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De médico e de gestor de pessoas, todos temos um pouco!

Em outubro do ano passado, teve lugar um encontro de futuros gestores de Recursos Humanos, com o tema “GRH under construction”, cujo objetivo era debater a função da gestão das pessoas num futuro próximo.

Refletir sobre o emprego quando mergulhamos na era da indústria 4.0 permite equacionar um dos cenários traçados nesse debate: a profissão GRH (que não a função) tenderia a perder espaço de ação já que a gestão das pessoas se assume cada vez mais transversal ao universo organizacional.

Bem sei que “de médico e de louco todos temos um pouco” e a gestão das pessoas é intrínseca a qualquer liderança ou direção. Quase que poderíamos ser tentados a tomar a gestão das pessoas como uma mera competência necessária ao dirigismo, parte integrante de um perfil mais vasto de competências. Ao fim ao cabo, todos gerimos pessoas em alguma circunstância.

Mas neste raciocínio também teríamos de colocar no mesmo patamar de “competência” outras profissões: psicólogo, docente… e porque não engenheiro ou mesmo o tal médico associado ao louco? Em algum momento da vida também nos assumimos como “profissionais” desses saberes.

Mas no rigor das intervenções requeridas ao GRH exige-se mais do que a simples singularidade da ideia de competência. Exige-se a ancoragem numa matriz teórica de conceptualizações que permitem, com fundamentos técnico-científicos, decisões e resultados que possibilitem uma real integração e aproveitamento das pessoas nas organizações.

Significa “ler” ciclos organizacionais e individuais percebendo as oportunidades de desenvolvimento para ambos, ver tendências e riscos, construir métricas de desempenho e outros indicadores, recrutar cirurgicamente talentos, ter estratégias de aproveitamento do potencial humano, entre outras intervenções.

E só nesse contexto se consegue ter “atos de gestão das pessoas” que sejam chancelados pelos profissionais da área e conforme a ciência GRH. Atos geradores de estatuto próprio e reconhecido.

Num recente inquérito dirigido a responsáveis da GRH do projeto HR. Pt. Survey liderado pela APG, que envolveu 18 instituições de ensino superior, mais de um terço das respostas válidas à questão sobre os desafios futuros dos GRH apontavam o “estatuto da função GRH”, colocando-o como primeiro desafio futuro.

A urgência do debate de reconhecimento da especificidade da matriz de saberes próprios da GRH, consolidados do ponto de vista conceptual e metodológico e por uma prática própria que vai para além da perceção empírica, é fundamental para construir esse estatuto.

Afinal, de médico e de gestor de pessoas, todos temos um pouco!

Por: Luís Botelho, APG

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