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Paradoxos e Dilemas: o que fazer?

Nos dias 23 e 24 do passado mês de maio, o Centro Cultural de Cascais recebeu a Leadership and Society Forum dedicada ao tema: “Paradox & Plurality”. Uma temática com a qual as empresas e os seus decisores lidam no dia-a-dia, com que todos nós lidamos nas nossas vidas, mas que nem por isso paramos para pensar sobre ela o tempo necessário.

Nesse fórum organizado pela Universidade Nova e pela Fundação Amélia de Mello, o objetivo foi explorar o potencial do pensamento paradoxal, com pluralidade de abordagens, equilíbrios dinâmicos, consistências e inconsistências para transformar os negócios e a sociedade. Uma das oradoras convidadas foi Wendy K. Smith, doutorada na Harvard Business School e professora associada de comportamento organizacional na Escola de Negócios Alfred Lerner, da Universidade de Delaware. O seu trabalho de investigação está focado nos paradoxos estratégicos – como os líderes e as suas equipas respondem efetivamente a agendas contraditórias. Ela estuda também a forma como as organizações exploram simultaneamente novas possibilidades com as competências existentes, e como as empresas sociais atendem simultaneamente a missões sociais e a objetivos financeiros.

Na opinião de Wendy K. Smith, sempre que nos vemos confrontados com um paradoxo, não temos necessariamente de seguir um caminho em detrimento de outro, podemos sim, optar por seguir os dois caminhos em simultâneo. Esta especialista entende que estamos perante um paradoxo sempre que temos de fazer face a duas realidades opostas e interligadas, não sendo possível optar por uma sem prejudicar a outra. Já um dilema é uma situação em que tendo uma tese e uma antítese (duas situações opostas) conseguimos, por via de uma síntese, encontrar uma resolução. Nos paradoxos, vemo-nos confrontados com duas realidades distintas que nunca atingem a sua síntese e que, por isso, nunca se resolvem.

Sem prejuízo do manifesto interesse académico e prático das posições da professora Wendy, considero que, para a resolução de muitos paradoxos, as teorias da decisão filosófica podem ser um excelente contributo. Talvez para os olhar como dilemas e encontrar na sua relação dialética que nos conduzisse à síntese, à resolução.

Segundo Paul Weirich, professor de Filosofia na Universidade de Missouri, a teoria da decisão filosófica tem as suas raízes em estudos de raciocínio prático que remontam a Aristóteles. Ela floresceu no século XX por causa do trabalho de Frank Ramsey, Bruno de Finetti, Leonard Savage, Richard Jeffrey e muitos outros. Tem prosperado por causa de seu interesse intelectual intrínseco e porque suporta áreas tradicionais da filosofia, como a epistemologia e a ética. A teoria da decisão filosófica unifica os estudos normativos da crença/fé, desejo e ação. O seu método é também distinto, pois embora se baseie nas ciências sociais e comportamentais, a sua tarefa é promover estudos fundacionais da decisão, em vez de investigações empíricas sobre ela. A filosofia tem a liberdade de adotar perspetivas de escolha que a experiência e as pesquisas não tentam. A avaliação normativa da escolha é o principal exercício dessa liberdade. Também investiga o lado introspetivo da decisão e as comparações interpessoais de estados mentais, que os experimentalistas consideram insuficientes para servir de base à ciência pública.

Por estas razões, quer estejamos perante um paradoxo, um dilema ou outro qualquer constrangimento da razão ou da alma, a filosofia pode ajudar a iluminar o caminho ou os caminhos.

Pensar faz bem à saúde e ajuda-nos a resolver paradoxos, sem que isto que concluo seja uma contradição.

Por: Catarina Barosa, diretora de conteúdos da Tema Central

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