem, delibera-se corretamente em relação ao objetivo, à maneira e ao momento oportuno. Não chega, pois, deliberar corretamente em relação à maneira e mal em relação ao objetivo e ao momento oportuno. A correção que aqui importa situa-se naqueles três âmbitos (objetivo, maneira e momento). Isso permite-nos dizer que deliberar bem “é próprio dos sensatos, a boa deliberação será a correção de deliberação a respeito do que é conveniente como meio para o fim do qual a sensatez tem uma conceção verdadeira.”
O entendimento é também fundamental para uma boa deliberação, porquanto ele permite-nos discernir o que está em causa. Se a sensatez nos comanda o entendimento ajuda-nos a compreender situações em relação às quais existam dificuldades e que pedem que deliberemos. O entendimento permite identificar as circunstâncias e factos problemáticos e também as circunstâncias e factos problemáticos que carecem de deliberação. Aprender é uma forma de entendimento, ajuizar também.
Já a capacidade de ser compreensivo será a capacidade de perdoar e será correta quando ajuíza em verdade. Isto porque, ter entendimento, como acima se descreveu, e poder de compreensão, como agora se refere, “dizem respeito às situações particulares da ação”, e é no âmbito da ação, das situações limite, que estudamos a deliberação e será esta a última operação da alma: o poder de compreensão intuitivo, que fecha esta análise.
Este poder de compreensão intuitiva conduz-nos a duas extremidades-limite, quer aos primeiros princípios (axiomas) quer às situações particulares que em cada momento se vão apresentando a quem tem de deliberar.
Temos, por um lado, a compreensão intuitiva que nos leva às demonstrações do que não é contingente, às primeiras definições e primeiros princípios, e por outro a conduzir-nos para as situações em que é preciso agir num cenário de mutabilidade e variação onde as coisas podem ser sempre feitas de maneira diferente, ficando perante o limite-extremo de cada uma delas, o que nos levará, por seu turno, à premissa menor que são os princípios fundamentais da compreensão do fim. Segundo Aristóteles, será a partir dos fins particulares que se vão constituindo que chegamos ao fim universal e para conseguirmos chegar a este tal fim universal precisamos de uma intuição, que será então o tal poder de compreensão intuitiva.
Segundo Aristóteles, estes poderes de entendimento e compreensão podem ser adquiridos, ou seja, podem desenvolver-se no Homem ao longo da vida o que abonará a favor da ideia de que se podem desenvolver no Homem, ao longo da sua vida, habilidades de líder, de um bom líder, partindo do pressuposto de que é um bom líder o que delibere bem. O caminho para que isso aconteça serão o desenvolvimento da sensatez (a vida ensina-nos através das várias experiências que vamos tendo e, por isso, um velho é sempre mais sensato do que um jovem) e da sabedoria (o conhecimento científico pode ser ensinado e pode ser aprendido).
Há esperança para os líderes!

Por: Catarina Barosa, diretora de conteúdos da Tema Central

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