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Materialidade e Metamorfose

A exposição de Joan Miró – Materialidade e Metamorfose –, a decorrer no Palácio da Ajuda, abarca um período de seis décadas da carreira do artista catalão. Tem presente as transformações das imagens iniciadas nos anos 20 do século passado, nos campos do desenho, pintura, colagem e trabalhos em tapeçaria.
A respeito desta exposição, fixei-me neste conceito: metamorfose, sendo que o sentido mais preciso da palavra diz respeito à transformação de algo noutra coisa. Na sua essência “meta” (mudar) + “morfo” (forma).
A borboleta é conhecida como o símbolo da transformação. Na borboleta este processo, demora o seu tempo.
Há muitos anos, li uma das obras mais famosas de Franz Kafka (1883-1924), A Metamorfose. Em A Metamorfose, Kafka narra a fantástica história de Gregor, que um dia, após acordar de sonhos intranquilos, encontra-se transformado num gigantesco inseto. A Metamorfose não deixa de ser uma obra profundamente perturbadora, em que de uma forma disruptiva um ser se transforma num outro totalmente diferente do que era.
Esta noção de mudança permanente, transformação e rutura com o que existe, inspirou o poeta romano Ovídeo, no ano 08, na sua famosa obra Metamorfoses, obra clássica da mitologia greco-romana e inspiracional para artistas e filósofos que se seguiram. E a este respeito cito: “e amanhã não seremos o que fomos, nem o que somos”.
O ser humano nasce e desenvolve-se com caraterísticas próprias. Ao longo da vida, depara-se com situações novas, sendo capaz de um ciclo interminável de mudanças. No ser humano, as ações, sentimentos e pensamentos são sempre influenciadas por situações passadas, mas que o fazem agir, pensar e sentir de determinada forma.
Tal como Joan Miró que evoluiu na sua obra ao longo da sua vida, também nós agimos de forma distinta em função dos processos de transformação que vamos passando.
Muitos dos processos e experiências não são cumulativos ou de continuidade (como o exemplo da borboleta), mas antes disruptivos (como a obra A Metamorfose de Kafka). Obrigam-nos a novas formas de pensar e abordar as situações e problemas. São processos transformacionais em que mais do que fazer mais e/ou melhor, é fazer diferente. Mais do que integrar aprendizagens, é construir novos conceitos. Mais do que nos enriquecer no que somos, transforma-nos numa pessoa diferente.
Não tenhamos dúvidas de que as grandes mudanças se dão mais por processos disruptivos do que de continuidade. As grandes mudanças na natureza, na nossa vida e na gestão.
Joseph Campbel referia a esse propósito: “temos de estar dispostos a nos livrar da vida que planeamos, para poder viver a vida que nos espera; a pele velha tem de cair, para que uma nova possa nascer”.

Por: Elsa Carvalho, diretora de Recursos Humanos da REN – Redes Energéticas Nacionais e vice-presidente de APG

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